Auroville: 50 anos de “anarquia divina”

| 8 Jan 19 | Destaques, Estilos de vida alternativos

 

Um lugar de pesquisas materiais e espirituais para realizar a unidade humana. Em 1968, no sul da Índia, nascia Auroville, a “cidade da aurora”. Crónica de um sonho, contado a três vozes, desde Portugal. 

 “Deveria haver algures sobre a Terra um lugar que nenhuma nação pudesse considerar como seu, onde todos os seres humanos de boa vontade, sinceros nas suas aspirações, poderiam viver livremente. O dinheiro não seria mais o senhor soberano. O trabalho não seria um meio de ganhar a vida, mas o meio através do qual o indivíduo se expressa e se desenvolve. As relações entre seres humanos, normalmente baseadas em competição e discórdia, seriam de estímulo ao progresso, colaboração e verdadeira fraternidade.”

Foto © Olivier/Flickr

 “Uau!” Foi a reação de Ana Costa e Tiago Rouxinol, quando leram numa revista sobre a maior eco-aldeia no mundo: Auroville. Cresceram e estudaram ambos na cidade do Porto. “Ele não queria ser administrador de empresas e eu não queria ser arquiteta paisagista de escritório”, recorda Ana. “Estávamos à procura de uma vida em harmonia com a natureza. Sabíamos que queríamos viver em comunidade. E partimos em busca de inspirações, de outros estilos de vida.” Ainda viveram dois anos na Amazónia, no Peru. “Mas a Índia chamou-nos, chamou-nos.” E rumaram a Oriente.

“O meu caminho levou-me lá”, resume Khaled Mohamed. É natural do Cairo, Egito. “Deixei a cidade, procurava algo diferente de ir à universidade, encontrar um trabalho e viver essa vida aborrecida.” Então viajou até à Índia desconhecida. Certo dia, quando dormia num autocarro, alguém lhe roubou a carteira. “Aterrei em Pondicherry, sem telemóvel, sem dinheiro, sem nada.” Os outros passageiros juntaram-lhe 100 rupias, e ele seguiu o conselho de um condutor de riquexó: “Vai a Auroville.”

Fica na costa do Tamil Nadu, a dez quilómetros de Pondicherry. É ali que vivem perto de três mil pessoas, de 50 nacionalidades, espalhadas por mais de 60 comunidades – como pequenas aldeias entre a floresta. Nasceu de um sonho mas, para Ana e Tiago, seria um despertar. Ao chegarem como voluntários, trabalharam com crianças em educação ambiental, dança e música. Um mês virou seis meses. “Viram em nós uma energia nova e uma comunidade convidou-nos para ficarmos residentes.” Ainda houve uma viagem até ao Mali por terra, para conhecer África. Um ano depois, voltaram a Auroville com uma bagagem repleta de instrumentos e materiais. Para ficar sete anos.

“Rapaz, antes de falarmos do que quer que seja, lê este livro”, disse-lhe Krishna, responsável da Solitude Farm, que se tornaria seu mestre e amigo. No centro de visitantes de Auroville haviam dito a Khaled que as quintas lhe podiam dar abrigo e comida em troca de trabalho voluntário. “Tive sorte!”, lembra. “Cheguei à mais hippiedas quintas. Um lugar maravilhoso. E fiquei. Simplesmente fiquei.” Estávamos em 2004 e Khaled viveria ali dez anos da sua vida. “Foi uma grande transformação. Juntei-me à quinta, tornei-me parte de Auroville.”

Escola de vida

Na quinta, Khaled aprende a arte da agricultura natural de Fukuoka. “A minha vida era cultivar a terra. Éramos 95% auto-suficientes. Produziamos as nossas leguminosas, frutas e legumes, processávamos a nossa comida, fazíamos os nossos óleos e compotas. E construímos as nossas próprias estruturas.”

Foto cedida por Ana Costa.

Solitude é uma das vinte quintas de Auroville. Também há uma rede de distribuição dos alimentos e um supermercado cooperativo. Há restaurantes, artesanato, produção de energias alternativas. E não há propriedade privada. A ideia é ser “uma terra sem donos, sem autoridade, com liberdade para uma pessoa se exprimir, sem ter de se escravizar por dinheiro e pela sobrevivência. E um trabalho comum que ambiciona um propósito mais alto”, conta Khaled.

