Arte mostra que mulheres já lideraram comunidades cristãs

| 27 Out 19

Cerula, mulher dos primeiros séculos, representada com os atributos de líder da comunidade cristã.

 

Várias obras de arte cristãs dos primeiros séculos mostram mulheres em lugar de grande destaque nas assembleias dos crentes. Uma das imagens é a que representa uma mulher, de nome Cerula, encontrada nas catacumbas de São Januário, em Nápoles, em 1971: a mulher aparece de mãos erguidas, tendo sobre a sua cabeça as letras Qui e Ró, que simbolizam Cristo e, ao lado, dois livros flamejantes com os evangelhos.

As informações foram dadas por Luca Badini, professor e investigador da Universidade de Birmingham (Reino Unido), que é também director de Investigação no Wijngaards Institute for Catholic Research e autor de vários livros sobre a democracia e o ecumenismo na Igreja Católica.

Num encontro promovido pelo movimento Nós Somos Igreja, em Lisboa, a 19 de Outubro, Luca Badini acrescentou que a iconografia e a forma de representar Cerula era habitualmente reservada a líderes de grande estatuto, como os bispos. E a representação desta mulher é apenas uma entre várias que confirma que, no início, as mulheres tiveram também funções de destaque ou mesmo de liderança nas comunidades cristãs dos primeiros séculos.

Para Luca Badini, factos como estes mostram que não há argumentos suficientes para impedir a ordenação de mulheres no catolicismo, sejam elas de carácter baseadas na tradição ou na interpretação das escrituras ou dos textos do magistério. E hoje os avanços sócio-culturais ou as recentes investigações mostram a insustentabilidade de algumas dessas teses, defendeu Badini.

A iniciativa do Nós Somos Igreja – Portugal concluiu a reunião do comité da Women’s Ordination Worldwide (WOW) em Lisboa. A WOW, fundada em 1996 na Áustria, é uma rede de grupos católicos que defende a possibilidade do acesso das mulheres aos ministérios ordenados. O Nós Somos Igreja – Portugal integra também a WOW, a par de outras organizações como a Women’s Ordination Conference, dos Estados Unidos, e a Roman Catholic Women Priests, responsável pela ordenação de sete mulheres no Danúbio em 2002.

(Texto redigido com base em contributo de Pedro Freitas)

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