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Bielorrússia: bispos acusam governo de agir ilegalmente e exigem o “regresso imediato” do arcebispo de Minsk

| 04/09/2020

Tadeusz Kondrusiewicz, Foto CCEE

“Não quero que uma decisão irracional e ilegal do serviço de fronteiras aumente as tensões no nosso país”, escreveu o arcebispo de Minsk numa mensagem aos católicos da Bielorrússia. Foto © CCEE.

 

Retido na fronteira com a Polónia na passada segunda-feira, 31 de agosto, quando regressava das celebrações em honra de Nossa Senhora de Częstochowa, o arcebispo de Minsk (Bielorrússia), Tadeusz Kondrusiewicz, continua sem autorização para entrar no seu país. O Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) emitiu esta quarta-feira, 2, um comunicado em que pede o “regresso imediato a casa” do arcebispo e o “retomar do seu ministério episcopal”, enquanto a conferência episcopal do país acusa o Governo de estar a agir ilegalmente.

“A presidência do CCEE expressa a proximidade de todo o episcopado europeu a monsenhor Kondrusiewicz e à Igreja da Bielorrússia neste assunto delicado e faz seu o apelo do Papa Francisco ‘ao diálogo, rejeição da violência e respeito pela justiça e lei’”, pode ler-se na nota, publicada no site do conselho europeu.

Também os bispos da Bielorrússia emitiram uma declaração na quarta-feira, 2 de setembro, em que afirmam ser “inadmissível” e “incompatível com a atual legislação da República da Bielorrússia” que “um bispo da Igreja Católica, que é o pastor dos fiéis a si confiados, seja privado da oportunidade de estar na sua própria diocese e de nela exercer o ministério que lhe foi confiado pelo Papa Francisco”.

“A Conferência dos Bispos Católicos da Bielorrússia espera que a recusa do arcebispo Tadeusz Kondrusiewicz de entrar no país seja apenas um lamentável mal-entendido que será resolvido o mais rápido possível, e que tais incidentes não voltem a ocorrer no futuro”, acrescentam.

No dia anterior, o próprio arcebispo de Minsk, que é também o presidente da conferência episcopal bielorrussa, tinha já enviado uma mensagem aos católicos do país, relatando o que estava a passar-se. Na missiva, escrita a partir da cidade polaca de Białystok, próxima da fronteira com a Bielorrússia, Kondrusiewicz explicava que os guardas fronteiriços “agiram de forma muito educada”, mas sublinhava que o facto de lhe recusarem a entrada na sua terra natal era “absolutamente incompreensível” e contrário à lei.

“Não quero que uma decisão irracional e ilegal do serviço de fronteiras aumente as tensões no nosso país”, escreveu o arcebispo de Minsk, apelando ao diálogo e reconciliação no país, onde se sucedem os protestos motivados pelas eleições do dia 9 de agosto.

Os resultados oficiais do ato eleitoral reconduziram Aleksandr Lukashenko a um sexto mandato presidencial, com 80% dos votos. A oposição denunciou a eleição como fraudulenta e milhares de bielorrussos têm saído às ruas por todo o país para exigir o afastamento do Presidente. Os protestos têm sido reprimidos pelas forças de segurança, com milhares de pessoas detidas e centenas de feridos.

Na véspera de ter sido impedido de entrar no país, o arcebispo de Minsk tinha referido “as dificuldades económicas em que a Bielorrússia parece estar a afundar-se” e alertado para a possibilidade de “um isolamento internacional do país”. Além disso, Kondrusiewicz estava preocupado com “as divisões dentro da sociedade” e relatou rumores que “provavelmente dariam origem ao risco de guerra civil”.

Com 9,6 milhões de habitantes, a Bielorrússia é composta maioritariamente por cristãos ortodoxos. De acordo com a Catholic News Agency, os católicos são a segunda maior comunidade religiosa no país, correspondendo a 6% da população, e constituem a maior comunidade católica de toda a Europa do Leste.

 

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