Aulas de ioga passam a ser obrigatórias nas escolas do Nepal

| 18 Mar 20

O mestre e fundador da Confederação Portuguesa do Yoga, Sat Guru Amrita Súryánanda Mahá Rája, em Irshikesh, na Índia, junto ao rio Ganges, em Março de 2013. Foto © Confederação Portuguesa do Yoga

 

O Governo nepalês anunciou esta terça-feira, 17, que todas as escolas do país deverão passar a incluir as aulas de ioga como obrigatórias no currículo dos alunos, já a partir do próximo período. O Nepal torna-se, assim, o primeiro país do mundo a tornar o ioga numa disciplina obrigatória a nível nacional, com o objetivo de promover entre as crianças e jovens um estilo de vida saudável e ativo.

A par da matemática, ciências, nepalês e inglês, o novo plano de estudos prevê que os alunos a partir do quarto ano aprendam também a história do ioga e os principais fundamentos da Ayurveda e da Naturopatia, dois tipos de medicina alternativa, avançou o jornal americano The New York Times.

Em entrevista, o ministro da Educação do Nepal, Giriraj Mani Pokhrel justificou assim a medida: “O ioga é a nossa ciência antiga. Queremos que os estudantes o aprendam e acreditamos que este é o momento certo.”

Na Índia, país vizinho do Nepal e considerado o berço do ioga, algumas universidades e escolas públicas também já incluíram esta disciplina nos seus planos de estudos, mas não foi ainda decretada como obrigatória a nível nacional.

A decisão do governo nepalês suscitou críticas entre a comunidade muçulmana (correspondente a cerca de 5% dos habitantes), que considera alguns exercícios de ioga imbuídos de significado religioso e ideológico, associando-os à promoção do hinduísmo. Alguns grupos muçulmanos recusam, por exemplo, a entoação do “om”, um som sagrado para a religião hindu, bem como a realização da saudação ao sol, argumentando que a mesma viola a natureza monoteísta do islão.

Perante as reações negativas, o diretor do Centro de Desenvolvimento do Plano de Estudos do Nepal, Ganesh Bhattarai, explicou que esta nova disciplina não pretende favorecer nenhuma religião em particular e que não incluirá a entoação do “om”. “Estas aulas são para a educação universal. O conteúdo a favor de qualquer religião será omitido”, garantiu.

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