Décima segunda foto da autoria de Elisa Costa Pinto, professora de Português e Literatura Portuguesa no secundário, que tem desenvolvido projectos de promoção da leitura, acompanhada de poema por ela escolhido.

Fotografia © Elisa Costa Pinto
Se for preciso, irei buscar um sol
para falar de nós:
ao ponto mais longínquo
do verso mais remoto que te fiz
Devagar, meu amor, se for preciso,
cobrirei este chão
de estrelas mais brilhantes
que a mais constelação,
para que as mãos depois sejam tão
brandas
como as desta tarde
Na memória mais funda guardarei
em pequenas gavetas
palavras e olhares, se for preciso:
tão minúsculos centros
de cheiros e sabores
Só não trarei o resto
da ternura em resto esta tarde,
que nem nos foi preciso:
no fundo do amor, tenho-a comigo.
quando a quiseres –
[Ana Luísa Amaral, in Imagias, Gótica, 2002]










