A Comunidade Internacional Bahá’í (BIC, na sigla inglesa) está alarmada com o que diz ser um “crescente esforço” do governo iraniano de usar os bahá’ís como “bode expiatório” num momento de crise no país, em que prosseguem os apelos do povo por justiça e liberdade.
De acordo com aquele organismo, ao longo da última semana, foram transmitidos programas no Canal 2 da televisão estatal e na Rádio e Televisão da República Islâmica do Irão (IRIB), que disseminavam acusações falsas contra a comunidade bahá’í, incluindo confissões claramente forçadas obtidas sob coação. Isto terá ocorrido em paralelo com relatos de um aumento de prisões e detenções de bahá’ís em todo o país.
“Em todos os períodos de crise nacional desde a Revolução Islâmica de 1979, sejam elas sociais, económicas ou políticas, as autoridades iranianas têm consistentemente e sistematicamente usado os bahá’ís como bode expiatório através de falsas acusações e campanhas coordenadas de desinformação e ódio. Desta vez não foi diferente”, denuncia a BIC.
“Esta é mais uma tentativa do governo iraniano de falsificar a verdade e apresentar mentiras ao seu próprio público. Mas essa tentativa é frágil e a sua falta de fundamento está comprovada”, afirmou Simin Fahandej, representante da BIC nas Nações Unidas em Genebra, durante a recente Sessão Especial sobre o Irão no Conselho de Direitos Humanos.
“Os bahá’ís no Irão, apesar das falsas acusações e das cruéis perseguições que enfrentaram, agiram com resiliência e serviço ao seu país, jamais respondendo com violência”, acrescentou. “Baseados nos princípios da sua fé, os bahá’ís no Irã rejeitaram completamente a violência ao longo de décadas de perseguição intolerável. Recusaram-se a recorrer às táticas odiosas e injustas dos seus perseguidores. O seu histórico de recusa em negar as suas crenças em troca de qualquer benefício material demonstra o seu compromisso com os seus princípios e, acima de tudo, com o princípio da veracidade. O seu desejo por direitos visa contribuir para o bem-estar de seu país, numa terra que consideram sagrada”.
Fahandej concluiu com um pedido à comunidade internacional para que “condene inequivocamente a perseguição e a busca de bodes expiatórios contra os bahá’ís e para que clame por justiça para todo o povo do Irão”.










