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Beatriz Barbeta, habitação, pobreza

Visada diz que está ameaçada de despejo

Beatriz ocupa indevidamente a cave onde vive, responde Câmara de Loures

Beatriz Barbeta, habitação, pobreza

Beatriz Barbeta na sua cozinha improvisada, na cave onde vive. Beatriz recebeu uma ameaça de despejo da Câmara de Loures em Abril de 2024. Foto ©️ José Alberto Catalão/7MARGENS

Beatriz B., a jovem mãe de 22 anos que vive numa cave num bairro social em Loures com os seus dois filhos e está a ser ameaçada de despejo pela autarquia, está a ocupar indevidamente o espaço onde vive com os seus filhos, diz a Câmara Municipal de Loures numa resposta enviada ao 7MARGENS, a propósito do caso que revelámos há dias, sobre a situação da munícipe que vive num bairro social do concelho. O município alega que a jovem foi realojada com os pais há 15 anos numa casa com quartos suficientes para atualmente a acolher, ainda que provisoriamente, bem como aos seus filhos.

“A munícipe Beatriz B. encontra-se a ocupar indevidamente os espaços comuns de um lote habitacional municipal na Quinta das Mós. Como tal, foi notificada em março último para a necessidade de desocupação do espaço. Inclusivamente, encontra-se em curso a empreitada de reabilitação desta urbanização municipal”, começa por referir uma resposta do município a perguntas colocadas pelo 7MARGENS. “A munícipe alega ter residido no Bairro da Torre, entre 2016 e 2020, e não ter sido alvo de realojamento no âmbito da erradicação daquele núcleo precário, reclamando o direito ao realojamento, informação que não corresponde à verdade”, menciona a Câmara.

“A munícipe de 22 anos foi realojada com os progenitores em 2008, num fogo municipal da Urbanização Municipal Quinta das Mós. Trata-se de um fogo de tipologia T4, que se entende que não ficaria em situação de sobrelotação que impedisse o alojamento, ainda que a título provisório e temporário, de Beatriz e dos seus filhos menores”, conclui.

Recorde-se que Beatriz B. recebeu já três notificações da Câmara Municipal de Loures para abandonar o espaço onde reside, a última das quais chegou há duas semanas. Isto acontece no seguimento de várias comunicações enviadas pela jovem mãe e por outras organizações que a estão a acompanhar ao município, foi referido pelo 7MARGENS na reportagem sobre o tema.

Questionado sobre como age perante situações de despejo iminente, o Município de Loures responde que “os agregados familiares são encaminhados para a Ação Social e informados das possibilidades e apoios que poderão beneficiar, sendo orientados para a procura de casa no mercado livre e simultaneamente, aconselhados, a submeter candidatura a Habitação Municipal”. No caso desta jovem mãe, essa candidatura já foi feita, estando a aguardar aprovação camarária.

Ainda sobre as recentes notícias de demolições e despejos efetuados noutros bairros do concelho de Loures, a Câmara não as classifica como tal. Afirma, sim, que “visam impedir a proliferação de construções ilegais utilizadas para fins habitacionais, não sendo estas ações consideradas despejos”.

Notícia atualizada às 18h55, de dia 9/07

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