Ensaio - Homossexualidades em perspetiva no sínodo II

Atração pelo mesmo sexo – das feridas interiores a uma antropologia reinventada

| 11 Fev 2024

Após a publicação da primeira parte “ Gays e lésbicas Deus os criou”,  publicamos hoje o texto em que a autora nos apresenta a segunda perspetiva do ensaio “Homossexualidades em perspetiva no Sínodo”. Este ensaio põe em confronto duas perspetivas sobre um dos temas em discussão neste caminho sinodal. As questões do género, em particular a homossexualidade, é porventura uma das temáticas que mais reflete o conflito de sensibilidades dos tempos atuais, sobretudo no Ocidente. Liliana Verde nestes dois textos apresenta-nos, mais do que uma reflexão sobre cada uma delas, o ponto da situação e do que está em jogo para cada uma dessas sensibilidades. As ilustrações, tendo como título Mysterium Crucis, são da autoria de Alexandra Lisboa

 

Segunda perspetiva
Atração pelo mesmo sexo – das feridas interiores a uma antropologia reinventada

 

Pais, abracem os vossos filhos. Se não os abraçarem, um dia outro homem o fará.
Albert Dean Byrd (1948-2012), Psicólogo, presidente da NARTH
(National Association for Research & Therapy of Homosexuality)

 

Alexandra Lisboa

Alexandra Lisboa, Mysterium Crucis, guache , 2019

 

Há dois sexos. Não há terceiro género.

Não há terceiro género. A homossexualidade (porquanto na verdade, deveria falar-se em homossexualidades) é uma atração mais ou menos exclusiva por pessoas do mesmo sexo, e não é inata.

A normalização comportamental de relacionamentos homossexuais deveu-se a reivindicações homossexuais junto da Associação Americana de Psiquiatria, levando-a a retirar, em 1973, a homossexualidade da lista das DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais), decisão tomada, não por critérios científicos e na sequência de um estudo objetivo desta problemática, mas devido a um referendo/votação (com 5816 votos a favor e 3817 votos contra). Tratou-se, portanto, de uma decisão política, não consensual, não científica (o que não é inédito: o mesmo acontece inversamente, por exemplo, com a síndrome pós-aborto, negando-se os efeitos nefastos do aborto provocado).

A atração pelo mesmo sexo (AMS), contrariamente ao que se tem tentado camuflar (não há mesmo um gene gay!), pode ter causas diversas.

A atração pelo mesmo sexo é uma questão pessoal, subjetiva, e deve-se a perturbações não resolvidas no processo de desenvolvimento afetivo da pessoa. A nível sexual, em estádios primários, desenvolvendo-se determinadas fixações, impede-se o processo de maturidade psicoafetiva da pessoa. Esta fixa-se nesse conflito psíquico ou psicoafectivo não resolvido, sobretudo da vivência com os pais. A AMS é, assim, uma compensação narcísica de uma alteração da identificação com o pai no caso dos rapazes, ou com a mãe no caso das raparigas, vivências mal resolvidas de infância que vão delineando opções inconscientes. A precocidade desta atração pode ser tal que se sugere ter nascido com ela, mas a verdade é que ninguém nasce homossexual.

Sem uma boa gestão das tarefas psíquicas e afetivas do desenvolvimento, a pessoa pode instalar-se definitivamente nos primeiros estádios da vida afetivo-sexual – estádios infantis –, sem sublimação, que se perpetuam. É um lugar cómodo, de regressão fácil, que se aliena da diferença e do complementar, relação em si mesma exigente. Passa-se a amar em espelho, numa fixação de estádios primários ou na busca de uma imagem paterna ou materna que não existiu ou não foi bem percecionada pela criança. A sexualidade é, assim, tomada como fluida, e o amor diluído. Contudo, sabendo-se isto, é possível prevenir comportamentos pré-homossexuais, realidade que, apesar de evidências contrárias, tem sido negada.