 “O sistema económico é muito inteligente: investe nas capacidades naturais dos membros. Se tu és agricultor, recebes um salário para seres agricultor e abasteceres o mercado da comunidade. Se fores músico, tocas, dás aulas gratuitas a quem quiser, atuas em concertos de graça, partilhas o teu talento. Recebes a chamada manutenção, uma quantia mensal, para fazeres aquilo de que gostas. E ela é igual para todos – sejas médico, agricultor, dentista ou varredor do chão. Isto dá-nos uma liberdade imensa para criar sistemas que realmente funcionam. Porque toda a gente está feliz fazendo-o.”

 “É um sistema de trocas. Se quero fazer um curso de massagens na água, não tenho de pagar balúrdios, mas sim dar o meu serviço”, completa Ana. “Podes ser agricultor e também professor de dança e engenheiro de casas em terra… O processo para te tornares residente é super lindo porque podes explorar em diferentes trabalhos as tuas várias facetas”.

Sadhana Forest é o nome da nova casa de Ana e Tiago. Este projeto comunitário e escola de vida conseguiu recriar em trinta hectares uma impressionante floresta tropical, com 130 espécies autóctones. Sadhana significa caminho espiritual, em sânscrito. Como em toda Auroville, o trabalho é visto como karma yoga–  procura-se o alinhamento do eu interno a partir do trabalho feito para a comunidade.

 “Era um mundo novo para nós. Uma nova universidade, cheia de informação a nível de tecnologia, sustentabilidade, relações humanas, comunicação não-violenta, terapias. Com uma enorme consciência ambiental, em contraste com o resto da Índia. Uma saudável mistura de origens, de África ao Japão”, conta Ana.

A cada mês chegam a Sadhana Forest quase 80 voluntários e voluntárias, para ajudar no tremendo trabalho de reflorestação. “Um verdadeiro exército verde.” Uma delas é Sara. “São terrenos barrentos muito pobres, nos quais não querem utilizar máquinas, então toda a gente trabalha à mão. Começava todos os dias às 5h30 a reflorestar. Foi um enorme desafio: viver da forma mais local e ecológica, partilhando tudo. Não era permitido trazer coisas embaladas, como bolachas, não podias fumar ou beber vinho. A alimentação era só com as frutas e legumes e cereais locais, e com o mínimo de desperdício. Até a casca das beterrabas era usada para fazer sopa!”

Sara Baga partiu de Lisboa para Auroville para visitar uma amiga que dava aulas na Future School. E o sistema de ensino é do mais inspirador que viu. A primeira escola de Auroville chamou-se “Última Escola”. Outra chamou-se “Não Escola”. “Despertou-me logo curiosidade. O programa pedagógico tem aspetos do ensino Waldorf e das escolas libertárias, e varia com as pessoas que lá vão passando.” O acesso à educação ultrapassa as fronteiras de Auroville e beneficia perto de 800 crianças indianas dos arredores.

Tal como o ensino, o sistema de saúde é gratuito e disponibilizado para a comunidade, visitantes e população da periferia. Recorre a fitomedicina, herbalismo, homeopatia, medicina chinesa e ayurvédica.

Sara também não esquece a experiência que teve no Matrimandir, “Templo da Mãe” em sânscrito. “Parece uma nave do Star Trek”, brinca. Esta enorme esfera dourada, construída à mão durante 40 anos em pleno centro de Auroville, é considerada a alma da comunidade. “Tem uma câmara interior dedicada à meditação profunda. Lá dentro, perdi a noção do tempo.”

Foto © Wikimedia Commons.

Um deserto e um sonho

Quem hoje mergulha na frondosa floresta tropical, dificilmente imaginará o dia 28 de fevereiro de 1968 e a cerimónia de inauguração de Auroville. Juntou cinco mil pessoas de mais de cem países, trazendo um pedaço de terra das suas terras, naquilo que era então um enorme deserto vermelho.

Foi o foco dos primeiros residentes: reflorestar. E construir a infra estrutura para uma cidade sustentável, que possa hospedar 50 mil pessoas – e concretizar a ideia de Mirra Alfassa, conhecida como “a mãe”. Artista, filha de mãe egípcia e pai turco, nascida em Paris, redigiu o sonho e a carta constitucional [ver no final] que atraíram inúmeras pessoas naquele rescaldo do movimento hippie, e que guiam Auroville até hoje. Mas o verdadeiro chão sobre o qual foi erguida a comunidade são os ensinamentos do seu mentor e companheiro: Sri Aurobindo.

