Amnistia Internacional lembra

As mães que não podem celebrar com os seus filhos

| 4 Mai 2024

 

O filho de Dorgelesse Nguessan, Lontchi Jean Oki, segura uma fotografia da mãe na casa da família em Douala, Camarões, a 7 de julho de 2022. Foto © Amnesty International

O filho de Dorgelesse Nguessan, Lontchi Jean Oki, segura uma fotografia da mãe na casa da família em Douala, Camarões, a 7 de julho de 2022. Foto © Amnesty International

 

No Dia da Mãe, a Amnistia Internacional (AI) resolveu homenagear as mães que não podem celebrar este dia com os seus filhos, por estarem presas de forma injusta, impedidas de manter a sua família segura ou por serem mães cujos filhos nunca mais lhes voltarão a casa.

A organização de direitos humanos lembra os casos das mães Narges Mohammadi, Ana Maria Santos Cruz, Dorgelesse Nguessan e, ainda, as “Mães de Sábado”, destacando como é possível qualquer pessoa se juntar ao apelo por justiça, verdade e reparação para estas mulheres. Neste dia, que deveria ser de alegria e festejo em família, uma assinatura pode mostrar a estas mães que a sua história não foi, nem será, esquecida.

Narges Mohammadi é uma mãe e ativista iraniana, vencedora do prémio Nobel da Paz de 2023. “Há mais de 14 anos que enfrenta represálias das autoridades iranianas pelo seu trabalho em prol dos direitos humanos, tendo sido condenada a várias penas de prisão injustas. Na prisão, foi submetida a tortura e a outros maus-tratos pelas autoridades que, repetidamente, lhe têm também dificultado o acesso a cuidados de saúde”, refere a organização em comunicado enviado ao 7MARGENS.

Na cerimónia de entrega do Nobel da Paz, o prémio foi recebido, em Oslo, pelos seus filhos, que Narges não vê há vários anos. Kiana Rahmani, filha de Narges, referiu na altura: “Acho que nunca mais a vou ver”.

Ana Maria Santos Cruz é mãe de três filhos –– David, Pedro Henrique e Mariana. No entanto, Pedro Henrique (ativista brasileiro e defensor da justiça racial e dos direitos humanos) foi morto a 27 de dezembro de 2018, quando três homens encapuzados invadiram a sua casa e o alvejaram oito vezes na dezembro e no pescoço. “Desde então, apesar das contínuas ameaças que lhe são dirigidas, esta mãe não desiste da sua luta por uma investigação e julgamento independentes e rigorosos, capazes de responsabilizar os envolvidos no assassinato do seu filho”, conta a organização.

Dorgelesse Nguessan é uma mãe solteira dos Camarões que há vários anos que passa este Dia da Mãe atrás das grades de “forma injusta”. “Foi presa por participar pacificamente na sua primeira manifestação. A Amnistia Internacional tem apelado continuamente para a sua libertação, para que esta mãe se possa juntar à sua família, que depende dela para sobreviver”, defende a organização.

No dia 22 de setembro de 2020, Dorgelesse participou na sua primeira e única manifestação em Douala. “Sem ser politicamente ativa, as suas preocupações sobre o estado da economia do país motivaram-na a marcar presença. Pouco depois da manifestação começar, as forças de segurança dos Camarões dispararam balas de borracha, gás lacrimogéneo e recorreram a canhões de água para dispersar os os manifestantes. À medida que Dorgelesse e outras pessoas fugiam da polícia, viraram em direção a uma ruela sem saída. A polícia bloqueou a rua e deteve Dorgelesse, que foi levada para a esquadra e ficou numa cela com outras 22 pessoas em condições deploráveis”, contam.

No dia 29 de setembro de 2020, Dorgelesse foi transferida para a Prisão Central de Douala, onde se encontra até hoje. Foi acusada de “insurreição, reunião, encontros e manifestações públicas” e julgada num tribunal militar, numa clara violação ao artigo 14º do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos que os Camarões ratificaram.

Há quase 30 anos que as Mães de Sábado têm procurado incansavelmente saber o paradeiro dos seus familiares, vítimas de desaparecimentos forçados na Turquia nas décadas de 80 e 90. Desde maio de 1995, as Mães (e muitos apoiantes) têm organizado vigílias pacíficas semanais na Praça de Galatasaray (em Istambul), exigindo justiça para os familiares e que as autoridades expliquem e sejam responsabilizadas pelo que aconteceu aos seus entes queridos. “Há quase 30 anos que os seus Dias da Mãe são marcados por uma revolta cada vez maior, de quem não sabe se algum dia conhecerá a realidade que enfrentaram os seus filhos e familiares”, acusa a AI.

No site da Aministia Internacional é possível assinar petições para apoiar estas e outras situações de violações dos direitos humanos que sucedem um pouco por todo o mundo.

 

Patriarca de Lisboa convida “todos” para “momento raro” na Igreja

A um mês da ordenação de dois bispos

Patriarca de Lisboa convida “todos” para “momento raro” na Igreja novidade

O patriarca de Lisboa, Rui Valério, escreveu uma carta a convocar “todos – sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e fiéis leigos” da diocese para estarem presentes naquele que será o “momento raro da ordenação episcopal de dois presbíteros”. A ordenação dos novos bispos auxiliares de Lisboa, Nuno Isidro e Alexandre Palma, está marcada para o próximo dia 21 de julho, às 16 horas, na Igreja de Santa Maria de Belém (Mosteiro dos Jerónimos).

“Sempre pensei envelhecer como queria viver”

Modos de envelhecer (19)

“Sempre pensei envelhecer como queria viver” novidade

O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o décimo nono depoimento do total de vinte e cinco. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Sínodo, agora, é em Roma… que aqui já acabou

Sínodo, agora, é em Roma… que aqui já acabou novidade

Em que vai, afinal, desembocar o esforço reformador do atual Papa, sobretudo com o processo sinodal que lançou em 2021? Que se pode esperar daquela que já foi considerada a maior auscultação de pessoas alguma vez feita à escala do planeta? – A reflexão de Manuel Pinto, para ler no À Margem desta semana

Nada se perde: um antigo colégio dos Salesianos é o novo centro de acolhimento do Serviço Jesuíta aos Refugiados

Inaugurado em Vendas Novas

Nada se perde: um antigo colégio dos Salesianos é o novo centro de acolhimento do Serviço Jesuíta aos Refugiados novidade

O apelo foi feito pelo Papa Francisco: utilizar os espaços da Igreja Católica devolutos ou sem uso para respostas humanitárias. Os Salesianos e os Jesuítas em Portugal aceitaram o desafio e, do antigo colégio de uns, nasceu o novo centro de acolhimento de emergência para refugiados de outros. Fica em Vendas Novas, tem capacidade para 120 pessoas, e promete ser amigo das famílias, do ambiente, e da comunidade em que se insere.

Bispos católicos de França apelam à fraternidade e justiça, mas não se demarcam da extrema-direita

Com as eleições no horizonte

Bispos católicos de França apelam à fraternidade e justiça, mas não se demarcam da extrema-direita novidade

O conselho permanente dos bispos da Igreja Católica de França considera, num comunicado divulgado esta quinta-feira, 20 de junho, que o resultado das recentes eleições europeias, que deram a vitória à extrema-direita, “é mais um sintoma de uma sociedade ansiosa, dividida e em sofrimento”. Neste contexto, e em vésperas dos atos eleitorais para a Assembleia Nacional, apresentaram uma oração que deverá ser rezada por todas as comunidades nestes próximos dias.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This