José Kentenich

Beatificação do fundador de Schoenstatt foi suspensa

| 4 Mai 2022

Kentenich foi acusado de ter “um poder manipulador e coercivo” sobre as mulheres consagradas do movimento. O Movimento de Schoenstatt negou essas acusações, bem como várias acusações de abuso sexual sobre mulheres e menores. Foto: Direitos reservados.

 

O Vaticano suspendeu o processo de beatificação de Joseph Kentenich, o fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt. A decisão, de acordo com o Religión Digital, terá sido tomada a pedido da diocese alemã de Trier (Tréveris), na sequência das notícias surgidas há dois anos e que davam conta de acusações de abuso de poder e abuso sexual por parte de Kentenich, que morreu em 1968 e cujo processo foi aberto em 1975.

Kentenich foi acusado de ter “um poder manipulador e coercivo” sobre as mulheres consagradas do movimento. O Movimento de Schoenstatt negou essas acusações, bem como várias acusações de abuso sexual sobre mulheres e menores.

De acordo com a mesma fonte, o bispo Stephan Ackermann diz que a decisão foi tomada “na sequência das acusações de abuso contra o padre Kentenich que se tornaram conhecidas em 2020”, embora em fases anteriores do processo de beatificação as acusações fossem conhecidas, sem que tivessem sido tomadas medidas punitivas.

Em Julho de 2020, depois da abertura dos arquivos do Vaticano, o bispo de Trier “quis convocar uma segunda comissão de historiadores”, como Schoenstatt admite agora. Essa comissão terá apelado a uma investigação “independente e transparente”.

Nos anos 1990, recorda o Religión Digital, um cidadão dos EUA afirmou ter sido abusado sexualmente pelo padre Kentenich entre 1958 e 1962. A acusação, que já tinha sido investigada pela Igreja dos EUA antes da vaga de denúncias em Boston, no final dessa década e no início deste século, foi retomada em 2021.

“As discussões dos últimos dois anos indicaram que é necessária uma investigação mais profunda da pessoa e obra de Joseph Kentenich”, diz o bispo Ackermann, na nota em que relata a decisão de suspender, sem prazo, o processo de beatificação.

Há dois anos, como o 7MARGENS noticiou na altura, a presidência internacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt publicou uma carta na sua página oficial, negando as acusações de abuso sexual e de poder contra o seu fundador.

As acusações tinham surgido num artigo publicado no Die Tagespost pela historiadora católica Alexandra von Teuffenbach, que foi professora de História da Igreja na Universidade Pontifícia Regina Apostolorum, em Roma.

No texto, a investigadora baseava-se numa carta para falar de um “ambiente sexualizado” criado por Kentenich em relação às freiras do Instituto das Irmãs de Maria e de maus tratos psico-emocionais, com relatos de diálogos que traduziriam a “dependência infantil e a servidão”.

Joseph Kentenich fundou a Obra de Schoenstatt, na Alemanha, em 1914. Foi para os Estados Unidos em 1951 e foi autorizado a regressar à Alemanha em Outubro de 1965. Morreu três anos mais tarde e o processo de beatificação começou em 1975. Hoje em dia, o movimento está presente em 42 países.

Na sequência das primeiras investigações, Kentenich esteve separado do movimento entre 1951 e 1965. Terá havido algumas tentativas de encobrir a história, mas Kentenich nunca foi oficialmente reabilitado, segundo se deduz de uma carta enviada pelo então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, ao reitor geral dos Padres Palatinos, em 1982. “Nenhuma das decisões anteriores do Santo Ofício relativas à doutrina, actividade e pessoa do Padre Kentenich foi anulada”, diz a carta, publicada na altura em acta e trazida à luz pela historiadora Alexandra von Teuffenbach.

Há dois anos, o movimento negava que fossem as razões apontadas pela historiadora a razão do afastamento, falando de problemas de ordem “administrativa”.

 

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