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As irmãs Ruth Pilar del Mora (2ª à esquerda) e Patricia Murray (dirª), em Davos: vozes em defesa dos mais pobres. Foto: Direitos reservados.

À margem do Fórum de Davos

As freiras que puseram multinacionais a lutar contra a pobreza

| 30/05/2022

 As irmãs Ruth Pilar del Mora (2ª à esquerda) e Patricia Murray (dirª), em Davos: vozes em defesa dos mais pobres. Foto: Direitos reservados.

As irmãs Ruth Pilar del Mora (2ª à esquerda) e Patricia Murray (dirª), em Davos: vozes em defesa dos mais pobres. Foto: Direitos reservados.

 

As irmãs Ruth Pilar del Mora, conselheira missionária do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, originária da Colômbia, e Patricia Murray, secretária executiva da União Internacional dos Superiores Gerais (UISG), tiveram um encontro com os executivos da multinacional britânica Unilever, que detém mais de 400 marcas no sector alimentar e de cuidados pessoais, para lhes pedir apoio na realização de projectos de luta contra a pobreza.

O encontro decorreu à margem do Fórum Económico Mundial, que decorreu na semana passada (de 22 a 26 de Maio) em Davos, na Suíça. “Lançámos uma parceria entre a Unilever e o Fundo de Solidariedade Global na Colômbia. O objectivo é um projecto de integração de migrantes e refugiados no mundo do trabalho”, explica Marta Guglielmetti à revista Popoli i Missioni, das Sociedades Pontifícias de Missão em Itália. Guglielmetti é a directora executiva do Fundo de Solidariedade Global, fundado em 2019 como um catalisador de várias organizações católicas a favor dos mais pobres.

Citada no serviço informativo das Obras Missionárias Pontifícias, Guglielmetti refere ainda como exemplo de boas práticas o que foi feito em Adis Abeba, Etiópia, com um projecto no hospital das Irmãs de Madre Teresa de Calcutá, para a integração de antigos pacientes no mundo do trabalho. “Não só queríamos curar as pessoas”, explica, “mas também ajudá-las a sair da armadilha da pobreza”.

Assim se fez, acrescenta: “Quando os pacientes são admitidos no hospital, a sua doença é diagnosticada, mas as suas competências profissionais são também analisadas.” A irmã Marila, provincial das Missionárias da Caridade da Madre Teresa em Adis Abeba, é uma das que trata pessoas com lepra e tuberculose, que vivem condições económicas difíceis.

Uma vez recuperados, os ex-pacientes são colocados em cursos vocacionais dirigidos pelas irmãs salesianas e pouco tempo depois começam a trabalhar: uma forma de viver uma vida digna.

Várias organizações cristãs e católicas, ONG e outras marcaram presença na cimeira “informal” paralela ao Fórum Económico Mundial, de modo a apresentar um modelo económico alternativo que coloque as pessoas no centro da economia.

O Fundo de Solidariedade Global, inspirado pelo Papa Francisco, juntamente com a Fundação Conrad N. Hilton, que financia projectos de freiras católicas em todo o mundo, convocou a iniciativa “Promoção da Liderança Corajosa: Levantar Vozes a partir das Margens”, em paralelo ao fórum. O objectivo do encontro das religiosas católicas com os líderes dos sectores público, privado e sem fins lucrativos era ouvir e aprender directamente com a forma como estas missionárias, que estão na linha da frente, estão a enfrentar desafios como os cuidados de saúde, migração e tráfico de seres humanos, conta a mesma fonte.

Inspirado pelas propostas do Papa Francisco, o Fórum de Solidariedade Global procura criar uma rede no sector privado, no sector do desenvolvimento e nas comunidades católicas para apoiar os mais vulneráveis. Guglielmetti explica que, neste último Fórum, a intenção foi mesmo dar voz a estas irmãs e missionárias que “nos países pobres, conhecem de perto as necessidades do povo e têm também uma grande capacidade de liderança porque têm uma ‘visão’ para o futuro”.

“Foi a primeira vez que aqueles que vivem e trabalham em países à margem da economia mundial, como os missionários, intervêm em Davos, encontrando-se com representantes de grandes empresas. A Igreja está presente no Fórum Económico Mundial, mas de forma institucional, mas neste caso trouxemos a voz das pessoas que vivem nas margens.”

 

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