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Encontro sinodal em Fátima, em janeiro deste ano. Em Roma, acontece este fim de semana a terceira assembleia sinodal nacional. Foto © Ricardo Perna/Diocese de Setúbal

Este sábado em Roma

Assembleia Sinodal vota 124 propostas para o futuro da Igreja Católica italiana

| 24/10/2025

Cerca de mil delegados das dioceses, paróquias, associações, movimentos e comunidades da Igreja Católica de Itália definirão este sábado, 25 de outubro, em Roma, quais as prioridades da vida eclesial para os próximos anos. É a terceira assembleia nacional, que encerrará um caminho sinodal de cinco anos.

Intitulado “Fermento de paz e de esperança”, o documento, de 75 pontos, boa parte deles acompanhados de propostas sobre o que fazer, foi distribuído e divulgado há duas semanas e estará no centro do trabalho da assembleia.

Recorde-se que este Sínodo deveria ter terminado com a segunda assembleia, que se realizou em finais de março e princípio de abril deste ano. Porém, a síntese final que foi apresentada deixou inquietos alguns setores eclesiais. Não havendo tempo para reformulações, foi decidido retirar a proposta e aproveitar o jubileu das comissões sinodais em Roma, este fim de semana, para votar uma nova proposta de texto.

Com as votações não se pretende apurar que propostas são aceites ou rejeitadas, mas manifestar uma posição favorável ou desfavorável a cada ponto, de modo a tornar claras as “prioridades e sensibilidades” dos membros da assembleia e das comunidades por eles representadas.

O documento “Fermento de paz e de esperança” começa com uma introdução que dá destaque às dificuldades e desafios enfrentados pelas comunidades católicas (declínio da participação, dificuldade de educar os filhos na fé por parte das famílias; linguagem eclesial e celebrações litúrgicas que não ligam com a vida das pessoas; afastamento dos jovens da vida comunitária; decréscimo da relevância social da voz da Igreja; relutância do acesso das mulheres a cargos eclesiais; cansaço e desencanto mesmo entre ministros ordenados…).

Ao mesmo tempo, o caminho sinodal percorrido nos últimos anos permitiu descobrir, experimentar e pôr em evidência sinais de esperança e de criatividade. Um dos que o documento de síntese destaca é o reconhecimento da escuta como “uma dimensão essencial da missão da Igreja” – não apenas de “uma atitude preliminar ao anúncio”, mas de “um ato que já o realiza”, já que “escutar significa reconhecer o outro, dizer-lhe que é importante, que o que traz é precioso e que o Espírito já está a trabalhar nele”.

A partir desta base introdutória, o documento de síntese estrutura-se em três partes. A primeira parte, dedicada à “renovação sinodal e missionária das mentalidades e práticas eclesiais”, aborda, entre outras matérias, a paz e não-violência, justiça social, cuidado da casa comum, amizade social e política. As propostas são concretas e operacionais: mesas permanentes sobre desarmamento e educação para a paz, projetos de justiça restaurativa, apoio a finanças éticas, luta contra a corrupção e as máfias. O ecumenismo e o diálogo inter-religioso é igualmente objeto de proposições, tais como assembleias conjuntas, cursos de formação partilhados e espaços de encontro entre as Igrejas e as comunidades de fé.

A segunda parte do documento centra-se na “formação sinodal e missionária dos batizados”, tendo como preocupações a maturidade da fé; a centralidade da Palavra de Deus; liturgia e homilias bem preparadas; caminhos renovados de iniciação cristã, formação de formadores e cultura de proteção relativamente aos riscos de abusos. Um aspeto a merecer realce refere-se à conceção desta formação: sublinha-se que ela não deve ser apenas de transmissão de conteúdos e, por conseguinte, unidirecional, mas baseada na experiência comunitária e um processo de discernimento partilhado.

A terceira parte volta-se para a “organização da vida eclesial e a corresponsabilidade na liderança das comunidades”. Propõe-se um trabalho de repensar a vida das paróquias como realidades missionárias e acolhedoras, valorizar os órgãos de participação e promover estilos de liderança mais colegiais e menos clericais, com presença mais significativa das mulheres nos processos de tomada de decisão e nos ministérios, um maior reconhecimento dos leigos na responsabilidade pastoral e um uso transparente e solidário dos bens eclesiásticos. Sublinha-se ainda que a gestão económica das paróquias e dioceses é, também ela, uma questão pastoral e não meramente administrativa, o que supõe processos transparentes.

Na assembleia deste sábado, os participantes serão convidados a votar, em primeiro lugar, a introdução. Segue-se a votação das propostas da primeira parte, com 55 números; a segunda, com 37; e a terceira, com 32. Finalmente, haverá a votação final, incidindo sobre o documento no seu todo.

Depois do encerramento desta Assembleia, a presidência da Conferência Episcopal Italiana nomeará um grupo de bispos que, assistidos pelos órgãos estatutários, elaborará, com base no Documento Final, as suas prioridades e resoluções, um conjunto de reflexões que serão analisadas nos trabalhos da Assembleia Geral em novembro próximo. Depois disso, o mesmo grupo de bispos, apoiado por especialistas, preparará as perspetivas pastorais que acompanharão as Igrejas na Itália nos próximos anos.

 

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