Combatente pela liberdade, contemporâneo de Ghandi, comandou o movimento revolucionário clandestino para a independência da Índia, e esteve preso pelo Governo britânico entre 1908 e 1909. Durante esse ano em isolamento, Aurobindo viveu experiências espirituais que mudaram radicalmente a sua vida. Fixou-se em Pondichery, onde desenvolveu o “yoga integral”, escreveu extensivamente e atraiu milhares de seguidores, até morrer em 1950. Na carta de felicitação pelo 50º aniversário de Auroville, o atual presidente indiano chama-lhe “um dos maiores sábios da Índia moderna”.

“Nós estamos a ir em ciclos evolutivos, e o cérebro humano é o topo da pirâmide desta evolução. A próxima evolução não vai ser física, mas espiritual. Mas precisas dum certo ambiente para atear a evolução, tal como os peixes precisaram de um certo ambiente para se tornar anfíbios. Auroville é um espaço físico onde a evolução espiritual pode acontecer”, resume Khaled.

Este salto em frente preconizado por Aurobindo implica uma conexão com a terra, sem propriedade, autoridade nem hierarquia, e aquilo a que a mãe chama a “anarquia divina”, a liberdade espiritual.

Sri Aurobindo e a mãe continuam bem presentes em Auroville. “Algumas pessoas, sobretudo a geração mais velha, tendem a criar uma imagem mítica e a levar as suas palavras como doutrina vinda do céu”, observa Khaled. Mas sublinha que são escolhas individuais, e que a comunidade não é de todo uma seita.

“Que não se torne uma religião”, havia escrito a mãe. “O que quer a nova consciência: não mais divisões”. “Ambos insistiram na importância da liberdade espiritual, direito de todo o ser vivo. Para a evolução espiritual acontecer a anarquia tem de prevalecer. Não há guru, não há professor e não há caminho – há apenas o caminho do coração. Nesse sentido Auroville está aberta a tudo.”

Utopia é uma criação das nossas mentes

Foto cedida por Ana Costa.

“Quando passamos apenas uns dias em Auroville, podemos partir com uma impressão ambígua: artesanato local, belos restaurantes, muitos turistas indianos, ocidentais em motorizadas… É difícil ver espelhada a visão da Mãe, cujo retrato está omnipresente, ao lado do de Sri Aurobindo”, relata Alain Sousa para o Reporterre.

Volvidos 50 anos, o jornalista lembra que a “cidade onde o dinheiro não é mais o senhor soberano” ainda não existe, e que se está longe dum equilíbrio financeiro. Auroville recebe doações externas através das 35 antenas pelo mundo, um apoio anual do governo indiano e tem projetos financiados pela União Europeia, Nações Unidas, e organizações governamentais e não-governamentais de mais de dez países.

O turismo é o outro suporte financeiro. Mas traz um fardo. “Estamos constantemente sobrecarregados com visitas de turistas e voluntários, ano após ano. Perguntam ‘como fazes isto, como fazes aquilo?’, ‘podemos tirar fotos?’ Às vezes sentimo-nos num zoo”, desabafa Khaled. Ana deseja que a cidade saiba manter-se autêntica e “não se deixe perder pelo turismo massivo”.

Desafio é, também, a igualdade social. Para se tornar residente, um “newcomer” tem de ser voluntário durante um a dois anos, dependendo de recursos financeiros próprios. E, devido à penúria de habitação, tem prioridade no acesso a casa quem pode fazer um donativo a Auroville para a sua construção. Fatores que favorecem os aspirantes a aurovillianos vindos de países ricos.

Ao longo dos anos, estabeleceram-se comunidades indianas pobres e rurais na periferia de Auroville. Surgem conflitos na utilização dos recursos naturais, como a madeira. E conflitos de valores com o modo de vida indiano, sobretudo no que toca à violência sobre as mulheres. Houve casos de mulheres de Auroville violadas e desaconselha-se andar-se só à noite.

“Não existe utopia. É uma criação das nossas mentes”, atira Khaled. “Tens um sonho de Auroville: sem autoridade, sem religião, sem empresas e sem políticos, aquilo com que todos sonhamos. E a três mil pessoas foi dada a oportunidade de manifestar isso. A coisa engraçada na experiência é que estas três mil pessoas manifestaram todas as coisas que a constituição procura que não se manifestem. Há hierarquia, há controlo, há competição.”

