“Bem público ou riqueza privada?” Desigualdades crescem no mundo, diz Oxfam

| 22 Jan 19

Cinco milésimas da riqueza dos 70 milhões mais ricos do planeta bastam para garantir escola gratuita aos 262 milhões de crianças que a não frequentam e ainda sobra dinheiro para melhorar os serviços de saúde pelo mundo e salvar 3,3 milhões de vidas humanas. Metade da população do planeta vive com menos de 145 euros por mês. Para reunir bens equivalentes às posses das 26 pessoas mais ricas do mundo teríamos que juntar tudo quanto esses 3.800 milhões de homens, mulheres e crianças possuem.

A luta contra a pobreza extrema (pessoas que vivem com menos de dois dólares por dia) produziu resultados muito importantes, conseguindo em 25 anos (1990 a 2015) reduzir o número de seres humanos naquela condição de 1,9 mil milhões para 736 milhões. Mas os números coligidos e divulgados a 21 de janeiro pela Oxfam  na publicação Public Good or Private Wealth  mostram o abrandamento e a recessão das políticas destinadas a reduzir a pobreza no mundo e o grande crescimento das desigualdades em 2018: a riqueza dos mais ricos acresceu 12 por cento enquanto os mais pobres perderam 11 por cento do seu rendimento.

Os peritos reunidos pela Oxfampara elaborarem este relatório concluem: serviços públicos (saúde, proteção social e ensino) gratuitos e universais são o melhor instrumento para lutar contra a pobreza. Recursos financeiros não faltam. Mas estão na mão de muito poucos. Daí o dilema: queremos privilegiar a riqueza individual de uns quantos, ou oferecer mais e melhores bens públicos a quem deles necessita para poder viver? A resposta que demos nos últimos 10 anos foi que preferíamos aumentar a riqueza dos mais ricos: as taxas dos impostos sobre os lucros das empresas, assim como sobre o rendimento das famílias de maiores recursos caíram continuadamente na maior parte dos 80 países mais ricos do mundo…

(foto na página inicial: Sergio Omassi/Pexels)

Breves

“Basta. Parem estas execuções”, pedem bispos dos EUA a Trump

O arcebispo Paul Coakley, responsável pelo comité de Justiça Interna e Desenvolvimento Humano na conferência episcopal dos EUA (USCCB), e o arcebispo Joseph Naumann, encarregado das ações pró-vida no mesmo organismo, assinaram esta semana um comunicado onde pedem , perentoriamente, ao presidente Donald Trump e ao procurador-geral William Barr que ponham fim às execuções dos condenados à pena de morte a nível federal, retomadas em julho após uma suspensão de quase duas décadas.

ONGs lançam atlas dos conflitos na Pan-Amazónia

Resultado do trabalho conjunto de Organizações Não Governamentais (ONGs) de quatro países, o Atlas de Conflitos Socioterritoriais Pan-Amazónico será lançado esta quarta-feira, 23 de setembro, e irá revelar os casos mais graves de violação dos direitos dos povos da região, anunciou a conferência episcopal brasileira.

Papa apoia bispos espanhóis para ajudar a resolver estatuto do Vale dos Caídos

O Papa Francisco recebeu os novos responsáveis da Conferência Episcopal Espanhola, com quem falou sobre o papel da Igreja Católica no apoio aos mais pobres e mais fragilizados pela pandemia e sobre dois temas que esta semana estarão em debate nas Cortes de Espanha: eutanásia e lei da memória histórica, com o futuro do Vale dos Caídos em questão.

Boas notícias

Sea-Watch 4 resgata 104 migrantes no Mediterrâneo

Sea-Watch 4 resgata 104 migrantes no Mediterrâneo

O Sea Watch 4 resgatou, de manhã cedo, neste domingo, 23 de Agosto, 97 pessoas que viajavam a bordo de uma lancha pneumática sobrelotada, já depois de ter salvo outras sete pessoas noutra lancha. A presença do navio desde há dias no Mediterrâneo central, é fruto da cooperação entre a Sea Watch, os Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a Igreja Protestante alemã, que promoveu uma campanha de recolha de fundos para que ele pudesse zarpar.

Outras margens

Cultura e artes

Encarnando o irmão Luc novidade

Michael Lonsdale era, naquele final do dia, em Braga, o irmão Luc, assim dando corpo e espírito ao monge com o mesmo nome que foi assassinado na Argélia, em 1996. E é inesquecível a sua participação no filme Dos Homens e dos Deuses, que evoca a vida dos monges do mosteiro argelino de Tibhirine, sete dos quais (Bruno, Célestin, Christian, Cristophe, Michel, Paul, além de Luc) raptados e assassinados por um grupo de islamitas.

Michael Lonsdale: “Gostaria de morrer tranquilamente. Em Deus sobretudo”

Um dos mais fascinantes actores franceses, Michael Lonsdale morreu na passada segunda-feira, 21. Uns lembrar-se-ão de ele ter sido o vice-cônsul de Lahore no filme India Song, de Marguerite Duras, outros não ignorarão o facto de ele se ter empenhado em fazer a vida negra a James Bond. Mas Michael Lonsdale participou em filmes de Truffaut, Malle, Buñuel, Spielberg e outros realizadores não menos relevantes.

Pessoas

Não esquecer a memória

Não esquecer a memória

Não lembrei pessoalmente nestas páginas ainda a partida de Frei Mateus Cardoso Peres, O.P. (1933-2020), personalidade fascinante com uma rica obra de apostolado e de reflexão, e devo fazê-lo. Conheci-o bem e tenho pela sua vida e ação uma grande estima. O grupo de que fez parte dos “católicos inconformistas” integrou alguns dos meus grandes amigos, como António Alçada Baptista, Helena e Alberto Vaz da Silva e João Bénard da Costa.

Sete Partidas

A reunião de trabalho novidade

A reunião de trabalho convocada pela chefe chegou sem surpresa. Mais uma entre tantas. Comparecemos todos. Através do ecrã, a expressão no rosto e o tom da voz denotavam, no entanto, uma intenção outra. Um assunto especial. Havia efectivamente um assunto especial a abordar. Abertamente. Uma autenticidade sem pudor marcou o tom da conversa. Um cuidado humilde e generoso revelado sem condicionamentos.

Visto e Ouvido

Agenda

Entre margens

Rituais pós-nascimento: “Ku xlomula mamani ni ku humisa mwana” novidade

Nas culturas bantu do sul de Moçambique, especificamente na xironga e na xitswa, após o nascimento de um bebé, a mãe e a sua criança ficam, por algum tempo, interditados do convívio com a família alargada, por se considerar que os seus corpos não se encontram fortes o suficiente para conviver com agentes impuros, sejam do ambiente poluído de fora de casa, sejam os que com eles habitam, pelo facto de viverem entre o resguardo do lar e outras actividades que realizam fora de casa.

Os jovens do Torne na luta por “uma Igreja nova num Portugal novo”

Na década de sessenta do século passado, e até 1974, surgiu na paróquia de São João Evangelista (Vila Nova de Gaia), da Igreja Lusitana, Católica, Apostólica, Evangélica (IL), um grupo de jovens, que se intitulou Jovens do Torne – JT. No princípio englobado na “Liga do Esforço Cristão de Gaia”, foram prosseguindo um caminho ecuménico, alargado a todas as religiões e ateus.

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