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Assembleia extraordinária CELAM. Foto © Agência Informativa Católica Argentina

Pobres, excluídos e diálogo

As cinco chaves de leitura da assembleia do Celam

| 16/07/2022

Assembleia extraordinária CELAM. Foto © Agência Informativa Católica Argentina

Os bispos do Celam propõem-se “ouvir também as vozes que [os] incomodam”. Foto © Agência Informativa Católica Argentina

De 12 a 14 de julho, o Conselho Episcopal da América Latina e Caribe (Celam) realizou a sua assembleia extraordinária, na qual avaliou, juntamente com os presidentes e secretários gerais das 22 conferências episcopais, o caminho pastoral desta organização após a sua renovação.

A Vida Nueva apresenta, na sua página digital, cinco chaves de leitura sobre o comunicado que a organização aprovou no final dos trabalhos.

1. Espiritualidade de olhos abertos
A prioridade dos bispos do Celam é o fortalecimento do “encontro pessoal com Jesus Cristo na realidade do continente e no coração da Igreja” para dar novas respostas aos novos tempos em que vivemos.

Neste sentido, falam de uma “espiritualidade de olhos abertos” que permite descobrir “Deus nas profundezas da realidade humana e histórica”. “Não é uma contemplação asséptica ou distante, mas uma sensibilidade aberta às dores e alegrias dos nossos povos”, pode ler-se no comunicado final.

2. Pregar o Evangelho
O Celam quer chegar às periferias existenciais e materiais e propor “uma Igreja que anuncie com ousadia e criatividade o Evangelho da Vida, especialmente nos mais ambientes difíceis e esquecidos”.

Por isso afirma que “pregar o Evangelho é a tarefa que o Senhor confiou aos seus discípulos”. “Este mandato constitui o primeiro serviço que a Igreja pode prestar a cada homem e a toda a humanidade no mundo de hoje”, sustentam.

3. É hora da sinodalidade
O Sínodo, a proposta de caminhar juntos, implica um foco na questão na questão dos abusos sexuais dentro da Igreja. Os bispos propõem-se “acabar com o clericalismo e todo o tipo de abusos”.

Para isso, o comunicado final diz que os bispos se propõem “ouvir também as vozes que [os] incomodam” e gerar “espaços e estruturas eclesiais que favorecem a participação, em particular das mulheres e dos jovens”.

Tudo isto num compromisso de “estimular a consulta e o discernimento da comunidade, abrindo-nos cada vez mais à participação dos leigos e sua influência na tomada de decisões”.

4. Reafirmar a opção pelos pobres e excluídos
Esta é a “hora do martírio e da profecia serem a voz dos excluídos”, enquanto pedem “que o sangue de São Oscar Romero e de nossos mártires latino-americanos nos encoraje na coragem e no compromisso com a justiça para a construção de um continente fraterno ”.

“Reafirmamos a nossa opção preferencial pelos pobres e denunciamos tudo o que afeta a sua dignidade. Nesse sentido, o Papa Francisco, em Querida Amazónia, adverte que a economia globalizada pode prejudicar descaradamente o meio ambiente e a nossa riqueza humana, social e cultural”, acrescentam.

5. Igreja em diálogo
Finalmente, o foco dos bispos numa cultura do encontro. Esta é uma das apostas feitas pelo Celam, que destaca principalmente a necessidade de criar “uma Igreja capaz de dialogar com todos, sem perder nossa identidade cristã e católica, construindo pontes para construir uma autêntica fraternidade entre os seres humanos”, uma cultura do encontro para que, “em tempos de guerra, a nossa religião seja um espaço de paz”, conclui o documento.

 

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