As pessoas da minha idade,
Não têm diversidade.
São todas iguais
E acham que merecem prioridade
Ainda há algumas que se salvam,
Que são queridas e com criatividade.
Que se oferecem para ajudar
E a rua atravessar.
Há algumas que têm dificuldades,
Que não têm casa, nem quarto,
Que por isso lhes entra a meio
Da noite um lagarto.
Já agora, há outras que não têm dinheiro
Que sonham com ser um cavaleiro
A fazer xeque-mate no tabuleiro,
Mas sonhar não custa nada
Custa mais acordar na madrugada.
Há outros a viver a guerra,
Com os pés cheios de terra
Que podem morrer a qualquer segundo,
Sem conhecer o resto do mundo.
Há também outros que não têm pais,
Que são cada vez mais,
Que não têm as condições essenciais
Não têm o carinho dos pais.
Mas por outro lado há outros,
Que ficam doentes,
Que têm todos os dias
de pôr na cabeça panos quentes.

“Esta é a minha vida, e estou muito agradecida.” Ilustração com colagem e recorte © Jania Pinheiro
E por último há alguns
Que não podem ir à escola,
Que não sabem o que é uma multiplicação
Uma adição, ou até uma subtração.
Já eu, vou à escola e faço amigos,
Com os que brinco aos domingos
Com os que falo no dia a dia
E que me dão alegria.
Com os que toco num trio
Ou dueto de guitarras.
Com os que canto na aula de coro,
Ou com os que oiço as cigarras.
Com os que me rio sem parar,
Com os que nado no mar,
Com os que vou para a praia
Ou com os que fujo ao encontrar uma raia.
Mas com a família não é diferente,
Vou para Tenerife uma vez ao ano,
Onde mostro os meus dotes ao piano.
Onde vivo aventuras incríveis
E onde faço coisas impossíveis.
Esta é a minha vida,
E estou muito agradecida,
Por tudo o que fiz e farei
E pelo que recebi e darei!










