A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) está a fazer “todos os esforços” para que o processo de compensações financeiras em curso fique concluído até ao final deste ano, no entanto “é possível que o prazo se estenda para além do previsto”, admitiu o seu presidente, o bispo José Ornelas, no discurso de abertura da 212ª assembleia plenária daquele organismo.
O possível adiamento ficará a dever-se “a fatores como o alargamento dos prazos para acolher mais alguns pedidos, a remarcação de entrevistas das Comissões de Instrução devido às dificuldades de deslocação de alguns interessados e o volume de pedidos a ser analisados pela Comissão de Fixação da Compensação”, justificou.
O presidente da CEP garantiu, no entanto, que “é claro para todos que estamos num caminho que não voltará atrás”. E acrescentou: “Apesar do muito trabalho ainda a fazer para garantir uma Igreja cada vez mais segura, a transparência, proteção e cuidado dos mais frágeis estão a tornar-se numa cultura permanente. Continuamos a trabalhar no acolhimento às vítimas, no encaminhamento adequado das denúncias, na reparação possível das feridas infligidas e na formação para a prevenção nos diferentes contextos do tecido eclesial”.
O também bispo de Leiria-Fátima adiantou ainda que, nesta assembleia – que irá decorrer em Fátima até à próxima quinta-feira -, serão estudados os relatórios dos trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos e a constituição do fundo da CEP para pagamento das compensações que contará com o contributo solidário das Dioceses e dos Institutos de Vida Consagrada.
Além disso, os bispos portugueses irão analisar “com atenção” os “desafios e orientações concretas sobre a ação de toda a Igreja, nomeadamente em Portugal”, que a Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores apresentou à Igreja portuguesa no seu último relatório, publicado em outubro [ver 7MARGENS].
Compromisso com a sinodalidade e o acolhimento aos migrantes
No seu discurso de abertura, o bispo Ornelas reafirmou ainda o compromisso das dioceses nacionais com o processo sinodal em curso a nível global, apesar de reconhecer que existem algumas dificuldades.
“Nesta fase de implementação do Documento Final da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, rumo à Assembleia Eclesial de 2028, as nossas comunidades estão a adaptar as orientações aí contidas às suas realidades locais. Um processo que caminha a diferentes ritmos, com avanços, desafios e resistências, mas onde todas as dioceses estão envolvidas”, afirmou.
A CEP irá promover a 10 de janeiro de 2026 o II Encontro Sinodal Nacional para “avaliar as ações desenvolvidas ao longo do último ano e para motivar a que nenhuma reflexão fique estéril, mas dê origem a atitudes novas e relações sinodais”.
“É também à luz deste processo sinodal, iluminados pela reflexão das últimas Jornadas Pastorais do Episcopado com propostas concretas que apontam para uma conversão institucional, que analisaremos nesta Assembleia a reorganização das Comissões Episcopais e outros organismos da nossa Conferência Episcopal”, acrescentou.
Outro dos temas que estará em destaque nesta assembleia será a situação política e social do país. “Portugal continua a enfrentar diversos desafios do ponto de vista social: as dificuldades económicas de muitas famílias, as desigualdades sociais, o difícil acesso à habitação, a pressão sobre os serviços de saúde e o fenómeno migratório são alguns dos exemplos, agravados por discursos polarizados e ideologias extremistas”, destacou José Ornelas.
E lamentando que “o medo, a desconfiança e a agressividade” pareçam “querer ocupar o lugar da razão e do diálogo”, o prelado lembrou que “nenhum projeto humano se pode erguer sobre a divisão, o insulto ou o ódio. A nação só floresce quando cada cidadão reconhece no outro um irmão – não um inimigo”.
“Estamos conscientes do impacto que traz à sociedade portuguesa o aumento do número de migrantes, que interpela a nossa capacidade de acolher e integrar, mas que se revela também uma oportunidade para construirmos, juntos, uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, onde ninguém é excluído ou descartado. Um migrante é um irmão e não uma ameaça”, sublinhou.
E lembrou que, no próximo sábado, 15 de novembro, será realizado em Fátima um “Fórum Migrações”, “com o objetivo de sensibilizar e formar as nossas comunidades para o fenómeno migratório e contribuir para a reflexão desta temática, na Igreja e na sociedade em geral”. Este encontro será dirigido aos bispos, a participantes das dioceses com ligação à dinâmica das migrações, aos organismos nacionais da Conferência Episcopal e às congregações religiosas que trabalham nesta área. Porque “o caminho cristão é exigente: é o da escuta, da verdade e da fraternidade concreta”, concluiu.