Em suma, os fatores ambientais e o processo de vinculação infantil, isto é, o processo de relação e identificação com as figuras materna e paterna podem estar na base da homossexualidade, não constituindo, porém, a sua única causa explicativa. A AMS pode ainda ser explicada pelo favorecimento de uma identidade de género provocada pelo inconfessado desejo de um filho de outro sexo, por feridas hetero-emocionais ou homo-emocionais, pelo conflito entre irmãos (não sendo estranha a sua existência em famílias numerosas), feridas relacionadas com a própria imagem, abusos sexuais, consumo de pornografia, pela existência de uma mãe possessiva que anula o pai na realidade psicológica da criança, o próprio temperamento, e, na cultura atual, o favorecimento de uma “liberdade” de experimentalismo que leva à criação de vínculos afetivos que desembocam, irremediavelmente, em comportamentos homossexuais ou bissexuais.

Nalgumas culturas, como culturas ancestrais africanas, a homossexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo são permitidos, mas em contextos forçados: por exemplo, entre os Nuer, o casamento entre mulheres é permitido, quando uma é estéril e se divorcia do marido para se casar com outra que terá filhos de um relacionamento com um homem; ou os Azande, onde, por falta de mulheres (por causa da poliginia,  modelo de organização familiar em que um homem é casado com duas ou mais mulheres), se compra um noivo.

A “revolução sexual” e a mentalidade contracetiva e antigestativa dos anos 60 vieram criar um ambiente propício à aceitação da homossexualidade, e não só, devido à desconstrução humana e social de separação da geração de vida da sexualidade, a maternidade e a paternidade do casal, a identidade sexual da sexualidade, para se privilegiar a “orientação sexual” e a “expressão de género”. Neste cenário, não está isenta a hipersexualização da infância e da adolescência ou a grande pressão social para a aceitação da teoria do gender, que pretende substituir a diferença entre os sexos pela diferença entre sexualidades, admitindo a existência de dezenas de géneros e eliminando a importância dos dois sexos, aceitando-se relações não-heterossexuais. Contribuem ainda para a aceitação social do terceiro género a mudança radical de leis, a doutrinação da juventude, nas escolas e nos meios onde ela mais se move, pela cultura digital e pela indústria cinematográfica (desenhos animados e séries televisivas, onde impera o sexo explícito, inclusivamente homossexual, com a promoção do autoerotismo, com e sem recurso a objetos sexuais). No seu processo de desenvolvimento da identidade sexual, os adolescentes podem muito facilmente ficar confusos, sobretudo quando, na adolescência, uma homofilia é confundida com uma AMS.

Não seria correto abordar esta problemática sem abordar questões aparentemente laterais. É relevante ressaltar que há uma associação grande entre o grupo de pessoas com AMS e comportamentos homossexuais, e o alto risco para a saúde: como o suicídio, o consumo de substâncias psicotrópicas, desordens psicológicas e de saúde mental, assim como uma maior preponderância da contração de infeções sexualmente transmissíveis.

 

Família nuclear: o amor com sabor a infinito (face ao descarrilamento de conceitos e de linguagem)

 

Alexandra Lisboa, Mysterium Crucis, aguarela , 2018

 

A linguagem forçada, fruto de novos conceitos antropológicos, sob a capa de “direitos humanos”, “tolerância”, “discriminação” e “igualdade”, assim como o “discurso do ódio”, é uma onda de tentativa de silenciamento e cancelamento da defesa da família nuclear, assente na união da diferença sexual entre um homem e uma mulher, “património mundial da humanidade” pelo seu valor inigualável. A afirmação da família nuclear como a única legítima leva, hoje, à ridicularização pública, à difamação, à marginalização e à sanção penal, a nível científico, político, laboral e até religioso. Nunca as pressões foram tão grandes e tão sedentas de oportunismos para a aceitação da teorização do género e de relacionamentos e uniões homossexuais, da Assembleia da República aos curricula escolares e universitários, passando por programas paralelos nas Jornadas Mundiais da Juventude ou por pressões nos diferentes sínodos. A autocensura de políticos, jornalistas, professores, psicólogos/psiquiatras, enfermeiros, médicos, filósofos e teólogos é a consequência mais recente de imposição da agenda gender.

Contrariando qualquer dado científico da biologia, a linguagem é, progressivamente, a área de reafirmação de uma nova cultura que, de linguística, passa à criação de uma outra realidade. Tem-se imposto sob a capa da neutralidade, pelo uso dos “pronomes corretos” e pela redefinição linguística (“progenitor” em vez de “pai” ou “mãe”, por exemplo), assente na crença da “identidade de género”.

