AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Ministro do Exterior bielorusso Vladimir Makei com o arcebispo Gallagher em Minsk, Foto_ Vatican News.

Bielorrússia: Líderes religiosos pedem fim da violência, mas são acusados de envolvimento político e afastados

| 15/09/2020

Ministro do Exterior bielorusso Vladimir Makei com o arcebispo Gallagher em Minsk, Foto_ Vatican News.

O Ministro dos Exteriores bielorusso, Vladimir Makei com o arcebispo Gallagher, durante a visita que o representante do Papa fez a Minsk. Foto: Vatican News.

 

 

“Se dizemos que nos opomos à tortura, isso é política?”, perguntou o bispo auxiliar de Minsk, Yuri Kasabutsky, numa das suas recentes homilias. Para o recentemente reeleito Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, parece que sim. O arcebispo Tadeusz Kondrusiewicz, que apelou ao diálogo e reconciliação, continua sem autorização para entrar no país, acusado por Lukashenko de se ter “dedicado à política”. O metropolita ortodoxo Pavel, que visitou no hospital manifestantes agredidos pela polícia, foi substituído. Diante dos contínuos protestos motivados pelas eleições do dia 9 de agosto, consideradas fraudulentas pela oposição, o Papa enviou ao país o “número 2” da sua diplomacia, o arcebispo Paul Richard Gallagher, mas a visita terminou esta segunda-feira, 13 de setembro, sem sinais de que a tensão tenha diminuído.

“Temos sido testemunhas de violência, já que se derramou sangue, houve feridos de ambos os lados, milhares foram presos e muitos mutilados. A sociedade está dividida, o ódio e as ameaças mútuas violam o princípio cristão de justiça na misericórdia”, pode ler-se numa das várias cartas que Tadeusz Kondrusiewicz, arcebispo de Minsk e presidente da Conferência Episcopal da Bielorrússia, escreveu aos fiéis a partir da fronteira polaca, onde ficou retido a 31 de agosto. Citado pela revista espanhola Vida Nueva, o arcebispo considera que as feridas físicas e espirituais do país demorarão muito a sarar e será muito importante “um espírito de arrependimento e perdão”.

O Papa Francisco, embora sem referir explicitamente a situação na Bielorrússia, convidou este domingo, 13 de setembro, os católicos a  trabalhar “em favor do diálogo, sempre em favor do diálogo, e em favor da reconciliação” e pediu “a todos os que têm responsabilidades públicas e de governo que ouçam a voz dos seus concidadãos e que vão ao encontro das suas justas aspirações, assegurando o pleno respeito dos Direitos Humanos e das liberdades civis”.

Perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a oração do Angelus, Francisco assegurou que acompanha as manifestações de crescente “mal-estar” da sociedade civil, em vários países, perante situações políticas e sociais que considera “particularmente críticas”.

Prova de que a Bielorrússia era uma das situações a que se referia foi o envio, na sexta-feira anterior, do arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário do Vaticano para as relações com os Estados, para uma visita de quatro dias ao país. De acordo com o Vatican News, Gallagher esteve com diversas autoridades civis e responsáveis católicos, com o objetivo de “manifestar a atenção e a proximidade” do Papa à Igreja Católica e a todo o país, mas não foi divulgado o teor nem resultados práticos destes encontros.

“As forças do mal estão a tentar silenciar esta voz [do arcebispo Tadeusz Kondrusiewicz], mas não podem destruí-la por completo, já que fala na alma, no coração do homem, mesmo atrás das grades. Rezamos pela conversão de quem comete atos desumanos e, quanto mais oramos, mais as pessoas podem abrir a sua consciência”, concluiu o bispo auxiliar de Minsk, Yuri Kasabutsky, na mesma homilia em que questionava se a oposição à tortura e à violência seriam política e lamentava a “perseguição à Igreja Católica na Bielorrússia”.

 

Milhares na rua com Bíblias na mão

Os sentimentos dos líderes católicos encontraram eco nos representantes dos cristãos ortodoxos e protestantes no país, revela um testemunho publicado pelo jornal digital alemão Novena News. No caso da Igreja Ortodoxa, a posição do seu líder máximo, o metropolita Pavel, levou mesmo à sua substituição por parte do Patriarcado de Moscovo.

Num primeiro momento, logo após as eleições, Pavel felicitou Lukashenko pela vitória. Uns dias mais tarde, pediu desculpa pela “reação prematura” que “causou indignação entre muitos crentes ortodoxos no país” e em seguida condenou veementemente a dura reação das forças policiais para com os manifestantes, tendo visitado um hospital onde se encontravam internadas algumas das vítimas de repressão. Alguns dias depois, o Patriarcado de Moscovo anunciava a sua substituição pelo metropolita Venjamin e proibia os fiéis de participarem em manifestações públicas, conta o Asia News.

Muitos cristãos protestantes aderiram também às manifestações, tendo apelado às autoridades para pôr fim à violência, libertar todos os detidos e iniciar um diálogo pacífico com a população. Uma das comunidades de Minsk dinamizou a iniciativa “De Kurapaty a Akreścina, nunca mais” (sendo Kurapaty uma localidade nos arredores de Minsk onde o regime soviético cometeu as atrocidades mais extremas contra os bielorrussos, e Akreścina um centro de detenção na capital, recentemente famoso por albergar presos políticos e manifestantes). O protesto levou milhares de pessoas para a rua, muitas delas com Bíblias na mão, formando uma cadeia de 15 quilómetros.

Para Zmicier Dashkievich, ativista protestante e um dos dinamizadores desta iniciativa, as igrejas são as instituições que naturalmente poderão ajudar a resolver a crise política sem derramamento de sangue e trazer uma renovação à sociedade bielorrussa. Mas o exílio forçado do líder da Igreja Católica e a substituição do metropolita da Igreja Ortodoxa já deixaram antever quais as possíveis consequências de manifestar uma posição contrária à do Governo.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Jesus salva-nos de nós mesmos

[Entre Margens]

Jesus salva-nos de nós mesmos novidade

Uma das mais profundas obras de salvação realizadas por Jesus consiste em libertar-nos não apenas do pecado e da morte, mas também das falsas imagens que construímos acerca de Deus. Muitas vezes, consciente ou inconscientemente, projectamos sobre Deus os nossos medos, inseguranças e formas humanas de exercer o poder. [Texto de Vítor Rafael].

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba

Ano jubilar-800 anos da morte (8)

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba novidade

O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This