Isabel Estrada Carvalhais

Como se escreve o silêncio perante a perplexidade?

Como se escreve o silêncio perante a perplexidade? Pela janela da varanda, vejo as minhas primeiras andorinhas desta estranha primavera. Pedalo numa velha pedaleira que resgatei aos despojos outrora úteis e que vou guardando na garagem, na hesitação típica de quem adia decidir sobre o destino a dar a objetos de sentido perdido. Contemplo duas...

História e dever de memória vs. a falácia do rigor positivista

 A primeira ideia que me assalta sempre que assisto ao desconsiderar da História enquanto disciplina e ciência, éo facto de tal traduzir a rejeição, mesmo se não pretendida, do dever de memória sobre a história vivida. E digo isto porque, quando (já) não há história vivida –uma vez que nos é humanamente impossível sermos protagonistas eternos de...

Entrevista… entre vistas… entre olhares

A realização de entrevistas é sempre um desafio muito grande que os alunos encontram no contexto dos seus trabalhos académicos. Na verdade, são um desafio enorme em qualquer fase da nossa vida de investigação e ninguém pode, em rigor e com seriedade, dizer que possui “traquejo” suficiente a ponto de ignorar cuidados especiais na condução desta...

O que (quem) vemos, quando olhamos as margens?

As margens. Quando olho as margens como um desafio, quando elas são um chamamento para sair de mim, do espaço que conheço e que me conhece, e ir mais além (re)encontrar-me na Humanidade do Outro, essas margens valem a pena! Porque essas são as margens que geram a vontade de criar pontes – sem pontes não é possível caminhar para o Outro, sem...