As Sete Últimas Palavras

| 18 Abr 19

Talvez muitas pessoas não saibam que a obra de Joseph Haydn As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz foi estreada em Cádis, na Andaluzia, depois de encomendada pelo cónego José Sáenz de Santamaria, responsável da Irmandade da Santa Cova. A obra era destinada, como escrevia o compositor austríaco, à capela da irmandade, que na altura da Quaresma ficava com os pilares, paredes e janelas cobertos de preto.

O concerto foi executado com as portas da capela fechadas, apenas com uma grande lâmpada no centro a quebrar a escuridão. Há dez anos, Jordi Savall gravou a obra em vídeo, com o seu Le Concert des Nations, no mesmo local onde ela foi estreada, em 1787, recriando precisamente esse ambiente. Nesse disco, o teólogo Raimon Panikkar e o escritor José Saramago comentavam cada uma das sete palavras.

Nesta nova versão da obra, as meditações são do padre e biblista Pablo Lima e o actor Miguel Guilherme empresta a sua voz às palavras de Jesus, dando-lhe uma intencionalidade dramática invulgar. Esta interpretação d’As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz trazem essa veemência de uma obra marcada, ao mesmo tempo, pelo seu carácter meditativo e que constitui uma das peças mais importantes sobre a Paixão. Mesmo depois da Páscoa, vale a pena aqui regressar.

Título: As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz

Intérpretes: Quarteto Verazin; dramatização de Miguel Guilherme; textos de Pablo Lima; Edição: Paulus 

(Este texto será publicado na revista Além-Mar, de Maio 2019)

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