Israel

Basílica com 1600 anos evoca o protagonismo das mulheres

| 21 Nov 21

Pedaço do que foi a grande basílica agora descoberta. Foto © Sasha Flit

 

Uma grande basílica bizantina com perto de 1600 anos, que tem vindo a ser escavada no sul de Israel, trouxe à luz do dia algumas descobertas, a menor das quais não será o destaque dado a várias figuras femininas que ocupariam ministérios na comunidade local, entre os quais o de diácono.

A notícia foi dada há dias pelo jornal israelita Haaretz e está a despertar atenção não apenas entre arqueólogos e historiadores de arte, mas também entre teólogos.

O local das escavações arqueológicas situa-se em Ashdod Yam, um povoado costeiro cheio de vestígios históricos, que hoje integra o perímetro da cidade de Ashdod, ao sul de Telavive, sendo há muitos anos o mais importante porto de Israel.

Quando realizava trabalhos de prospeção na zona, há quatro anos, uma equipa de arqueólogos da Universidade de Telavive foi chamada pelas autoridades para verificar o que eventualmente escondia pequenos ladrilhos de mosaicos, que apareciam num terreno perto, ao lado de uma villa recentemente construída.

Não demorou muito a perceberem que tinham rapidamente de mudar de local de trabalho, pois estavam diante de algo que, desde o início, começou a impressionar, desde logo pela dimensão.

À medida que as escavações avançavam, foram surgindo os contornos de uma basílica clássica de três naves e ainda capelas e outros espaços anexos. O chão da basílica, descreve o Haaretz, “está coberto com mosaicos requintados representando cruzes, padrões geométricos elaborados, bem como cenas de animais e uma dúzia de inscrições em homenagem a homens e mulheres, em proporções aproximadamente iguais”.

A villa, construída há algumas décadas, cobre uma parte da igreja, mas o que se conseguiu pôr a descoberto permite, ainda assim, evidenciar muitas facetas importantes.

“O texto mais antigo é uma inscrição numa das naves laterais que foi pavimentada ‘em memória do padre Gaianos e Severa, a mulher diácono”, observa a reportagem. Mas levanta, de imediato um problema, já que a dedicatória traz o ano de 169, sendo Heráclio o bispo de então. A ajuda vem dos especialistas consultados pelo jornal israelita. Leah Di Segni, especialista em epigrafia grega, da Universidade Hebraica de Jerusalém, explica que este tipo de inscrições dedicatórias seguem uma rara cronologia baseada no milénio de Roma, que ocorreu em 247 (considerando a data tradicional da fundação da cidade em 753 a.C). Por isso, acrescenta o professor Alexander Fantalkin, arqueólogo que dirige as escavações, teremos de somar os 169 a 247 para chegar à data provável da dedicatória: ano de 416. De resto, faz notar: no século II não havia basílicas bizantinas em Israel e no século V há registos de um bispo de nome Heráclio.

No entanto, a diácono Severa é apenas uma das mulheres homenageadas naquele templo que os peritos assumem como excecional. Entre outras, surgem ainda a Mãe Santa Sofronia, Teodosia, a diácono, ou Gregoria, também diácono.

“Além da quantidade incomum de inscrições funerárias e do lugar de destaque dado às mulheres, descobrimos que esta igreja parece um enorme cemitério”, observou o arqueólogo Fantalkin.

Na verdade, quando ele e os membros da sua equipa começaram a desbravar os túmulos, encontraram um fenómeno surpreendente: em lugar dos restos mortais de um ser humano, como seria expectável numa sepultura cristã, encontraram nos túmulos, de forma quase generalizada, amontoados de esqueletos. Este facto leva os estudiosos a colocar a hipótese de uma grande epidemia que tenha varrido a região, ter obrigado a criar esta espécie de “valas comuns”.

Em todo o caso, esta basílica de Ashdod Yam, uma das maiores e mais antigas basílicas cristãs descobertas em Israel, assim como os materiais nela encontrados, continuam a ser objeto de estudo do qual se devem aguardar os resultados.

 

Pistas para o diaconado feminino hoje?

Atendendo ao processo que se vive na Igreja Católica a propósito do papel das mulheres nas comunidades cristãs e, em especial, do diaconado feminino, este assunto será certamente seguido e analisado com atenção.

Com os dados apurados neste caso, apenas se pode reforçar a ideia (que já não é propriamente novidade) de que as mulheres diáconos tinham um papel relevante nas comunidades cristãs dos primeiros séculos. Aqui, certamente com uma expressividade de representação que poderá ir além do que se conhece.

Em que medida os achados de Ashdod Yam trazem achegas para a questão do estatuto e da relação com os ministérios ordenados é assunto que não terá ainda sido suscitado, na suposição de que há evidência empírica que o justifica, neste caso.

 

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