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Cabo Delgado, Moçambique, mulheres, Oikos

Crise em Cabo Delgado

“As pessoas não têm que comer, que vestir, onde ficar”

| 05/10/2021

Cabo Delgado, Moçambique, mulheres, Oikos

Cabo Delgado é uma zona de insegurança alimentar aguda e a maioria das famílias muito pobres esgotou as suas reservas de alimentos. Foto © Oikos

 

“As pessoas não têm que comer, não têm que vestir, muitas vezes não têm onde ficar, há dificuldades por exemplo no campo da água. Há pessoas que não têm acesso sequer a água, portanto, são dificuldades mesmo muito, muito grandes.”

O desabafo é do responsável pela paróquia de Maria Auxiliadora, em Pemba, no norte de Moçambique, o padre português Ricardo Marques, que lança um pedido de ajuda para as populações de Cabo Delgado, vítimas de violência terrorista, que já causou “milhares de mortos” — e agora que a situação nesta região moçambicana desapareceu dos alinhamentos dos noticiários e dos jornais.

Em declarações à Fundação AIS em Lisboa, o missionário da Boa Nova é assertivo: “Importa saber que as necessidades que temos são primárias.” Em Pemba, por exemplo, há muitos deslocados que continuam a viver em casas de famílias, em condições extremamente precárias. “Passaram a ser 60, 70, 80 pessoas numa casa. Imaginemos, portanto, casas simples, feitas à base de material local frágil, sequer sem condições de higiene, a maioria das pessoas dormindo ao sol, à chuva, e muitas até sem terem onde ficar.” E conclui: “As condições degradaram-se muito.” 

O sacerdote alerta para a situação dramática que se vive nesta província, “uma das mais pobres” de Moçambique, e que tem sofrido sucessivas calamidades nos últimos anos, como os estragos causados pela passagem em 2019 do ciclone Kenneth.

Segundo Ricardo Marques, só em Pemba, a capital da província de Cabo Delgado, haverá “mais de 150 mil” deslocados. Depois de atos violentos protagonizados por grupos armados que reivindicam a pertença ao chamado Daesh, o grupo jihadista autodenominado Estado Islâmico, Cabo Delgado contabiliza já mais de 2500 mortos e mais de 850 mil deslocados.

 

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