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Mulher lê o 7Margens no computador. Foto DR
O texto sobre a obra de Rupnik em Fátima originou mais de 55 mil visitas e destaca-se entre as dez mais lidas de 2025. Foto: Direitos reservados

Balanço

As 10 notícias de 2025 preferidas dos leitores

| 30/12/2025

A notícia de que o Santuário de Fátima tinha suspendido a utilização da imagem da obra do frade abusador Marko Ivan Rupnik, embora sem tencionar remover o monumental painel por este criado para a Basílica da Santíssima Trindade, foi a mais lida entre todas as que o 7MARGENS publicou ao longo do ano que agora termina. O texto originou mais de 55 mil visitas e destaca-se entre as dez mais lidas de 2025, nas quais figuram outras cinco notícias, três textos de opinião e uma entrevista.

Santuário de Fátima suspendeu utilização da imagem da obra de Rupnik

As duas últimas semanas do ano foram férteis em alterações no top 10 do 7MARGENS, com a entrada de duas notícias para este “quadro de honra”. Na Suécia – Busca espiritual gera interesse por monjas católicas contemplativas, publicada a 25 de dezembro, entrou diretamente para o terceiro lugar das mais lidas (31.411 visitas) e Carta aberta de católicos – Documento do Vaticano é “medíocre, retrógrado, com a pior teologia e maus princípios humanos”, publicada quatro dias antes, empurrou a notícia Francisco “vive”: uma mulher recebeu convite para a reunião dos cardeais (6.872 visitas) para fora das dez mais.

Francisco “vive”: uma mulher recebeu convite para a reunião dos cardeais

A mulher referida no título desta última é a irmã italiana que, no tempo da sede vacante, durante o mês de abril deste ano, recebeu um inesperado, inédito e extraordinário e-mail assinado pelo decano do Colégio Cardinalício, o cardeal italiano Giovanni Battista Re, convocando-a para participar nas congregações gerais dos cardeais que se iniciaram na terça-feira, 22 de abril, antecedendo o conclave.

A ´culpa” de tão extraordinário convite teve-a Francisco que nomeara, em janeiro de 2025, Simona Brambilla prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, (posto que sempre havia sido ocupado por um cardeal, com direito a participar nas congregações gerais).

 

Fátima e abusos sexuais

Há vários caminhos para se chegar à leitura do 7MARGENS. Aquelas que fazem convergir mais pessoas para visitarem o site do jornal são as redes sociais e as partilhas. Para se ter uma ideia do peso de cada um dos modos de chegar à leitura do 7MARGENS, a notícia escrita por Manuel Pinto sobre a reação do Santuário de Fátima à confirmação dos abusos sexuais de religiosas ligadas à Comunidade Loyola perpetrados pelo seu fundador, o padre Rupnick, é um bom exemplo. Do total de visitas à página daquele texto, 39.772 tiveram origem nas redes sociais e em partilhas, 14.238 por pesquisa no Google e apenas 967 vieram de assinantes da newsletter diária.

De resto, este foi o único texto a conseguir integrar a lista dos dez mais lidos em qualquer uma das três vias para se chegar ao 7MARGENS. Nenhum dos outros nove fazem parte das primeiras preferências dos mais de 3.600 leitores que entram no sítio a partir da newsletter diária. Estes deram a primazia a uma reportagem no Vaticano assinada por António Marujo publicada logo no princípio do ano e intitulada Sombras sobre Francisco, num decepcionante início do Jubileu que chamou a atenção de mais de um terço (1.332) dos assinantes.

Sombras sobre Francisco, num decepcionante início do Jubileu

Enviado a Roma no final de janeiro para participar no Jubileu dos jornalistas, António Marujo relatava o modo estranho como “no encontro com jornalistas e outros profissionais da comunicação, o Papa Francisco largou o discurso, disse que já eram horas de almoço (…), propôs duas ideias sobre comunicação e encerrou o momento, antes de começar a saudar, durante 50 minutos, bispos, clérigos e outras pessoas presentes na audiência”.

