Projeto do Partido Comunista

Aviso que vem da China: “Vamos mudar a face do Cristianismo mundial”

| 6 Jul 2023

Trata-se de difundir para o exterior a “sinização” das igrejas cristãs. Foto: Direitos reservados.

 

Um dos projetos mais ambiciosos da atual liderança da República Popular da China é espalhar a ideologia comunista do regime, sob a capa de um cristianismo controlado pelo Estado. A notícia desta pretensão consta de uma reportagem que acaba de publicar o site Bitter Winter, dedicado à liberdade religiosa e aos direitos humanos, e focado sobretudo na China. Trata-se de difundir para o exterior a “sinização” das igrejas cristãs.

Por sinização não se entende, segundo o autor da peça, a adoção de um estilo, linguagem e estética chinesas, mas antes, e sobretudo, “o estilo, a linguagem e a ideologia do “Partido Comunista da China” (PCC).

Nos últimos quatro dias de junho último, refere o texto, decorreu em Changchun, província de Jilin, um “Encontro de formação para pastores chave da região cristã do nordeste da China”, com cobertura dos media nacionais e transmitido para todo o país, em que a mensagem da internacionalização foi uma ideia central.

Nesse evento, as intervenções de fundo foram feitas pelo pastor Shan Weixiang, vice-presidente e chefe executivo do Conselho Cristão da China, e o pastor , vice-presidente do Comité do Movimento Patriótico das Três Autonomias Cristãs da China[i]. Este último traçou a estratégia da sua organização, que sintetizou em “dois perigos e uma tarefa principal”.

Os perigos referem-se à possibilidade de “infiltração externa” e à dificuldade de conseguir a “unidade dos cristãos face a heresias e religião ilegal”, nas quais, explica o articulista, “Jesus Cristo é pregado em vez de Marx ou Xi Jinping”.

Quanto à “grande tarefa” dos cristãos sinizados para os próximos anos, o pastor Kan Baoping explicou que se trata de transformar “a experiência bem-sucedida da sinização do cristianismo”, que ele apresentou explicitamente como “cristianismo adaptado a uma sociedade socialista”, numa “grande contribuição feita pelo cristianismo chinês ao cristianismo mundial”. Os agentes deste trabalho terão o apoio da academia e da diplomacia chinesas.

“Vamos mudar a face do Cristianismo mundial”, disse o pastor Baoping sob fortes aplausos dos líderes regionais das Três Autonomias Cristãs na plateia.

O autor do texto termina referindo que os debates não abordaram as expectativas dos conferencistas e participantes quanto à adesão que o seu projeto poderá colher em diferentes partes do mundo (a ideia, refere a notícia, é começar pelos países em vias de desenvolvimento). Mas acrescenta um dado interessante:

“No entanto, não devemos acreditar que o PCC está simplesmente a sonhar. Afinal, conseguiu instalar o pastor Kan como membro do Comité Central (um nome de que o PCC certamente gosta) do Conselho Mundial de Igrejas, de Genebra. Só se pode esperar que seus colegas de lá realmente não entendam qual é sua função na China e as suas ideias sobre o que seja ‘mudar a face do Cristianismo mundial’”.

 

[i] Segundo o site Bitter Winter, trata-se da Igreja Protestante Unida, estabelecida em 1954 e estritamente controlada pelo Partido Comunista Chinês, que nomeia os seus líderes e pastores.

 

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