
Foto © Tamilazhagan | Unsplash
No sermão magno de Jesus conhecido como Sermão do Monte são estabelecidos os valores do reino divino. Jesus começa como que indicando quais são as oito virtudes que os seus discípulos devem refletir porque se relacionam com Ele. Ou seja, não se espera que os discípulos de Jesus reflitam qualquer carácter se eles acreditam que Jesus é o Seu mestre. Todas essas oito virtudes são importantes e desafiaram o próprio contexto em que foram proferidas, como desafiam o nosso. Hoje atento apenas para uma delas, pela sua relevância no mundo que partilhamos, mas olhando principalmente para o mundo digital que também vivemos e onde muito de nós se comunica e estabelece relacionamentos, seja de proximidade, seja de ódio.
“Bem-aventurados” ou makarios descreve o Homem que é singularmente favorecido por Deus, e por isso é “feliz” (outro termo para descrever o mesmo termo). Ou seja, Deus deseja e abençoará efetivamente os homens e mulheres que estão no reino, mas aqueles também devem estar dispostos a desenvolver o carácter do seu rei. Por isso este sermão que inicia com a beatitudes é considerado o sermão que explica a ética do Reino de Deus. E nesta ética do Reino de Deus, Jesus é claro que os seus discípulos devem ser pacificadores. Os seguidores de Jesus na sua passagem terrena podiam ter todos as seus ideias e todos eles eram diferentes. Mas independente disso, eles teriam de ser pacificadores, ou seja, contribuir para a paz entre eles mas também para o mundo.
Não é preciso fazer uma descrição dos ares que respiramos no mundo em 2024 para entender que o sermão do monte é um brado de Jesus para que os seus discípulos sejam diferentes onde eles estiverem a viver. Os discípulos de Jesus devem mostrar o seu reino para que outros O vejam. Mas se os discípulos de Jesus não forem capazes de demonstrar o carácter feliz e abençoado do reino de Jesus, o que mostrar ao mundo que faça a diferença?
Como seguidora de Jesus não teria nenhuma dificuldade em ser a primeira na fila da frente da luta pela paz e pelo fim da opressão. Mas como trabalhadora no mundo das redes sociais deparo-me com uma realidade diferente, não só dos outros, mas também a partir de mim. Na nossa possibilidade de usar as redes sociais e interações, que escolhas podemos fazer para viver o “bem-aventurados os pacificadores”? Por exemplo, o próprio Facebook permite reagir uma publicação com uma escolha de ira, o que mostra que reações negativas como ódio e raiva são permitidas socialmente dentro de um contexto particular. Mas isso não nos devia assustar? Será que não estamos a passar a mensagem de que é viável responder com ira a uma vivência do outro? Este é só um exemplo de como as redes sociais estão a moldar a nosso limite inconsciente do pacifismo que Jesus pede dos seus seguidores.
Bem-aventurados os pacificadores torna-se, como se tornou para os primeiros seguidores do Mestre, uma decisão consciente do que queremos fazer com as reações que se vão desenvolver no nosso interior, mas que se vão manifestar aos outros. Em especial é bom estar atento para o facto que muitas dessas reações vão ser desenvolvidas olhando para um minúsculo ecrã que está desenhado para acolher os nossos impulsos emocionais e digitais. Os pacificadores que estão nas redes sociais precisam querer construir uma conexão com os outros, no âmbito do que uma “rede” deveria estabelecer. Os pacificadores precisam de construir a paz mesmo que o local onde estejam possa estar assente ou a desenvolver uma linguagem e reações de ódio. Os pacificadores precisam de passar mais tempo com o Mestre para aprender dele. Ele veio para um mundo hostil, mas ainda assim Ele olhou e cuidou de tantas pessoas e sem hesitação, lhes anunciou a paz.
Débora Hossi é gestora de redes sociais; integra a Missão Evangélica Intercultural e considera-se peregrina e apaixonada por Jesus e pelos seus ensinamentos.