Como humanos sexuados, somos chamados a amar e a ser amados, i.e., a darmo-nos na verdade do que somos, em todas as dimensões. E não amamos, se não amamos de verdade, ou seja, com bloqueios, com fixações, com traumas que em nada nos deixam livres, mas presos a medos, a um passado, a coisas imaginadas.

A riqueza da dualidade, alteridade, da complementaridade sexual, criadora, de comunicação e abertura à vida, ao outro, ao diferente de si, geradora de futuro humanizador, é uma das matrizes culturais, tradicionais mais antigas da Humanidade, enquanto novidade da cultura hebraica, paradigma dessa antropologia, em contraponto com outras civilizações. A família nuclear é fonte de renovação, de vida e da estrutura familiar mais propícia ao são desenvolvimento das crianças, para com quem os adultos têm responsabilidades muito sérias e a quem não se pode, intencional e caprichosamente, privar do relacionamento com o pai ou a mãe.

Por muito que se queira refazer a narrativa histórica, a civilização está fundada na antropologia da diferença sexual, homem e mulher, como muitos relatos culturais e literários da criação evidenciam. A novidade cristã conferiu-lhe três bens – a fidelidade, a permanência e a abertura à vida – com a chancela de Deus, elevando-a à categoria de sacramento (matrimónio). A necessidade, hoje, de reafirmar a complementaridade da masculinidade e da feminilidade levou, entre cristãos evangélicos, já depois da Confissão de Fé de Westminster (presbiteriana/reformada), à Declaração de Denver.

A família nuclear trata-se, pois, de uma realidade diferente de relacionamentos homossexuais, caso contrário, pomos em grau de igualdade o que não é igual, nem sequer semelhante ou configurável. A grande confusão da discussão em causa poderá ser a equiparação de uma realidade a outra – na verdade, realidades bem diferentes, distintas. A aceitação das uniões homossexuais, civil e eclesial, abre a possibilidade da abertura a outros tipos de relacionamento, como a união de mais pessoas do mesmo sexo; a poligamia (poliginia e androginia); o poliamor; o incesto; a sologamia; o casamento a prazo e o casamento com animais, árvores, bonecos ou hologramas. Esta nova ideologia é a que está na base de recentes desenhos animados da Disney, e de programas e materiais como o PRESSE, o Kinder ou orientações do Ministério da Educação, e que pretendem a doutrinação de crianças e adolescentes nas nossas escolas, mesmo de tenra idade. Aderir à ideologia de género é condição sine qua non, hoje, para receber financiamentos e ter projetos sociais e educativos aprovados.

 

Questões de bioética e ética social na ordem do dia

 

Alexandra Lisboa, Mysterium Crucis, aguarela , 2024

 

A reflexão sobre a homossexualidade e a aceitação de relacionamentos homossexuais, e ainda do casamento entre pessoas do mesmo sexo, impõe-se pela urgência dos dilemas e problemas éticos levantados. Salientamos apenas alguns.

A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo cria grandes injustiças entre pares homossexuais e casais, com a concessão de privilégios legais e um reordenamento legal e social em função dos primeiros.

Socialmente, pela permissividade de costumes e legal, num incontrolável biopoder, com recurso à adoção, ao apadrinhamento civil e sobretudo à reprodução artificial, pela doação/comércio de gâmetas e de óvulos (nos sites de doação proliferam palavras como “solidariedade”, “generosidade”, “compensação” e “altruísmo”), e ao aluguer de mulheres para procriação, é possível dois homens ou duas mulheres criarem uma criança, mas negar-lhe-ão, proibir-lhe-ão, inevitável e perentoriamente, o pai ou a mãe (o que não deve ser confundido com casos de abandono, esterilidade, subfertilidade ou viuvez). Em nome do individualismo relativista vale tudo. Estão em causa os direitos das crianças sujeitas a mais problemas do foro emocional, a alterações no desenvolvimento infantil e expostas a batalhas judiciais sem precedentes. Them before us é um movimento que luta pelos direitos das crianças, advertindo, pelo testemunho de quantos se viram confrontados a viver em lares alternativos, para a limitação do seu crescimento. A posição é muito clara: é do superior interesse das crianças que vivam num ambiente o mais saudável possível, com pai e mãe. Por isso, não é possível aceitar, no assento de batismo de crianças, a cargo de dois homens ou de duas mulheres, dois pais ou duas mães. Na administração do primeiro sacramento de iniciação cristã, este não está em causa, contudo, que não se incorra no erro de validar a existência de duas mães ou de dois pais – ideia altamente falaciosa – e que ignora os direitos das crianças e compromete a sua educação cristã.