Juntando “este pequeno episódio” e “a fragilidade física” evidenciada pelo Papa “na parte final da missa no dia seguinte e durante a alocução do Ângelus”, António Marujo dava conta do “ambiente poliédrico que se vive neste momento no Vaticano e no pontificado de Francisco: (…) percebe-se que o Papa está mais frágil e menos capaz de segurar algumas rédeas do governo”. Francisco morreria três meses depois.

Os assinantes da newsletter foram atraídos, em segundo lugar, pela investigação do mesmo jornalista Sintra acolheu nova reunião “secreta” de bispos promovida por organização dos EUA muito crítica do Papa, lida por 1.269 assinantes. A investigação de António Marujo permitiu noticiar que pelo menos 80 cardeais e bispos católicos de todo o mundo se reuniram em Sintra, num dos hotéis mais caros de Portugal, entre 14 e 18 de janeiro, a convite (com tudo pago, viagens e alojamento) do Acton Institute for the Study of Religion and Liberty (Instituto Acton para o Estudo da Religião e a Liberdade), “uma instituição dos Estados Unidos muito crítica das ideias do Papa Francisco”.

Sintra acolheu nova reunião “secreta” de bispos promovida por organização dos EUA muito crítica do Papa

 

Casais, contemplativas e opinião

Publicada a meados de novembro, a notícia Funcionários casaram e foram despedidos; Vaticano aceitou reintegrá-los ficou em segundo lugar da “classificação geral”, com muito perto de 43 mil visitas. Nela relatava-se o caso do casal Silvia e Domenico, dois funcionários despedidos pelo Banco do Vaticano (o Instituto para as Obras Religiosas) por terem infringido a regra daquela instituição que proíbe taxativamente contratar cônjuges ou pessoas com qualquer outro tipo de laços familiares próximos. A sorte do casal, e a razão da sua posterior reintegração, foi terem-se casado uns dias antes da norma se ter tornado efetiva.

Funcionários casaram e foram despedidos; Vaticano aceitou reintegrá-los

Era sobre a atração que a vida contemplativa das irmãs de três mosteiros católicos na Suécia exerce sobre um público muito variado a notícia intitulada Na Suécia – Busca espiritual gera interesse por monjas católicas contemplativas que ficou em terceiro lugar. As 13 religiosas do mosteiro carmelita de Glumslöv, as quatro dominicanas de Rögle e as 14 beneditinas do mosteiro de Heliga Hjärtas, atraem um número significativo de pessoas que procuram um tempo de silêncio e introspeção.

Com metade das visitas (27.983) da notícia mais lida surge em quarto lugar o artigo de opinião mais visto. Escrito por João Torres, padre católico na arquidiocese de Braga, o texto Demasiadas missas… e tão poucas mesas partia da constatação de que “há padres que celebram seis, sete, oito missas num só fim de semana”, para se interrogar se tal correria “multiplica vida? Multiplica mesas onde todos cabem?”.

Em quinto, sétimo e oitavo lugar entre as mais lidas figuram escritos do género entrevista e opinião. Clara Pinto Correia: Desfazer os mitos do confronto entre religião e ciência (com 28.176 visitas), Não está, mas está, de Cristina Inogés Sanz (15.140) e Um irmão desconhecido (de Jorge Mario Bergoglio)(14.969), um conto de Ruy Ventura imaginando o encontro no Paraíso do Papa Francisco com Raúl Brandão, ficando Francisco emocionado ao ler alguns dos livros do autor português e perguntando-se, depois de o identificar e trocarem algumas palavras: “Como foi possível que nunca os tenha lido…?”.

