A partir desta segunda-feira, 27 de outubro, é aconselhável andar com mais atenção pelas ruas de Lisboa. É que a capital portuguesa acaba de ganhar as suas primeiras stolpersteine (em alemão, “pedras de tropeço”): pequenas pedras cúbicas de dez por dez centímetros colocadas na calçada, cuja face de cima tem gravados os nomes de vítimas do nazismo, constituindo-se assim como monumentos à sua memória.
Criadas pelo artista plástico alemão Gunter Demnig, as primeiras stolpersteine foram colocadas nos anos 1990 em Colónia e Berlim. Atualmente, há já exemplares em cidades de quase todos os países europeus, chegando os primeiros a Portugal por iniciativa do Centro Cultural Judaico.

Gunter Demnig instala uma “pedra de tropeço” em Amsterdão, outubro de 2018. Foto © Photojack50
Cada pedra é coberta por uma placa de latão e colocada na calçada diante da última residência conhecida de uma vítima do regime nazi, ou então, na ausência desta, em locais históricos relacionados com a Segunda Guerra Mundial, como portos, praças, guetos e outros.
“O objetivo do projeto é criar pequenos monumentos em memória às vítimas do nazismo que sobreviveram, que pereceram durante as deportações, nos campos de concentração ou por escolherem o suicídio para escapar do extermínio”, explica o Centro Cultural Judaico em comunicado enviado ao 7MARGENS”. “A sua implementação [em Portugal] representa um passo importante na valorização da memória histórica nacional, promovendo a educação, o diálogo intercultural e a consciência sobre os perigos da intolerância”, conclui.










