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Sínodo, Igreja de Inglaterra, Comunhão Anglicana, Uniões homossexuais

Assembleia terminou

Bênção de relações homossexuais divide, mas é admitida pelo Sínodo Geral anglicano

| 09/02/2023

Sínodo, Igreja de Inglaterra, Comunhão Anglicana, Uniões homossexuais

Imagem da presidência da assembleia sinodal da Igreja de Inglaterra, num dos momentos do último dia de trabalhos. Imagem captada da transmissão vídeo.

 

Após seis anos de reflexão sobre identidade e sexualidade e depois de oito horas de debate, o Sínodo Geral da Igreja Anglicana votou por escassa maioria o documento dos bispos que admite abençoar as uniões entre pessoas do mesmo sexo, mas rejeita a celebração de casamentos homossexuais. [ver 7MARGENS]

A votação foi feita por assembleias, tendo 36 bispos votado a favor, quatro contra e dois abstiveram-se; no clero, 111 votaram a favor, 85 contra e três abstiveram-se; 103 leigos votaram a favor, 92 contra, e cinco abstiveram-se.

A análise dos votos expressos no dia 9 de fevereiro em cada um dos corpos evidencia que os bispos privilegiaram uma decisão preservadora da unidade da Igreja de Inglaterra, enquanto pastores e leigos deram maior expressão ao desagrado com o texto em causa. O Sínodo estava tão ciente da dificuldade de chegar a qualquer outro texto sobre as questões da identidade sexual e do acolhimento das relações homossexuais que rejeitou 25 propostas de alteração, apenas tendo aceitado um esclarecimento de última hora destinado a sossegar as sensibilidades que se sentiam desconfortáveis com a proposta de admitir a bênção de relações homossexuais estáveis e legalizadas através de um casamento civil. Essa moção declara que a admissão de tais bênçãos não contradiz o ensino tradicional da Igreja sobre o casamento, isto é, que o matrimónio é entre um homem e uma mulher.

Para o Church Times, nesta quinta-feira, 9 de fevereiro, “a extensão do voto contra as bênçãos fornece uma indicação clara de que a principal preocupação [do Sínodo Geral] não foi apaziguar aqueles que queriam o matrimónio para casais do mesmo sexo em vez de uma simples bênção”, mas que o cuidado todo se concentrava “em manter os evangélicos conservadores numa Igreja que, como muitos deles diziam, se propunha aceitar o sexo extraconjugal”.

Contudo, para The Guardian neste mesmo dia 9 de fevereiro “a aprovação da moção no Sínodo Geral representa uma mudança profunda na posição da Igreja sobre a homossexualidade”. O jornal salienta que, além desta moção, foi votada uma outra em que a Igreja Anglicana “pede desculpa pelo dano que causou às pessoas LGBTQ+” e ficou prevista a próxima revisão “da proibição do clero de estar presente em casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo” e da “regra de celibato para qualquer membro do clero que mantenha relacionamentos com pessoa do mesmo sexo”.

 

Reações opostas

Após a votação que decorreu na tarde de 9 de fevereiro (inicialmente prevista para o dia anterior), o arcebispo de Cantuária, Justin Welby, e o arcebispo de York, Stephen Cottrell, publicaram um comunicado conjunto afirmando que a decisão marcava um “novo começo” para a Igreja de Inglaterra: “Pela primeira vez, damos na Igreja as boas-vindas publicamente, sem reservas e com alegria, a casais do mesmo sexo.” Mas ao mesmo tempo sublinhavam: “A Igreja continua a ter profundas divergências sobre estas questões que atingem o cerne de nossa identidade humana. Como arcebispos, comprometemo-nos a respeitar a consciência daqueles para quem isto vai longe demais e garantir que eles têm todas as garantias necessárias para manter a unidade da Igreja enquanto esta conversa continuar.”

Steven Croft, o bispo de Oxford, um apoiante da igualdade no casamento, disse que a partir de agora “casais do mesmo sexo vão tornar-se muito mais visíveis e a sua relação será celebrada publicamente e isso vai favorecer a mudança de atitudes na igreja”. Numa avaliação oposta, Jayne Ozanne, uma das principais ativistas pela igualdade LGBTQ+, manifestou-se “profundamente desapontada com a maneira como os conservadores têm consistentemente procurado prejudicar aqueles de nós que buscam avançar em direção a uma Igreja que possa aceitar uma pluralidade de pontos de vista sobre a sexualidade”.

Por razões distintas, também a associação Conselho Evangélico da Igreja da Inglaterra disse estar “profundamente triste” com a decisão que, dizem, rejeita a “compreensão histórica e bíblica de sexo e casamento” que estas Igrejas sempre tiveram, e que, além de “nada ter resolvido”, “serviu apenas para aprofundar as divisões”.

O Sínodo Geral da Igreja Anglicana chegou ao fim nesta quinta-feira, 9 de fevereiro.

 

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