Isabel Estrada Carvalhais

Refugiados e migrantes como armas em jogos geopolíticos

Recentemente, iniciei uma crónica (Correio do Minho, edição de 9 de Dezembro) perguntando o que une Miguel Duarte, Carola Rackete, Sarah Mardini, Seán Binder e Athanasios Karakitsos. Respondi que os une a coragem para salvar vidas, mas também o facto de todos serem, em diferentes tempos, acusados de apoio à imigração ilegal. Recupero aqui esse...

“Verdade” e preconceito

  Permitam-me que hoje escreva como cidadã que tem dedicado a sua vida ao estudo dos fenómenos migratórios, e como mãe que deseja, como qualquer outra mãe, que o seu filho encontre um futuro menos ensombrado pelo ódio, pelo medo e pela ignorância. Há dias, li uma breve notícia sobre o reduzido número de refugiados em Portugal (pouco mais de...

Porque (não) falo de Aylan

A folha virtual aberta no ecrã do computador apresenta um branco que não é menos penoso nem menos frustrante que o branco níveo de uma folha de papel. A possibilidade de lhe diminuir a intensidade do brilho torna-a momentaneamente mais cinzenta, mas não resolve o drama: devo escrever? Os temas sucedem-se numa vertigem desenfreada a cada dia que...

Como se escreve o silêncio perante a perplexidade?

Como se escreve o silêncio perante a perplexidade? Pela janela da varanda, vejo as minhas primeiras andorinhas desta estranha primavera. Pedalo numa velha pedaleira que resgatei aos despojos outrora úteis e que vou guardando na garagem, na hesitação típica de quem adia decidir sobre o destino a dar a objetos de sentido perdido. Contemplo duas...

História e dever de memória vs. a falácia do rigor positivista

 A primeira ideia que me assalta sempre que assisto ao desconsiderar da História enquanto disciplina e ciência, éo facto de tal traduzir a rejeição, mesmo se não pretendida, do dever de memória sobre a história vivida. E digo isto porque, quando (já) não há história vivida –uma vez que nos é humanamente impossível sermos protagonistas eternos de...

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