Enredado em movimentos tradicionalistas

Ator Mel Gibson cada vez mais contra a Igreja e o Papa

| 15 Set 21

mel gibson foto twitter do ator

O ator e realizador Mel Gibson afirmou recentemente que “a grande maioria dos bispos são apenas um bando de mercenários” e o Papa Francisco é quem os “contrata”. Foto reproduzida a partir da sua conta de Twitter.

 

São visíveis na Igreja Católica, nos Estados Unidos da América, em especial nos últimos anos, movimentações de setores conservadores e tradicionalistas que, embora não assumindo o cisma, se comportam objetivamente como cismáticos. São numerosas as organizações que contam com o apoio de figuras de projeção mediática e que ostensivamente criticam ou mesmo denigrem o Papa e uma parte dos bispos do seu país. Um nome aparece cada vez mais como elemento comum e de suporte: Carlo Maria Viganò, o arcebispo que foi núncio em Washington e que exigiu, em 2018, a demissão do Papa Francisco. Mais recentemente, outra figura de grande projeção pública que vem surgindo nestas movimentações é a do ator e realizador Mel Gibson, conhecido nos meios religiosos especialmente pelo filme A Paixão, quie pretende retratar as últimas horas de vida de Jesus.

A última aparição, ainda que feita à distância, deu-se no sábado passado, no decurso de uma “manifestação e terço de reparação” da assim designada Coalition of  the Canceled Priests (Aliança dos Padres Afastados), fundada há perto de dez anos para apoiar material e espiritualmente padres que entram em choque com os seus bispos e que acabam por ser suspensos e, depois, afastados do sacerdócio. Os motivos são, habitualmente, desvios da “sã doutrina” de outrora, por parte de padres e de bispos.

Uma figura central da manifestação foi o padre James Altman, da diocese de La Crosse, Wisconsin, recentemente impedido pelo seu bispo de fazer homilias e intervenções. Este clérigo ganhou projeção nacional em 2020, quando defendeu nos media que em nenhum caso um católico poderia votar no Partido Democrata. Apesar de advertências do prelado, reincidiu pouco depois, pondo em causa as bases antirracistas do movimento Black Lives Matter (“As vidas dos negros importam”). O bispo de La Crosse entendeu afastá-lo da paróquia, o que gerou uma onda de contestação nos média e nas redes sociais, onde Altman era referido como alguém que tem coragem e que diz a verdade.

Altman, que tem andado a recolher fundos para contratar advogados de direito canónico que contestem em tribunal eclesiástico a decisão episcopal, não só esteve na manifestação, como foi ele quem, através de dispositivos eletrónicos, fez a ligação com Mel Gibson para que este se dirigisse aos manifestantes.

E o que disse o realizador? Que conhece muitos padres que foram afastados, não por terem cometido algum crime, mas porque foram perseguidos pelos seus próprios bispos. Estes, disse ele, toleram qualquer tolice, mas não toleram clérigos que praticam a ortodoxia ou algo que se pareça. “Aí, entram em ação, repreendem, intimidam e fazem o possível por afastá-los. É uma espécie de martírio branco.”

Gibson recorreu depois ao arcebispo Viganò para sublinhar que “as sementes de erosão da Igreja foram plantadas pelo [Concílio] Vaticano II”, realizado entre 1962 e 1965. “E eu concordo com ele” quando “sugere mesmo que voltemos atrás e façamos como era antes”, afirmou.

Assumindo-se “tão venal e pecador como outro qualquer”, recordou que a árvore se conhece pelos frutos e que sabe bem “distinguir entre um pastor e um mercenário. Ora, concluiu, “a grande maioria dos bispos são apenas um bando de mercenários” e o Papa Francisco é quem os “contrata”.

Recorrendo de novo a Viganò, rematou salientando que este “acredita haver uma igreja falsificada paralela montada para eclipsar a verdadeira”.

O autor do blogue Where Peter Is (“Onde está Pedro”), que constituiu a fonte deste texto, contextualiza algumas das afirmações de Mel Gibson, destacando o facto de ser filho de um conhecido sedevacantista (que considera que todos os papas depois de Pio XII traíram de algum modo a tradição e a ortodoxia), e de ser também conspiracionista, nomeadamente sobre os porquês e para quês de ter havido o último Concílio.

O blogue rebate críticas de Gibson pelo facto de os bispos dos Estados Unidos se terem abstido de apoiar o seu filme A Paixão, dizendo que na vez em que se dirigiu à sede da Conferência Episcopal não terá encontrado nenhum bispo, mas antes o secretário da Conferência.

Vários destes movimentos católicos coincidem com circuitos que estão por detrás do sucesso de Donald Trump e da sua vitória eleitoral de 2016, convergindo com movimentos análogos de outras confissões cristãs radicalizadas.

 

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