
Sessão do Caminho Sinodak alemão em fevereiro de 2022: algumas decisões criaram mal estar dentro da estrutura da Igreja. Foto © Der Sinodale Weg
O cardeal Kurt Koch, prefeito do Dicastério para a Unidade dos Cristãos, cancelou a sua visita à Alemanha, depois do bispo Georg Bätzing, presidente da Conferência Episcopal daquele país, ter dito que ele não seria bem-vindo enquanto não tornasse público um pedido de desculpas pelas afirmações feitas no final de setembro contra o Caminho Sinodal alemão, noticia o jornal católico The Pillar na sua edição de 3 de outubro.
As decisões tomadas no contexto do Caminho Sinodal alemão têm sido alvo de numerosas críticas dentro e fora da Alemanha por parte de prelados do Vaticano, de conferências episcopais do Norte da Europa, de uma carta aberta assinada por vários bispos de diversos continentes [ver 7MARGENS], de uma “admoestação” do próprio Papa Francisco e de um mais recente comunicado da Sala de Imprensa do Vaticano [ver 7MARGENS].
Todas estas advertências causaram tensões e impasses no sínodo alemão, levando a que vários textos já aprovados possam ser revistos durante a etapa continental (do final de 2022 até ao verão de 2023) do sínodo da Igreja Católica sobre a sinodalidade que terá a sua fase conclusiva no final de 2023.
Desta vez foi o cardeal Koch quem afirmou, numa entrevista publicada no jornal Die Tagespost de 29 de setembro, que a “via sinodal” alemã continha uma rutura inaceitável com a tradição católica e que a tentativa de encontrar “novas fontes” para o cristianismo já ocorrera na Alemanha com o movimento “cristão alemão” que apoiou Hitler. “Irrita-me” – disse Koch – “que novas fontes sejam aceites, além das fontes de revelação das Escrituras e da Tradição. Assusta-me que isto esteja a acontecer – de novo – na Alemanha, porque este fenómeno já existiu durante a ditadura nacional-socialista com os chamados ‘cristãos alemães’, apoiantes de Hitler”.
Para o prefeito do Dicastério para a Unidade dos Cristãos “a Igreja é obrigada a observar atentamente os sinais dos tempos e levá-los a sério. Mas (estes) não são novas fontes de revelação. (…) Sinto falta dessa distinção necessária no texto de orientação do Caminho Sinodal alemão”.
Na resposta à entrevista, Bätzing disse que, se o cardeal não retirasse as suas afirmações, entregaria uma “queixa oficial” ao Papa Francisco. Mas Koch respondeu apenas que não podia alterar o seu ponto geral sobre as fontes de revelação e insistiu que “de forma alguma comparou o Caminho Sinodal a uma ideologia nazi”. O presidente da Conferência Episcopal alemã comentou esta resposta afirmando que o cardeal, além de se ter recusado a pedir desculpa por aquelas “declarações insustentáveis”, as tinha agravado e que por isso mesmo não seria bem-vindo à Alemanha.
O Schönblick Christliches Gästezentrum Württemberg, instituição que convidara o cardeal Kurt Koch a proferir uma conferência no dia 2 de outubro, emitiu um comunicado anulando a conferência: “No clima público atual em torno dele [Koch], não é possível realizar este evento num ambiente apropriado à ocasião”, justificou.
A polémica entrevista dada pelo prefeito do Dicastério para a Unidade dos Cristãos, foi publicada no final da reunião plenária de outono dos bispos alemães em que, entre outros temas debatidos, se tratou da visita ad limina que farão a Roma entre 14 e 16 de novembro, exatamente sete anos depois da última visita deste tipo (novembro de 2015).
As visitas ad limina são uma forma de expressar a comunhão entre as igrejas locais (dioceses) e a Igreja universal presidida pelo Papa, devem ter lugar de cinco em cinco anos e nelas os bispos apresentam um relatório sobre o estado pastoral das suas dioceses e ouvem a apreciação e os conselhos do Papa e de outros altos prelados do Vaticano. O presidente da Conferência Episcopal Alemã, Georg Bätzing, encontra-se em Roma desde dia 3 de outubro para preparar a visita ad limina de novembro.









