Livro

As casas e os espaços dos primeiros cristãos

| 11 Jun 21

Os Espaços Litúrgicos dos Primeiros Cristãos

Os primeiros quatro séculos de história da Igreja constituíram o ambiente no qual se estabeleceram os alicerces da experiência e da linguagem cristãs: as palavras que ainda hoje dizemos e que nos dizem (Cristo, batismo, eucaristia, Trindade, Igreja) foram criadas nessa época intensa e fecunda, para exprimirem a história da salvação. Por isso, conhecer a história dos nossos primeiros pais na fé é também conhecer o nosso presente enquanto crentes.

Esta obra apresenta uma coletânea de textos dos quatro primeiros séculos sobre os espaços que os cristãos criaram para celebrar a sua fé, desde homilias a catequeses pascais, de cartas a escritos teológicos. O leitor é introduzido neste património literário por um amplo estudo de Isidro Lamelas – responsável também pela escolha e tradução dos textos – que, numa linguagem muito acessível, nos apresenta a lenta transição das igrejas domésticas para as grandes basílicas cristãs.

A acompanhar essa transição esteve sempre a convicção de que a presença sagrada, na Nova Aliança, reside na comunidade dos crentes que se reúnem em nome do Senhor; os espaços religiosos – igrejas, basílicas, túmulos de mártires, batistérios – possuem um valor funcional e simbólico, cujas linguagens (edificação, construção) exprimem a vida da comunidade.

O progressivo crescimento das comunidades e a maior liberdade de reunião do contexto do Império Romano implicou a necessidade de espaços próprios de celebração que não as casas dos crentes: mas é sobretudo em termos catequéticos e pedagógicos que os autores aqui reunidos – com uma expressão literária notável – apresentam a vida cristã e espiritual em ligação ao espaço e ao tempo.

Pelo seio desta história e destas páginas, descobrimos a progressiva evolução da vida das comunidades cristãs que apenas podem encontrar na linguagem do corpo, da casa, do espaço e do tempo, das imagens e dos ícones, os símbolos para exprimir a história da salvação. O espaço – a casa de uma família cristã, uma domus específica para uso da comunidade, um percurso de água corrente ou um batistério, os oratórios dedicados aos mártires e aos santos – é sempre lido e interpretado nos testemunhos aqui reunidos como expressão e visibilidade do Corpo dos discípulos.

Por vezes não é com facilidade que os autores patrísticos aceitam e interpretam a demasiada proximidade e semelhança dos espaços cristãos quer com os templos pagãos, quer com as basílicas civis: mesmo assim, os primitivos espaços familiares pareciam mais simples de sintonizar com a compreensão neotestamentária do Corpo eclesial. Mas a urgência pastoral pedia tais espaços, e foi no encontro com a cultura envolvente na qual os cristãos se inseriam de modo crítico e lúcido que os seus espaços litúrgicos construíram e acolheram a história de uma nova civilização. Ao leitor fica o convite para adentrar-se nesta história.

“Esta é a casa em que elevamos as nossas orações: a casa de Deus somos nós próprios. Se a casa de Deus somos nós próprios, somos edificados nesta vida para ser, depois, dedicados, no fim do tempo” (S. Agostinho).

 

Os Espaços Litúrgicos dos Primeiros Cristãos, de Isidro Pereira Lamelas
Edição: Secretariado Nacional de Liturgia; 320 páginas

 

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