 “Sentamo-nos juntos e sonhamos sobre o mundo maravilhoso, com liberdade de escolha, onde as coisas são boas e fofinhas. Mas é praticamente impossível ter a plataforma social onde podemos realmente experimentá-lo. Auroville é uma plataforma onde todas estas ideias e experiências sociais estão a ser testadas. Um laboratório de evolução. Entre as sessenta comunidades há lugares tão autênticos, e pessoas que estão a levar estas experiências a limites que não podes imaginar, dá vontade de chorar! Mas também há perfeitos canalhas. Europeus brancos que têm o apartamento em Paris arrendado, vivendo como reis na Índia, aproveitando os trópicos e a vida barata e fácil – e tudo ecológico, biológico, que parece bem.”

Para Khaled, Auroville é aquilo que tinha de ser. Uma manifestação daquilo que somos como humanos, neste momento. “Todos nós somos filhos e filhas da vida metropolitana. Transportamos connosco a doença do capitalismo, da sociedade em que crescemos. Auroville é um conceito tão novo, e nunca existiu antes um lugar assim. Utopia existirá quando a humanidade alcançar essa consciência. Mas a mudança social e a evolução são um processo muito lento e orgânico. E Auroville é um reflexo disso.”

O desejo do jovem agricultor é que esta semente de um novo paradigma social para o futuro possa sobreviver às políticas internacionais e ao colapso do mercado global, possa crescer e manifestar a evolução – “uma das evoluções!”.

Do Tamil Nadu à Costa Vicentina

Jacas, mangas, bananas e tâmaras crescem nas árvores. No ventre de Ana e no ventre da companheira de Khaled, crescem bebés. Tiago, Ana e Khaled tornam-se amigos e fazem música juntos – na gestação do que virá a ser a banda Yemadas.

Passam a viver juntos na Windarra Farm, uma comunidade mais pequena, onde fazem horticultura biológica. “Duas mães grávidas a fazer compotas com frutas produzidas na comunidade!”, lembra Ana. Este recanto esquecido fervilha durante dois anos com música africana, capoeira, jantares, jamsà volta do fogo. E a tranquilidade que procuraram cedo se vai. “Falavam de nós em toda a Auroville.”

Até à Índia chegam rumores de Portugal como país hospitaleiro para comunidades alternativas.

“Estávamos um pouco a seguir os ideais das pessoas que estavam lá há mais tempo. E surgiu a vontade de ir para Portugal, para uma terra e um projeto nossos”, conta Ana. A sua criança estava a crescer, e com ela o desejo de estar perto dos avós. Para Khaled, também crescia o desejo de viver uma nova aventura.

Partem numa tourpara tocar na Europa. “Passámos o verão em Portugal e apaixonámo-nos todos pelo país”, conta Khaled. Criam uma pequena comunidade na Costa Vicentina, onde constroem as suas casas, cultivam a terra e fazem música. Agora, os Yemadas partilham pelas cidades, vilas e aldeias de Portugal e da Europa a riqueza artística e espiritual, a alegria, otimismo e união que experimentaram nos “países considerados pobres”. O sonho e os ideais partilhados em Auroville ressoam nos acordes e nas letras do álbum Landscape, lançado em novembro.

Khaled faz parte duma associação que faz regeneração de ecossistemas no Algarve e Alentejo. “Estou aqui e adoro, é um país incrível. Mas também sinto falta de Auroville e vejo-a como a minha casa.”

Hoje, cinco anos e dez mil quilómetros mais longe, recorda as palavras de Krishna na despedida: “Auroville está-nos a dar a liberdade e a possibilidade de manifestar aquilo que queremos sem ter de trabalhar por dinheiro.”

“Na altura levei-o de forma leviana, mas desde que cheguei à Europa estou a lutar com essa realidade. Até deixar Auroville nunca tive de trabalhar para ninguém nem por dinheiro. Nunca tive de investir um segundo da minha vida em algo que não quero. Simplesmente fiz aquilo de que gostava. E porque fiz com amor, fi-lo bem e o resultado foi fabuloso. Se há algo de que sinto falta hoje, é essa liberdade que tínhamos, que não podes encontrar em mais nenhum sítio no mundo.”

Uma Carta Constitucional em quatro pontos

É muito curta a Carta Constitucional de Auroville:

1. Auroville não pertence a ninguém em particular. Auroville pertence à humanidade como um todo. Mas para viver em Auroville é necessário ser o servidor voluntário da Consciência Divina.

2. Auroville será o lugar de uma educação sem fim, de um progresso constante e de uma juventude que nunca envelhece.

3. Auroville quer ser a ponte entre o passado e o futuro. Aproveitando todas as descobertas interiores e exteriores, Auroville dará um salto decisivo em direção a realizações futuras

4. Auroville será um lugar de pesquisas materiais e espirituais para uma manifestação concreta e viva de uma Unidade Humana real.

