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complexo da igreja greco-ortodoxa de São Porfírio, uma das mais antigas de Gaza, atingido por ataque israeliata a 19 outubro 2023, Foto Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém

"Crime de guerra"

Ataque aéreo atinge complexo da igreja greco-ortodoxa em Gaza

| 20/10/2023

complexo da igreja greco-ortodoxa de São Porfírio, uma das mais antigas de Gaza, atingido por ataque israeliata a 19 outubro 2023, Foto Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém

O ataque provocou o colapso total de um edifício no recinto da Igreja e 15 pessoas ficaram presas sob os escombros. Foto © Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém.

 

Um ataque aéreo israelita atingiu na noite desta quinta-feira, 19, o complexo da igreja greco-ortodoxa de São Porfírio, uma das mais antigas de Gaza, provocando a morte a pelo menos 16 pessoas das centenas que ali se encontravam abrigadas. Para o Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém, trata-se de “um crime de guerra”. O Conselho Mundial de Igrejas também já condenou este “ataque injusto” e pediu à comunidade internacional que imponha “proteções para os santuários de refúgio, incluindo hospitais, escolas e locais de culto”.

O ataque provocou o colapso total de um edifício no recinto da igreja e, de acordo com informações veiculadas pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre esta sexta-feira, há ainda 15 pessoas presas sob os escombros.

Cerca de 400 pessoas, na sua maioria cristãos, têm estado abrigadas naquele recinto desde o início do conflito armado. Entre as vítimas deste ataque, incluem-se vários jovens cristãos que faziam parte do “Projeto de Geração de Emprego” para a juventude cristã, orientado pelo Patriarcado Latino de Jerusalém.

O espaço ortodoxo situa-se a algumas centenas de metros da Igreja católica da Sagrada Família, onde estão abrigados outros 500 cristãos. Muitas famílias do recinto ortodoxo grego tiveram de deslocaram-se agora para a Sagrada Família, que já se encontrava completamente lotada.

Segundo fontes da Fundação AIS, o recinto católico também foi atingido na quinta-feira à noite por bombas de atordoamento.

Apesar “do óbvio direcionamento” dos ataque para as infra-estruturas e abrigos do Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém e de outras igrejas, este assegura que continua determinado a cumprir o seu dever religioso e moral e que “não abandonará o seu dever religioso e humanitário, enraizado nos seus valores cristãos, de fornecer tudo o que for necessário em tempos de guerra, bem como em tempos de paz”.

 

“Para onde devemos ir? Morrer na rua?”

O governo de Israel tem solicitado à população cristã da Faixa de Gaza que se desloque para sul. No entanto, os cristãos não quiseram partir devido à falta de segurança e de garantias de que as pessoas que fizessem essa deslocação não seriam alvo de ataques.

“Não iremos embora. As pessoas não têm nada, nem mesmo as coisas mais básicas. Para onde devemos ir? Morrer na rua? Temos idosos, também estão aqui as Missionárias da Caridade, com pessoas com deficiência múltipla e idosos. Para onde devemos ir?”, questiona a Irmã Nabila, citada pela AIS.

“Estamos satisfeitos pelo facto de o Patriarcado não se deixar intimidar pelas atuais circunstâncias e continuar a oferecer apoio, cuidado e ministério a todas as pessoas que sofrem os efeitos desastrosos da guerra e da violência”, afirmou por seu lado Jerry Pillay, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), num comunicado divulgado esta sexta-feira.

A instituição, que congrega cerca de 350 igrejas e denominações protestantes, anglicanas e ortodoxas., “enfatiza a importância crítica de confirmar os factos e garantir a responsabilização de todos os perpetradores responsáveis ​​pelas atrocidades contra civis, na esperança de que possam ser responsabilizados”, e faz mesmo “um apelo urgente para uma investigação internacional liderada pelas Nações Unidas sobre os numerosos crimes de guerra cometidos contra civis durante o conflito em curso”.

“As nossas igrejas na Terra Santa são parte integrante da comunidade palestina. Todas as pessoas na Terra Santa estão a sofrer, independentemente da sua religião ou etnia. Como uma comunidade mundial, solidarizamo-nos com as nossas igrejas e partilhamos as suas orações por reparação e justiça”, conclui Pillay.

 

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