Nada mais falso

Por outro lado, o artigo sobre a recém-falecida jornalista e escritora Clara Pinto Correia é uma republicação da entrevista que António Marujo e Clara Barata, a propósito do livro Assim na Terra Como no Céu da autoria dela e de José Pedro Sousa Dias, fizeram aos autores e que foi inicialmente publicada a 13 de dezembro de 2003 no jornal Público. No livro (e na entrevista) os autores defendem que “ao contrário do que muita gente pensa, ciência e religião não passaram os séculos a digladiar-se, mas ‘estiveram sempre associadas’, até à rutura do século XIX”.

Cristina Inogés Sanz assinou, em 22 de julho uma opinião a que deu o título Não está, mas está que, apesar de ter sido dada à estampa em pleno período de férias de Verão, obteve o sexto lugar entre os textos mais lidos de 2025. A teóloga espanhola, habitual cronista do 7MARGENS, critica neste artigo os sectores católicos mais conservadores que, depois de festejarem um Papa com um modo de “estar tranquilo” começaram “a dizer que este papa ‘também é comunista’, reafirmando assim que Francisco foi o primeiro”. Tudo por causa de Leão XIV “ter incluído no missal romano uma fórmula litúrgica para rezar pelo cuidado da ‘casa comum’ e ele próprio ter celebrado a primeira eucaristia [usando essa fórmula] em plena natureza, como se fosse uma catedral”.

 

Repressão e mulheres na Igreja

Em nono lugar (14.225 visitas) figura uma notícia publicada logo no início do ano (5 de janeiro) dando conta de que mais de 400 líderes cristãos, representando 30 confissões diferentes, entre os quais ativistas, advogados e académicos, pediram a ação imediata do Presidente Droupadi Murmu e do primeiro-ministro Narendra Modi para porem fim à crescente perseguição religiosa contra os cristãos na Índia. Líderes cristãos exigem fim das limitações da liberdade religiosa e da violência contra as minorias foi apenas uma das muitas notícias que ao longo do ano o 7MARGENS dedicou à constante perseguição de todas as religiões que não o hinduísmo que o partido do primeiro-ministro fomentou e continua a fomentar naquele país.

Líderes cristãos exigem fim das limitações da liberdade religiosa e da violência contra as minorias

Finalmente, já perto do final do ano, a 21 de dezembro, o jornal referia a carta aberta divulgada pelo grupo Cristãos a Caminho, constituído na sequência do processo sinodal católico por membros de várias comunidades, movimentos e paróquias de Lisboa, em que se classificava o relatório enviado pelo cardeal Giuseppe Petrocchi e pelo bispo Denis Dupont-Fauville como “substantivamente medíocre e retrógrado, chocando de frente contra o tempo e a dinâmica sinodal que se tenta desenvolver na Igreja” Católica.

Aqueles clérigos são, respetivamente, presidente e secretário da Comissão de Estudo sobre o Diaconado Feminino criada pelo Papa Francisco. No referido relatório, entregue ao Papa Leão XIV e conhecido no princípio de dezembro, sustenta-se que, do ponto de vista da investigação histórica e teológica, se “exclui a possibilidade de prosseguir na direção da admissão de mulheres ao diaconado entendido como grau do sacramento da ordem”.

A notícia Carta aberta de católicos – Documento do Vaticano é “medíocre, retrógrado, com a pior teologia e maus princípios humanos” foi vista por 11.626 pessoas e reproduzia partes da carta aberta em que se escreve que o relatório é: “humilhante para as mulheres e os cristãos em geral, sustenta-se da pior teologia e de maus princípios humanos”; e contém afirmações inacreditáveis, “a mais absurda das quais, que granjeou (pasme-se!) cinco votos em dez na última sessão, afirmava que a ‘masculinidade de Cristo’ levava a concluir que a ‘masculinidade daqueles que recebem a Ordem não é acidental, mas parte integrante da identidade sacramental, preservando a ordem divina da salvação em Cristo’”.

Documento do Vaticano é “medíocre, retrógrado, com a pior teologia e maus princípios humanos”

 

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