Breves

Boas notícias

É notícia

Cultura e artes

Joker, o desafio da diferença

Filmes baseados em banda desenhada não faltam, mas este Joker é diferente. Para melhor. É o único representante desta década nos vinte melhores filmes de sempre da IMDb e parece-me sério candidato aos Óscares de melhor ator, realizador e banda sonora.

Concertos de Natal nas igrejas de Lisboa

Começa já nesta sexta-feira a edição 2019 dos concertos de Natal em Lisboa, promovidos pela EGEAC. O concerto de abertura será na Igreja de São Roque, sexta, dia 6, às 21h30, com a Orquestra Orbis a executar obras de Vivaldi e Verdi, entre outros.

“Dois Papas”: um filme sobre a transição na Igreja Católica

Dois Papas é um filme do realizador brasileiro Fernando Meirelles (A CIdade de Deus) que, através de uma conversa imaginada, traduz a necessidade universal de tolerância e, mesmo sendo fantasiado, o retrato das duas figuras mais destacadas da história contemporânea da Igreja Católica. O filme, exclusivo no Netflix, retrata uma série de encontros entre o, à altura, cardeal Jorge Bergoglio (interpretado por Jonathan Pryce) e o atual Papa emérito Bento XVI (interpretado por Anthony Hopkins).

A primeira poetisa da Europa

Comparada a Homero; segundo Platão, a décima Musa. Era «a Poetisa», tal como Homero era «o Poeta». Manuscritos, nunca os vimos. Provavelmente, queimados, devido ao fanatismo de eclesiásticos bizantinos. Só alguns poemas inteiros chegaram até nós; o resto são fragmentos. Porque nos fascina ainda, uma frase, um verso, passado 2600 anos?…

Pessoas

Manuela Silva: “Gostei muito de viver!”

Manuela Silva: “Gostei muito de viver!”

“Diz aos meus amigos que gostei muito de viver.” Nos derradeiros momentos de vida, já no hospital, Manuela Silva pegara na mão da irmã que a acompanhou nos últimos meses, olhando-a e, com plena consciência de que vivia os instantes finais, deu-lhe o último recado: “Vou partir, mas diz aos meus amigos que gostei muito de viver.” A sua memória será recordada nesta segunda-feira, 14, às 19h15, na Capela do Rato, numa eucaristia presidida pelo patriarca de Lisboa.

Sete Partidas

Visto e Ouvido

Agenda

Dez
10
Ter
Apresentação do livro “Os dons do Espírito Santo”, de frei João de São Tomás @ Livraria da Universidade Católica Portuguesa
Dez 10@17:30_18:30

O livro será apresnetado por Manuel Cândido Pimentel, professor da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.

Dez
11
Qua
Apresentação do livro “John Henry Newman”, de Paolo Gulisano @ Capela do Rato
Dez 11@21:15_22:15

O cardeal Newman testemunhou, na Inglaterra do século XIX, uma prodigiosa aventura intelectual e espiritual de diálogo ecuménico (entre a Igreja Católica e a Igreja Anglicana). Reclamava uma fé lúcida, inteligente, em diálogo com a cultura e a tradição patrística (o passado). Antecipou o Vaticano II com a sua compreensão da soberania da consciência. Foi um motivar da intervenção dos leigos na sociedade do seu tempo. A sua recente canonização, em 13 de Outubro, pelo Papa Francisco, é estimulo para se aprofundar o seu pensamento e a novidade do seu testemunho.

O livro será apresentado pelo padre António Martins (Faculdade de Teologia/Capela do Rato) e Artur Mourão, filósofo, tradutor de Newman e membro do Centro de EStudos de Filosofia. O debate é moderado por Nuno André.

Dez
14
Sáb
3º Concerto de Natal da Academia de Música de Santa Cecília @ Basílica do Palácio Nacional de Mafra
Dez 14@21:00_22:30

Entrada gratuita mediante o levantamento de bilhetes nos Postos de Turismo de Mafra e Ericeira

 

A Academia de Música de Santa Cecília, escola de ensino integrado de música, apresenta o seu terceiro concerto de Natal nos dias 14 e 15 de Dezembro, no Palácio Nacional de Mafra, classificado recentemente como Património Cultural Mundial da UNESCO.

