Há determinados cargos, no mundo, cuja importância ultrapassa muito o número dos que pertencem à instituição que os seus titulares dirigem. Por essa importância, e pelas consequências que têm, todos tomamos partido, todos escolhemos e “votamos” em consciência quando é preciso encontrar um sucessor. Acontece assim, por exemplo, com o de Presidente dos EUA; com o de Secretário-Geral da ONU; ou com o de Papa da Igreja Católica Romana.
Até há pouco tempo, tínhamos Joe Biden na Casa Branca, em Washington. Ainda temos António Guterres na sede da ONU, em Nova Iorque. Estamos a despedir-nos do Papa Francisco, cujo ministério pastoral foi seguido com atenção e respeito por crentes de muitas outras confissões, fora da tutela do Bispo de Roma. Também o autor destas linhas, membro de uma Igreja Evangélica Presbiteriana em Lisboa, está de luto.
Vivemos tempos sombrios, no mundo, e perdemos agora a presença física de um dos últimos “adultos na sala”. Mas ele deixou-nos muitas palavras. É fácil encontrar nos noticiários as últimas. Vale a pena recordar as primeiras do seu pontificado. [ver 7MARGENS]
Têm todas a ver com a noção evangélica do “amor ao próximo”, pelo exemplo do bom samaritano, que socorre um desconhecido que tinha caído “nas mãos dos salteadores”. O Papa Francisco condena a “globalização da indiferença” desde a sua primeira viagem fora de Roma, à ilha de Lampedusa, e propõe que a Igreja seja como o “hospital de campanha” depois de uma batalha. E indigna-se pelo contraste entre a falência de um banco, em que “imediatamente aparecem quantias escandalosas para o salvar” e a presente “falência da Humanidade”, que fez do Mediterrâneo um grande cemitério.
Silas Oliveira é membro da Igreja Evangélica Presbiteriana de Lisboa










