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ensaios da peça Une Histoire Bizarre, interpretada por 16 imigrantes e refugiados em Portugal; ideia original de Sebastião Martins, encenação de Júlio Martin, foto © Tomás Nolasco

Sábado, em Oeiras

As “histórias bizarras” de refugiados e imigrantes de novo em cena

| 08/06/2022

ensaios da peça Une Histoire Bizarre, interpretada por 16 imigrantes e refugiados em Portugal; ideia original de Sebastião Martins, encenação de Júlio Martin, foto © Salomé Anukem

Ensaios da peça Une Histoire Bizarre, interpretada por 16 imigrantes e refugiados em Portugal. Foto © Salomé Anukem.

 

As histórias de refugiados e imigrantes a viver em Portugal voltam ao palco neste sábado, 11, no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Carnaxide (Oeiras), a partir das 21h00 (reservas através de unehistoirebizarre@gmail.com ou 919 055 432) no espectáculo Une Histoire Bizarre (Uma História Bizarra).

A peça, uma ideia original de Sebastião Martins, com encenação de Júlio Martín, parte das histórias pessoais das actrizes e actores de países tão diversos quanto a Ucrânia, Síria, o Irão e o Iraque, o Sudão, Afeganistão, Moçambique, Gâmbia, Nigéria ou Paquistão. No caso da ucraniana Marina Burdieieva, ela contará como, no dia do seu aniversário, 24 de Fevereiro, viu a sua vida reduzida a uma mochila onde tinha de decidir o que levar para fugir do seu país – e como, nesse dia, já não pôde encenar a peça de teatro que costumava encenar para os seus amigos.

Ao todo, são 16 actrizes e actores de onze países, quase todos imigrantes e refugiados que contam como irá para o céu quem consegue comer todas as sementes de uma romã sem as deixar cair ao chão ou como, por causa de um discurso onde falou sobre a importância de um papel, uma caneta e um professor na vida de uma mulher, Huwaida teve de fugir do seu país. Ou ainda que foi quando a sua filha contou até 10 em português, que Márcia percebeu que Portugal era a sua casa.

Une Histoire Bizarre parte de uma experiência de criação artística que, com base na língua de cada pessoa, permite criar um espaço intercultural e de comunicação em que o corpo e a voz assumem um papel de relevo. Memórias, histórias, canções, danças, poemas e textos originais compõem a peça, que tem tradução em português sempre que a língua falada é estrangeira.

A ideia original e o título da peça partem de um episódio vivido por Sebastião Martins, 27 anos, enquanto médico voluntário num campo de refugiados em Lesbos (Grécia), quando uma mulher congolesa se aproximou dele, “tímida e cabisbaixa e lhe disse: “Je vais vous raconter une histoire bizarre”, vou contar-lhe uma história bizarra. “Com soluços na voz, incapaz de me olhar nos olhos, contou a história da sua vida pela primeira vez desde que tinha chegado à Europa”, contava Sebastião ao 7MARGENS na altura da estreia da peça, em Maio.

Une Histoire Bizarre conta “como é partir, como se viaja, o que é chegar e recomeçar”. E conta-se como o público ouve e percebe tudo isto: “Como os recebemos, como reagimos e como sentimos o querer ser do mundo e não ser de lado nenhum.”

 

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