
O Natal no castelo em Cardiff, País de Gales. Foto © Filipe Serrazina
Ao fim de dois meses de variados confinamentos, novembro trouxe uma nova liberdade ao País de Gales. Enquanto Inglaterra se preparava para se fechar durante um mês, nós regressávamos lentamente à nova normalidade que nos permitiu ver o início de Inverno de uma perspetiva mais bonita. Cardiff é especialmente conhecida, nesta altura do ano, pela quantidade de bancas e luzes espalhadas pelas ruas estreitas da cidade, que eventualmente conduzem qualquer visitante à sua famosa feira – Winter Wonderland. Esta feira foi, infelizmente, uma das mais recentes vítimas da covid-19 este ano, dando lugar a um substituto mais modesto – Christmas at the Castle.
Embora os feirantes habituais sintam a falta da clássica roda gigante, do rinque de patinagem e dos diversos jogos que qualquer jogador raramente ganha, ainda é possível disfrutar da comida e bebida natalícia, para não falar do castelo que serve como vista para qualquer pessoa que pare para aproveitar o espaço. Independentemente da atração principal, a cidade esconde grande parte da sua beleza nos cantos mais escondidos.
Cardiff, conhecida como The City of Arcades, é a casa de diversas ruas cobertas por telhados (designados como Arcades) onde se encontram lojas e restaurantes de um carácter mais subtil. Numa zona coberta por um centro comercial, restaurantes e clubes noturnos, as escuras e silenciosas arcades trazem uma paz refrescante aos seus visitantes. Ao longo destas ruas, encontra-se um labirinto de lojas independentes cujas decorações obrigam qualquer transeunte a visitar, mesmo sem ter a intenção de comprar algo. Mesmo não tendo tempo para visitar todas as lojas, os telhados de estilo vitoriano e as decorações penduradas nos mesmos fazem valer a pena o desvio, especialmente nesta altura do ano!
Ao todo, há sete arcades que acolhem uma centena de estabelecimentos independentes. Estabelecimentos estes que são, por sua vez, uma espécie de museu que conta 150 anos de história do comércio galês. Ofuscados pelas atrações principais, como o castelo e a baía, estes abrigos são sítios de encontro comuns para os habitantes locais, onde conseguem ter uma pausa mais sossegada.
Com a nossa liberdade devolvida, eu e os meus colegas de casa decidimos visitar a City of Arcades durante uma tarde, para admirar as decorações da época. Apanhámos o comboio, comprámos um chocolate quente numa das lojas mais escondidas e sentámo-nos num banco de um parque. Tudo atividades simples do dia a dia que ultimamente têm passado quase como crime, justificadamente. Devido às ruas estreitas das arcades, havia sempre um receio tangível quando passávamos por um estranho. Mesmo assim, sentiu-se quase um conforto no ar, como é suposto ser no Natal, que nos indicou que o pior já passou. Se calhar foi só o sentimento esperançoso de alguém que passou demasiado tempo fechado em casa, mas nem mesmo a chuva, frio e nevoeiro galês conseguiram abanar tal esperança.
Agora faço as malas para celebrar as festas em Portugal, ao arrumar roupa que aqui seria considerada de Verão, preparando-me assim para deixar para trás o gelo de Gales e saborear o frio mais quente que o meu país tem para me oferecer, na esperança de que, quando voltar, possa ver as arcades de uma forma mais relaxada e menos claustrofóbica.
Filipe Serrazina é estudante na University of South Wales, Cardiff, País de Gales, em busca de uma licenciatura em Engenharia Informática e de explorar um país que tem tanto para ver.










