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Myanmar. Birmânia

Birmânia

Aumentam ataques dos militares contra milícias anti-junta

| 14/09/2021

Myanmar. Birmânia

Os protestos contra o golpe de estado militar na Birmânia têm levado a que, agora, os bombardeamentos militares levem centenas de pessoas a abandonar as suas aldeias. Foto © Ninjastrikers-CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

 

Mais de um milhar de pessoas foram forçadas a fugir das suas casas no estado birmanês de Chin, em virtude da intensificação dos combates, nos últimos dias, entre os militares e as milícias locais – étnicas ou de grupos de oposição à junta que governa o país.

Ataques aéreos militares e fortes bombardeamentos na passada sexta-feira, 10 de Setembro, forçaram as pessoas da aldeia de Lungler (Thantlang, estado de Chin), a deixar as suas casas e procurar refúgio nas aldeias vizinhas, de acordo com relatos dos meios de comunicação locais citados pela agência católica de notícias UCA News.

Esta mais recente ofensiva militar surgiu depois dos combates entre os militares e grupos de milícias locais, que se intensificaram no estado de Chin, região predominantemente cristã.

As notícias surgem na véspera de o Comité de Credenciais das Nações Unidas, um painel de nove membros que inclui os Estados Unidos e a China, debater, nesta terça, 14, quem deverá representar a Birmânia na ONU – o embaixador nomeado pelo Governo deposto em Fevereiro, ou um representante nomeado pela junta que tomou o poder através de golpe de Estado.

Os militares dizem que Kyaw Moe Tun foi demitido em 27 de Fevereiro, depois de ter denunciado publicamente o golpe militar e apelado à restauração da democracia na Assembleia Geral da ONU. Há 358 grupos da sociedade civil que já pediram à ONU que mantenha Kyaw Moe Tun como representante diplomático do país. No último fim-de-semana, manifestações em várias cidades do país e também no estrangeiro manifestaram apoio a essa opção.

A fonte citada informa que cerca de 150 pessoas terão fugido para o vizinho estado de Mizoram, no nordeste da Índia, onde as ONG locais estão a fornecer abrigo e comida.

Mizoram partilha uma longa fronteira com a Birmânia (Myanmar), onde os militares tomaram o poder em 1 de Fevereiro, após derrubarem o Governo eleito de Aung San Suu Kyi e prenderem vários líderes políticos do país.

De acordo com a Human Rights Watch, há uns 16.000 birmaneses refugiados em quatro estados fronteiriços indianos – Manipur, Mizoram, Nagaland e Arunachal Pradesh –, como forma de fugir à violência e à repressão, que aumentaram desde o golpe. Tal como Chin, na Birmânia, estes quatro estados indianos são também de maioria cristã.

Desde que os combates se intensificaram, em Maio, calcula-se que perto de 17.000 pessoas já foram deslocadas em várias cidades neste estado ocidental da Birmânia. Esse número incluindo os que têm procurado refugiar-se nas igrejas.

Há relatos, conta ainda a UCA, de combates também mais intensos no município de Gangaw e na região de Magway, perto do estado de Chin. Aqui, terão sido alguns milhares de pessoas, na sua maioria budistas, a fugir de suas casas depois de tiroteios indiscriminados e da queima indiscriminada de casas pelos militares, de acordo com relatos locais.

Essas mesmas fontes contam que pelo menos 20 pessoas, na sua maioria adolescentes, terão sido mortas pelos militares em Gangaw, também na última sexta-feira.

Em todo o país, calcula-se em mais de 200 mil o número de pessoas obrigadas a deslocar-se e deixar as suas casas. Desde Fevereiro, 1100 pessoas já foram mortas e cerca de 7000 detidas pela junta militar que passou a governar o país.

 

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