Outra questão de que se evita falar, mas sobre a qual é necessário refletir e aprofundar, tem que ver com o abuso de menores de idade que nem sempre se dá exclusivamente por pedófilos. Na Igreja Católica, esse abuso incluiu clérigos homossexuais. Tentar normalizar a homossexualidade na comunidade cristã pode perpetuar problemas gravíssimos do passado contra os quais estamos, neste momento, muito humana e justamente a lutar. Não rejeitemos a possibilidade de esta ser uma questão que, indiretamente, envolve vivências em seminários, noviciados, vida religiosa e acompanhamento espiritual.

Matéria de legislação recente em Portugal é a punição de profissionais que acedam ao pedido daqueles que procurem ajuda para superar a sua AMS indesejada, quantas vezes em desespero. É uma negação aos direitos humanos da pessoa que procura ajuda, imperando uma ideologia que recusa toda e qualquer evidência científica que a contrarie. A psicologia moderna, distinguindo-se das velhas “terapias de conversão”, com metodologias, técnicas e intervenções próprias, alcançam resultados significativos no sofrimento psicológico. A cura de feridas afetivas é possível e não há como negar as evidências destes profissionais, apesar da campanha difamatória de que têm sido alvo.

 

Homossexualidade e interpretação bíblica para o mundo de hoje

 

Alexandra Lisboa, Tríptico Mysterium Crucis (1), 2024.

 

A Bíblia não é um livro que responda perentoriamente a todas as questões modernas, por isso, é preciso discernir, com critérios, princípios e indicações éticas milenares que nos constituem como humanos, as questões que a modernidade levanta. No que à homossexualidade diz respeito, tanto o Antigo como o Novo Testamentos oferecem condutas humanas de relação conjugal, demarcando o comportamento humano de atos que ofendem a sexualidade, entre eles, os de relações homossexuais (apesar das diferentes interpretações de Gn 19, a literatura do judaísmo do Segundo Tempo mostra que o comportamento homossexual, em Sodoma, não se deve a uma invenção do séc. I). A criação cimeira de Deus é o homem e a mulher, sua imagem e semelhança, a quem foi dado o poder e a responsabilidade de dominar e procriar, de dar vida.

Jesus nunca se refere às relações entre duas pessoas do mesmo sexo, validando a doutrina judaica sobre os relacionamentos, relatada no Génesis e confirmada nos 10 Mandamentos. A quem deseja segui-l’O, Jesus acolhe e aponta um caminho a que cada um, em liberdade, dirá ou “sim” ou “não”. Acolher e ser misericordioso, para Jesus, não quer dizer aceitar ou compactuar com todos os estilos de vida, mas resgatar o pecador da perdição, levar à transformação de vida, à conversão, a uma vida nova.