Neste concerto participa um coro constituído por 250 crianças e jovens dos 10 aos 17 anos e uma orquestra de cordas de alunos da escola, a soprano Ana Paula Russo e ainda o conjunto, único no mundo, dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

No programa estão representados vários compositores nacionais e estrangeiros, destacando-se a obra “Seus braços dão Vida ao mundo”, sobre um poema de José Régio, da autoria da jovem Francisca Pizarro, aluna finalista do Curso Secundário de Composição da Academia de Música de Santa Cecília.

O concerto assume especial importância não apenas pela singularidade do conjunto dos seis órgãos do Palácio Nacional de Mafra mas também pela dimensão do número de jovens músicos envolvidos.

A relevância do concerto manifestou-se em edições anteriores (2016 e 2017), pela sua transmissão integral na RTP2, tendo o concerto de Natal de 2017 sido difundido em directo para a União Europeia de Rádio. O concerto tem o patrocínio da Câmara Municipal de Mafra.

Programa do concerto

Arr. Carlos Garcia (1983)
Ó Pastores, Pastorinhos (tradicional de Alferrarede)

Francisca Pizzaro (2001)
Seus braços dão Vida ao mundo (sobre um poema de José Régio), obra em estreia absoluta, encomendada para a ocasião; Francisca Pizarro é aluna do curso secundário de Composição da AMSC

Arr. Fernando Lopes-Graça (1906-1994)
O Menino nas Palhas (tradicional da Beira Baixa)

Eurico Carrapatoso (1962)
Dece do Ceo (sobre um poema de Luís de Camões)

Arr. Carlos Garcia
Gloria in excelsis Deo (tradicional francesa) *

Franz Xaver Gruber (1787-1863) Arr. Carlos Garcia
Stille Nacht

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Alleluia, do moteto Exsultate, jubilate

Tradicional francesa
Quand Dieu naquit à Noël

Louis-Claude Daquin (1694-1772)
Noël X

Arr. Malcolm Sargent (1895-1967)
Zither Carol (tradicional da República Checa)

Tradicional do País de Gales
Deck the Halls

John Henry Hopkins Jr. (1820-1891); Arr. Martin Neary (1940)
We three Kings

Arr. Mack Wilberg (1955)
Ding! Dong! Merrily on High (tradicional francesa)

Arr. David Willcocks (1919-2015)
Adeste Fideles (tradicional), com a participação do público.

CANTORES E MÚSICOS
Ana Paula Russo, soprano

Ensemble Vocal da AMSC
Coro do 2º Ciclo da AMSC
Coros do 3º Ciclo e Secundário da AMSC

Orquestra de Cordas da AMSC
Pedro Martins, percussão

Rui Paiva, órgão da Epístola
Flávia Almeida Castro, órgão do Evangelho
Carlos Garcia, órgão de S. Pedro d’Alcântara
João Valério (aluno da AMSC), órgão do Sacramento Liliana Silva, órgão da Conceição
Afonso Dias (ex-aluno da AMSC), órgão de Sta. Bárbara

Carlos Silva, direcção da orquestra

António Gonçalves, direcção

Ver todas as datas

Entre margens

A escultura que incomoda a Praça de São Pedro novidade

Foi na Praça de São Pedro, dentro desses braços que abraçam o mundo inteiro, que o Papa Francisco quis colocar um conjunto escultórico dedicado aos refugiados, o “anjo inconsciente”. De bronze e argila, representa uma embarcação com algumas dezenas de refugiados, tendo à frente uma mulher grávida ao lado de uma criança, de um judeu ortodoxo e de uma mulher muçulmana com o seu niqab.

Tem graça: ainda vou à missa!

Tem graça: ainda vou à missa! É o que fico a pensar, depois de ouvir certas conversas… Por isso, apreciei muito a sugestão do Conselho Diocesano de Pastoral, de Aveiro: «escutar as pessoas sem medo do que disserem». Mas… E se as pessoas têm medo de dizer o que lhes vai na alma? E não seria igualmente importante perguntar «Por que é que vai à missa»?

O elogio da frugalidade – por um Natal não consumista

O livro do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard, Le Système des Objets[1], é uma reflexão sobre a sucessão de objectos de vária ordem, que se produzem a um ritmo acelerado nas civilizações urbanas. Interessa-lhe sobretudo o tipo de relação que os consumidores estabelecem com essa avalanche de gadgets, de aparelhos e de produtos de várias espécies. Ao relê-lo para efeitos de um trabalho académico, encontrei algumas páginas que me levaram a pensar nesta fase de consumismo desenfreado que, quer queiramos ou não, nos acompanha na época do Natal.

Fale connosco