Jornada Mundial

Benigni com o Papa às crianças: “Sejam heróis para, juntos, vencerem a guerra”

| 26 Mai 2024

O ator e realizador de cinema, Roberto Benigni, convidou as crianças “a acreditarem em contos de fadas”. Foto © Vatican Media

Perante o Papa, no final da Jornada Mundial das Crianças, o ator e realizador de cinema, Roberto Benigni, convidou as crianças “a acreditarem em contos de fadas”. Foto © Vatican Media.

No Vaticano, por entre heróis, fadas e dragões, houve um homem que brandiu a espada do sonho e da inocência contra a guerra, que “é o mais estúpido dos pecados, suja tudo”. 

Falando no encerramento da Jornada Mundial das Crianças — que o Papa Francisco fez acontecer este fim de semana em Roma — o ator e realizador de cinema, Roberto Benigni, convidou as crianças “a acreditarem em contos de fadas”, citado pela agência Vatican News: “A guerra é o mais estúpido dos pecados, suja tudo. Os dragões podem ser derrotados. Tomem as vossas vidas nas vossas mãos e façam dela uma obra-prima! Construam um mundo melhor! Nós não conseguimos.”

Na Praça de São Pedro, o vencedor do Óscar com o filme A Vida É Bela (1997), afirmou que “o mundo é governado por pessoas que não sabem o que é a misericórdia, o que é o amor. Por isso, cometem o mais estúpido dos pecados, a guerra: uma palavra ruim, que suja tudo. Precisamos de pôr um fim a isso.” 

Falando no final da missa que encerrou a I Jornada Mundial das Crianças, Benigni citou Gianni Rodari, autor italiano de livros infantis, e lembrou que os contos de fadas podem tornar-se realidade. De facto, os contos de fadas não relatam apenas a existência de dragões, mas ensinam que “os dragões podem ser derrotados”.

Roberto Benigni deixou então um convite para que as muitas crianças presentes na praça sonhem e sejam heróis. “Cada um de vocês é o protagonista de uma história que jamais se repetirá. Vocês são os heróis. Façam as coisas difíceis! Sonhem! Que é a coisa mais linda do mundo. Para sonhar, não é preciso fechar os olhos. É preciso abri-los.”

“Estou convencido de que entre vocês há quem encontrará a palavra para deter a guerra, devemos buscá-la juntos”, notou. “Quando as crianças brincam de guerra, assim que alguém se magoa, elas param e, em vez disso, aqueles que fazem a guerra não param”, acrescentou.

“A única boa ideia na história da humanidade”

Para o realizador, “na história da humanidade, apenas uma boa ideia foi expressa”. Quem deu essa boa ideia, continuou Benigni, foi Jesus no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os misericordiosos.” É um convite dirigido a todos para serem “profundamente bons”. “Sejam profundamente bons! A vida é amor e compaixão infinita pela dor pela qual a humanidade passa”. Daí o apelo dirigido a todos os presentes: “A guerra precisa de acabar. Vocês dir-me-ão: é um sonho, é um conto de fadas. Sim, é, mas como disse Gianni Rodari: «Os contos de fadas podem tornar-se realidade, podem tornar-se verdadeiros!».

O mundo precisa de ser bonito e cada um dá sua pequena contribuição, mesmo que cometa erros. “Os erros são necessários, às vezes são úteis e bonitos”, repetiu Benigni, apontando a beleza imperfeita da Torre de Pisa: “Vocês viram que erro bonito?”

O segredo é divertir-se: “Ame o que você faz, não se contente em fazer um bom trabalho, você tem que fazê-lo melhor, como Miguel Ângelo fez esta cúpula”, disse, referindo-se ao artista renascentista.

Francisco inventou a Jornada Mundial das Crianças, observou o realizador, que, contrariando o protocolo, beijou e brincou com o bispo de Roma. “Ele é uma criança como vocês!”, “O senhor é argentino, podemos dançar um tango!”, disse, entre sorrisos. E concluiu: “Não há nada mais bonito no mundo do que o riso de uma criança! E se um dia todas as crianças do mundo, sem excluir ninguém, puderem sorrir juntas, será um grande dia, será o dia mais bonito da história do mundo!”

Papa: “Que todas as crianças do mundo tenham o necessário para viver”

Já no sábado, no Estádio Olímpico de Roma, o Papa Francisco afirmou que se pudesse realizar um milagre escolheria garantir que todas as crianças teriam o suficiente para viver. “Se eu pudesse fazer um milagre, que milagre é que eu faria? É fácil: que todas as crianças tenham o necessário para viver, para comer, para brincar, para ir à escola. Esse é o milagre que eu gostaria de fazer”, respondeu o Papa, quando questionado por uma criança da Indonésia, na primeira edição da Jornada Mundial das Crianças, citado pela Ecclesia.

Francisco desejou depois que todas as crianças sejam felizes e pediu a todos para rezar com o objetivo de que o Senhor cumpra o milagre. 

Cerca de 50 mil crianças, de 101 países, reuniram-se no sábado no Estádio Olímpico de Roma, para o primeiro dia de JMC, num encontro de música, desporto, reflexão e espiritualidade.

No domingo, a missa de encerramento teve lugar no Vaticano. “Somos felizes porque acreditamos. A fé faz-nos felizes e acreditamos num Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo”, referiu, na breve homilia da celebração. Falando de improviso, num registo de diálogo com os participantes, Francisco abordou a solenidade litúrgica que se assinala este domingo, a Santíssima Trindade, apresentando Deus único em três pessoas, “o Pai, o Filho e o Espírito Santo”.“É verdade que Jesus perdoa tudo? Não se ouve”, disse, repetindo às crianças que Jesus perdoa tudo, “sempre, sempre, sempre”. “Não se esqueçam disto: Jesus perdoa tudo e perdoa sempre. Nós devemos ter a humildade de pedir perdão”, insistiu.

 

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