É S. Paulo (1Rm 27) quem denuncia os pecados dos pagãos, sendo perentório na condenação do abandono das relações naturais, com pessoas do sexo oposto, por relações com pessoas do mesmo sexo. Em carta aos Coríntios (1Cor 6, 9-10), elenca os que não herdarão o Reino de Deus, entre eles, [oute] malakoi [oute] arsenokoitai, e, em carta a Timóteo (1Tim 1, 8-10), na enumeração daqueles para quem a lei foi feita, refere-se aos arsenokoiai. Este termo, literalmente, quer dizer “aqueles que levam homens para a cama”. É o mesmo termo usado no livro do Levítico (Lv 18, 20-24) onde a cultura judaica condena, totalmente, os atos homossexuais. S. Paulo retoma esse termo, por si sumamente conhecido, no contexto social e cultural de gregos e romanos, não tendo necessidade de distinguir os diferentes comportamentos homossexuais (pederastia, prostituição, de senhores com escravos), porque todos, sem exceção, são reprováveis. Aliás, na Bíblia, não existe uma única passagem abonatória dos relacionamentos homossexuais, ainda que interpretações revisionistas pretendam o oposto. O contrário da mensagem bíblica e evangélica em relação ao amor humano são novas gnoses e tentativas de abertura de brechas, para a aceitação de uniões entre pessoas do mesmo sexo, sua bênção e aceitação, mais tarde, do casamento/matrimónio entre pessoas do mesmo sexo no seio das diferentes igrejas cristãs. Por estas e outras razões, variadas têm sido as reações críticas à declaração Fiducia supplicans onde se permite a bênção, ainda que não litúrgica, de “casais do mesmo sexo” (terminologia estranha num texto da Santa Sé), numa nova linha interpretativa da bênção (bem dizer), que é, em si mesma, uma contradição: abençoar um par de pessoas do mesmo sexo é abençoar a sua relação (aliás, o par de pessoas do mesmo sexo apresenta-se como “casal” e pretende ser abençoado enquanto tal). Já a bênção de cada pessoa individualmente é inquestionável. Será este um documento que, face a grupos de pressão no seio da Igreja Católica, pretende pôr um ponto final na discussão da aceitação dos “casais do mesmo sexo”, negando categoricamente o “matrimónio homossexual”? Uma brecha para aceitação progressiva das uniões entre pessoas do mesmo sexo? Terá sido uma precipitação sem atender aos necessários diálogo, aprofundamento teológico-pastoral e discernimento eclesiais?

O Magistério e a Tradição orientaram sempre os crentes para a pureza e compromisso na relação entre um homem e uma mulher. No século XX, as 129 catequeses de S. João Paulo II sobre a sexualidade (Teologia do Corpo) tornaram-se um dos documentos mais valiosos sobre o valor e a santidade do amor humano. No aniversário dos seus 40 anos, deveríamos voltar mais a elas. Na sombra, tem ficado o documento pós-sinodal Itinerários Neocatecumenais para a Vida Matrimonial onde se sustenta o casamento entre homem e mulher, numa vida casta, no matrimónio, sacramento do amor selado por Jesus Cristo. É de questionar que relações se aconselharão aos jovens como legítimas, se a Igreja Católica alguma vez justificasse as uniões homossexuais, o que pode subtilmente estar a acontecer. E que responder às dúvidas das pessoas com AMS que rejeitaram os relacionamentos homossexuais?

 

Grupos de integração pastoral de pessoas com AMS

 

Alexandra Lisboa, Tríptico Mysterium Crucis (2), 2024.

 

Toda a pessoa tem dignidade, por isso, uma pessoa com AMS é um filho de Deus muito amado e que merece, em acolhimento, «respeito, compaixão e delicadeza».

Quando a questão do acolhimento de pessoas com AMS se coloca, parece que a Igreja Católica rejeita as pessoas com AMS, como se não fossem pessoas, nem fossem amadas por Deus, nem sequer dignas de salvação. Pode haver cristãos que ofendam e rejeitem outras pessoas, mas a Igreja não as rejeita. Há espaço para uns e outros crescerem na virtude da Caridade, do Amor. Proliferam muitos mitos sobre a relação entre a Igreja e as pessoas com AMS que é preciso desmistificar. O mesmo é necessário em relação à ideologia gender, que já tem levado a pedidos de uma encíclica sobre esta matéria.

Desde a década de 70 que a Igreja Católica desenvolve um ministério de acolhimento e acompanhamento de pessoas com AMS e suas famílias, o Courage e o Encourage, respetivamente, uma terceira via que permanece ainda muito desconhecida. Outros ministérios têm acompanhado pessoas com AMS e seus familiares como Living out, Brothers Road, Joel 225 ou o Livres para Amar, em Portugal.

Todas as pessoas são bem-vindas na Igreja Católica. Esta é a sua casa. O caminho da misericórdia e da conversão, em suma, da santidade, é mesmo para «todos, todos, todos».

Numa cultura cada vez mais conivente com expressões sexuais diversas, sugere-se que as pessoas com AMS se opõem à proposta da Igreja, o que não corresponde à verdade. Algumas vozes contracorrente levantam-se contra essa posição: Philippe Ariño, Kim Zember, Luca di Tolve, Eric Hess ou Doug Mainwaring, e muitos outros com menos expressão mediática, mas um testemunho sólido. De outras denominações cristãs, são sobejamente conhecidas Rosaria Butterfield e Juliana Ferron; e que lutam pelo casamento exclusivo entre um homem e uma mulher, Jean Pier Delaume.

