Israel

Ataques de radicais judeus contra cristãos não têm apoio das autoridades

| 7 Jan 22

Jerusalém vista a partir da Igreja Dominus Flevit. Foto Berthold Werner/Wikimedia Commons

 

“Totalmente comprometido na preservação da liberdade absoluta de religião e culto para membros de todas as religiões nesta Terra Santa” – assim se empenhou o presidente de Israel, Isaac Herzog, dirigindo-se a líderes cristãos, num dos últimos dias de dezembro.

Herzog descreveu as relações entre o seu país e a população cristã dizendo: “Somos todos filhos de Abraão.” 

Apesar do significado destes compromissos, o clima entre os cristãos presentes em Israel tem-se tornado tenso, devido, sobretudo, a ataques realizados por judeus de grupos radicais. A reunião ocorreu, de resto, na sequência do impacto mediático da denúncia de ataques a edifícios e membros das igrejas cristãs.

Em texto de opinião publicado em 18 de dezembro último no jornal britânico Daily Telegraph, o frade Francesco Patton, que ocupa o cargo de “custos” ou guardião dos lugares sagrados cristãos na Terra Santa, salientou que nos últimos anos, a vida de muitos cristãos se tornou “insuportável devido a grupos locais radicais com ideologias extremistas”, cujo objetivo seria “libertar a Cidade Velha de Jerusalém da presença cristã”. “A nossa presença é precária e o nosso futuro está em risco”, acrescentou Patton.

“Esses grupos radicais, refere ainda aquele clérigo, não representam o governo ou o povo de Israel. Mas, como acontece com qualquer facção extremista, uma minoria radical pode facilmente sobrecarregar a vida de muitos, especialmente se suas atividades não forem controladas e seus crimes não forem punidos ”.

Alguns dias antes, patriarcas e responsáveis de igrejas em Jerusalém emitiram também uma declaração conjunta, considerada “extraordinária”, alertando para o perigo representado por grupos radicais que visariam “diminuir a presença cristã” e “perturbar as rotas de peregrinação entre Belém e Jerusalém”. 

O jornal israelita The Times of Israel refere que os atos agressivos se traduziram na profanação e vandalização de locais sagrados, incluindo igrejas, e que se registaram ofensas contra padres, monges e fiéis. 

Patton, que lançou um apelo à solidariedade internacional, esteve presente no encontro com o presidente Herzog, tal como o patriarca ortodoxo grego Teófilo III e o arcebispo Pierbattista Pizzaballa ,OFM, patriarca latino de Jerusalém. Presente encontrava-se igualmente o ministro do Interior do governo israelita, Ayelet Shaked que, com Herzog, prometeram rejeitar “qualquer agressão ou ameaça contra comunidades religiosas, líderes ou locais de culto”.

Em resposta ao apelo de Patton, o arcebispo anglicano de Canterbury, Justin Welby, assinou um artigo conjunto com o arcebispo anglicano de Jerusalém, Hosam Naoum, publicado no Sunday Times do Reino Unido, fazendo eco das tentativas dos riscos enfrentados pelas igrejas cristãs.

O artigo suscitou viva reação de uma organização representativa dos judeus no Reino Unido, que considerou “simplista” o retrato que era feito da rarefação das comunidades cristãs em Israel, ainda que considerando inaceitáveis os ataques que têm ocorrido.

 

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