[Brasil, Religião e Poder]

Atos antidemocráticos revelam clima hostil e delirante no Brasil

| 9 Nov 2022

Manifestantes pró-Bolsonaro reunidos em frente ao quartel general do Exército em Brasília. Foto © Valter Campanato/Agência Brasil.

 

Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente eleito no Brasil, observamos o meio evangélico reagir de maneira adversa; líderes pentecostais como Silas Malafaia e Edir Macedo declararam respeito ao resultado das urnas e abertura ao Governo Lula. Já o líder da bancada evangélica, Sóstenes Cavalcante, que é pastor na Assembleia Vitória em Cristo, a mesma igreja de Silas Malafaia, não está disposto ao diálogo, reforçando sua oposição ao Governo. Os pastores presbiterianos Ludgero Bonilha de Morais e Ageu Magalhães participaram e mobilizaram fiéis para atos antidemocráticos contestando o resultado das urnas, na última quarta-feira, dia 2. O clima após a eleição segue, portanto, polarizado. Mas não apenas. Os inúmeros atos antidemocráticos por todo o país com, inclusive, pedidos para intervenção militar, revelam um clima político-social mais hostil e delirante.

Tais iniciativas se configuram como antidemocráticas por contestarem a veracidade dos resultados da eleição com base em especulações amplamente divulgadas nas mídias sociais. Especulações porque não há provas ou, ao menos, indícios de fraude eleitoral. O canal argentino La Derecha Diário, ligado ao filho do atual presidente, Eduardo Bolsonaro, foi um dos responsáveis por suscitar a desconfiança dos eleitores de Bolsonaro ao divulgar um dossiê falso acerca das auditorias das urnas eletrônicas. As informações apresentadas no dossiê foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Contudo, desmentir informações falsas e contestá-las com provas, não é suficiente para fazer implodir a bolha bolsonarista, onde há uma profunda desconfiança das instituições democráticas e onde avança o descrédito pela imprensa.

O que vivemos no Brasil é histórico e, ao mesmo tempo, característico das estruturas sociais em que grupos atuam para estabelecer ou manter a correspondência entre a ordem social e sua visão de mundo. Os evangélicos e católicos bolsonaristas, atuantes para manter seu pensamento ideológico, devem considerar, contudo, que nesse movimento político questões morais e religiosas são ilusoriamente centrais. Acreditar em fraude eleitoral, ou ainda que Bolsonaro é a melhor opção para o Brasil, é como ser induzido pela serpente acreditando libertar-se quando, na verdade, está caminhando para o caos. Para Bolsonaro, seus filhos e aliados, defender pautas morais e religiosas é apenas uma maneira de manter seus privilégios políticos e econômicos, enquanto ocorre um desmantelamento de direitos e políticas públicas fundamentais para o desenvolvimento social do país.

 

Maria Angélica Martins é socióloga e mestra em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Brasil. Pesquisa a relação entre fenómeno religioso e política com ênfase para o protestantismo histórico e o neocalvinismo holandês.

 

Vaticano não identificou “má conduta ou abuso” por parte de cardeal Lacroix

Investigação suspensa

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A Sala de Imprensa da Santa Sé anunciou esta terça-feira, 21 de maio, que a investigação canónica preliminar solicitada pelo Papa Francisco para averiguar as acusações de agressão sexual contra o cardeal canadiano Gérald Cyprien Lacroix não prosseguirá, visto que “não foi identificada qualquer ação como má conduta ou abuso” da parte do mesmo. O nome do prelado, que pertence ao Conselho dos Cardeais (C9), foi um dos apontados numa grande ação coletiva a decorrer no Canadá, listando supostas agressões sexuais que terão ocorrido na diocese do Quebeque, nos anos 1980.

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Prémio de direitos humanos para marroquina Amina Bouayach é “instrumento de propaganda”

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Amina Bouayach, Presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) de Marrocos, recebeu esta terça-feira, 21 de maio, na Assembleia da República, em Lisboa, o Prémio de Direitos Humanos do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa 2023. Mas a Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental (AAPSO) considera, no mínimo, “estranha” a atribuição do galardão à marroquina.

Senhora do Rosário: Que batalhas há para vencer?

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A exposição, intitulada «Mês de Maio. Mês de Maria», que tem por curador o Prof. José Abílio Coelho, historiador, da Universidade do Minho, conta com as principais ‘apresentações’ de Nossa Senhora do Rosário, sobretudo em escultura e pintura, que se encontram dispersas por igrejas e capelas do arciprestado de Póvoa de Lanhoso. Divulgamos o texto, da autoria do Padre Joaquim Félix, publicado no catálogo da exposição  «A Senhora do Rosário no Arciprestado Povoense».

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