As vulnerabilidades só se reduzem com as luzes de Natal?

| 21 Dez 2023

Máscara, Pandemia, Voluntariado, Solidariedade, Braga, Catarina Soares Barbosa

Voluntários na associação Virar a Página, em Braga, a preparar refeições solidárias. Foto © Catarina Soares Barbosa.

 

Durante as semanas que antecedem o Natal vemos o ressurgir de uma série de movimentos sociais e de solidariedade que parecem ganhar força (só) neste mês do ano. Quase como se a escuridão das vulnerabilidades só fosse reduzida com as luzes de Natal. E, sem querer interromper o bem-comum que se faz nesta quadra festiva, quero que possamos manter o hábito de ver/ajudar o Outro/a, também de Janeiro a Novembro.

É certo que não existem apenas movimentos de apoio no Natal, estão presentes todo o ano nas várias dinâmicas de níveis micro a macrossociais, mesmo que não tão destacados pela comunicação social ou pelas entidades que fazem suporte sustentável a pessoas em alguma situação de privação – por exemplo, durante todo o ano vejo a dinâmica inspiradora de muitos jovens adultos que emigraram, bem como dos seus pais/mães que “ficaram” em Portugal. Além de testemunhar esta constante solidariedade entre gerações com desafios diferentes e vidas incertas – mas com o factor comum de viverem um gap geracional que aumenta a vulnerabilidade –, pude ainda ver o contínuo suporte que algumas destas pessoas tiveram de associações e grupos que ajudam os que “foram” e os que “ficam”.

Todas estas pessoas estão concentradas em cooperar: desde a ajuda direta a pessoas a passar por problemas de saúde, suporte perante a difícil integração laboral que os jovens encontram, ou, apenas, ajudar pessoas mais velhas a usar formas digitais de comunicação e manterem-se conectadas com os seus filhos. O resto, é a autonomia a conexão que nascem da capacitação constante.

Este intercâmbio inspirador faz-nos pensar que, como seres humanos interdependentes, temos de considerar a diferença que fazemos na vida do Outro, onde não devemos estar só porque há pressão social para a generosidade, porque se acentuam os poderes de aquisição de presentes ou porque temos nostalgia do carinho e quentinho do Natal. O Outro existe 365 dias por ano e tem necessidades em todos estes dias.

Assim, seguindo a métrica de que o Natal é sempre que alguém quer, desafio a que tenhamos capacidade de sair do conforto dos nossos comportamentos usuais e desenvolvamos novos compromissos como resolução para 2024.

Desde logo, devemos ter presente a ideia de voluntariado sustentável/contínuo, em que com maior ou menor frequência, participamos no suporte ao longo do ano nas causas que mexem connosco e que melhoram o bem-estar de pessoas e comunidades.

Não menos importante: temos de nos educar, sensibilizar e atualizar constantemente. Ou seja: as vulnerabilidades estão em constante mobilidade e têm de ser abordadas interseccionalmente. A ajuda não deve ser como nós queremos, mas como o Outro precisa, ajudando a reduzir problemas que podem ter várias frentes – e isto só se percebe na prática, com a interação constante e empatia para melhorar o (nosso) mundo.

Estes pequenos passos de Dignidade podem ser a chave para que vivamos em contínuo Natal.

Boas Festas!

 

Carlos Barros é investigador e docente na Universidade Católica Portuguesa e tem trabalhado a resiliência e solidariedade intergeracional em emigrantes e respetivas famílias/comunidades.

 

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