Um dos rapazes teve um dia bastante complicado há pouco tempo. Por vários motivos, o dia na escola não correu da melhor forma e passou o dia bastante ansioso, sem conseguir controlar os nervos ou sequer as reações que tinha em relação a determinadas situações. Como se costuma dizer por vezes, “congelou”, sem saber lidar com o que o estava a deixar assim.
No fim do dia, quando o fomos buscar, falou sobre o que se tinha passado e como se tinha sentido. Tentámos desfazer o novelo, conversando com ele sobre o que estava a sentir, como tinha conseguido reagir e que estratégias podia adotar para que isso não fosse tão impactante no seu dia e não se tornasse castrador.
Disse-nos que uma das coisas que tinha feito, nos momentos em que ficou paralisado, foi começar a cantar. Respondemos que já tínhamos feito o mesmo em momentos em que estávamos mais nervosos. Ele ficou surpreendido com a nossa resposta, mas, ao mesmo tempo, percebemos que se tinha sentido validado. E também que a melhor forma que teríamos para o ajudar, depois de o escutar e fazê-lo sentir-se compreendido na sua fragilidade, seria dar-lhe a conhecer a nossa própria fragilidade.
O que nos fez perceber isso? O facto de também já termos passado por situações assim, em que, paralisados pelas nossas ansiedades, uma das coisas que nos fez desbloquear foi o facto de alguém, algures, nos ter dito que já tinha passado pelo mesmo e tinha conseguido atravessar.
Desde esse dia e dessa conversa com o nosso filho, temos refletido sobre isto… Talvez faça todo o sentido eles perceberem que também temos fragilidades. Às vezes, na ânsia irrealista de os protegermos, escondemos por completo o nosso lado menos resistente. Não queremos com isto dizer que eles precisam de ver tudo, mas talvez possamos, aos poucos, conforme eles vão crescendo e sendo mais capazes de discernir o mundo à sua volta, levantar um pouco o véu sobre aquilo que nos torna, no fundo, mais humanos.

“Percebemos que a melhor forma que teríamos para o ajudar, depois de o escutar e fazê-lo sentir-se compreendido na sua fragilidade, seria dar-lhe a conhecer a nossa própria fragilidade.” Foto © Africa Images
Pode parecer uma contradição, mas cada vez mais nos convencemos de que é fundamental que eles percebam, desde cedo, que não somos super-heróis invencíveis.
Na verdade, e estando agora na Quaresma, foi isso que Jesus nos ensinou em todo o seu percurso e principalmente nos dias da Sua Paixão. O próprio Deus revelou-se na maior das fragilidades, morrendo na Cruz por todos nós, mostrando-nos que a face mais amável do ser humano é precisamente a sua Humanidade. Revelando ao mundo, em aparente contrassenso, que a nossa fragilidade é, simultaneamente, motivo de inquietude e caminho de salvação.
Assim sendo, revelando isto aos nossos filhos, eles saberão compreender que esta fragilidade humana, de que os pais também “padecem”, não só não é sinal de derrota, mas é sobretudo força para superação.
Foi nos grupos de jovens da paróquia da Amadora que a Andreia e o João se cruzaram, mas não foi amor à primeira vista. Ainda foi preciso algum tempo até começarem a desconfiar que talvez o caminho a dois fosse engraçado. Casaram em 2015, num dia bem quente de verão. São pais do Gonçalo desde 2017, do Benjamim desde 2018 e do Martim desde 2023.