Com a misericórdia que deve mover os cristãos, não podemos deixar que a Igreja abandone os cristãos com AMS às ideologias que ignoram factos elementares da sexualidade humana. Temos um dever para com as pessoas com AMS, de as bem acolher, aconselhar e ajudar a trilhar um caminho sexual responsável, de as animar, de as acompanhar, assim como às suas famílias. Não basta ficar pelas impressões da mera realidade, pois há um horizonte maior a abraçar, para a salvação da Humanidade. Que o ponto de partida de um cristão não seja o de chegada.

Alexandra Lisboa, Tríptico Mysterium Crucis , 2017

 

Leituras para aprofundamento:

1. Algunas consideraciones para el debate actual acerca de la homosexualidad: antecedentes científicos, antropológicos, éticos y jurídicos en torno a las personas
y las relaciones homosexuales
, de Fernando Chomali e outros autores

2. Relación entre genética, biología, sexualidad y género, de Alberto Eduardo Riva Posse
3. Amar en la diferencia: Las formas de la sexualidad y el pensamiento cristiano, de Levio Melina e Sergio Belardinelli
4. Homossexualidade. Um Guia de Orientação aos Pais Para a Formação da Criança, de Joseph Nicolosi
5. JOURNAL OF HUMAN SEXUALITY – What Research Shows: NARTH’s Response to the APA Claims on Homosexuality A Report of the Scientific Advisory Committee of the National Association for Research and Therapy of Homosexuality, de James Phelan e outros autores
6. Homossexualidade e Esperança, de Gerard J.M. van den Aardweg
7. Sexualidade e psicossomática, de Jaime Milheiro
8. The Complete Christian Guide to Understanding Homosexuality: A Biblical and Compassionate Response to Same-Sex Attraction, de Joe Dallas e Nancy Heche
9. O que a Bíblia ensina sobre a homossexualidade?, de Kevin DeYoung
10. O Olha e o Ver, de Vasco Pinto Magalhães

 

Várias sínteses sinodais apresentaram a homossexualidade e outras orientações sexuais e de género como um tema a debater e a rever pelo sínodo. Deste texto, ficaram excluídas as outras letras da sigla LGBTQIAPN+. Seria interessante abordá-las, contudo, seriam questões que adquiririam outros contornos.

Para uma Igreja que se quer de comunhão, participação e missão, é necessário discernir, face aos sinais dos tempos, o trigo do joio, o mal disfarçado de bem, a necessária abertura à Voz do Espírito Santo. Que o caminho da sinodalidade seja sempre um caminho de e para a Verdade, a revelar-se sempre, para o bem da Igreja e da Humanidade.

 

Vem, Espírito Santo,
Sede o nosso guia, na comunhão do Pai e do Filho,
Pelos séculos dos séculos.

«Que sejamos um em Vós,
caminhando juntos para a vida eterna,
sem jamais nos afastarmos da verdade e da justiça.»

Ámen.

 

 

 Liliana F. Verde é Professora, licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Especializada em Educação Especial e Pós-graduada em Dificuldades Específicas de Aprendizagem/Dislexia. Foi Assistente de Línguas Comenius, na Finlândia.

 

Corpo de Alexei Navalny já foi entregue à mãe

Nove dias após a sua morte numa prisão russa

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O corpo do líder da oposição russa, Alexei Navalny, foi entregue à sua mãe, informou ontem, sábado, Ivan Zhdanov, diretor da Fundação Anti-Corrupção de Navalny e um dos seus principais assessores na sua conta de Telegram. O responsável agradeceu a “todos” os que apelaram às autoridades russas para que devolvessem o corpo de Navalny à sua mãe, citado pela Associated Press.

Bispos católicos belgas vão debater sacerdotes casados e mulheres diáconos

Como preparação para a segunda sessão do Sínodo

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Os bispos católicos da Bélgica enviaram às dioceses e comunidades locais do seu país uma carta no dia 16 de fevereiro sugerindo a reflexão sobre dois temas ministeriais, a ordenação sacerdotal de homens casados e a instituição de mulheres diaconisas, como forma de preparação dos trabalhos da segunda sessão do Sínodo dos Bispos, que decorrerá em Roma em outubro próximo.

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