Bispo católico acusa Presidente da Nigéria de não conter terror contra cristãos

| 20 Out 2020

Bispo Matthew Kukah. Nigéria

O bispo Matthew Kukah. Foto © ACN-Portugal

O bispo católico de Sokoto (Nordeste da Nigéria), Matthew Kukah, critica duramente o Presidente do país, Mohammadu Buhari, acusando-o de não ser capaz de suster os grupos armados que têm provocado o terror e uma onda de violência entre a comunidade cristã nigeriana, sobretudo no norte do país, e que já causou mais de 36 mil mortos desde 2009 e mais de dois milhões de deslocados.

Na mensagem, enviada à fundação Ajuda à Igreja que Sofre e divulgada nesta segunda-feira pela instituição, o bispo Kukah pergunta: “Onde estão as filhas Chibok? Onde está Leah Sharibu? Quem são os assassinos que invadiram a nossa terra? A nossa terra agora é uma poça de sangue.”

As “filhas de Chibok” que o bispo refere são as estudantes da escola secundária feminina sequestradas em 14 de Abril de 2014. Num ataque da responsabilidade do grupo jihadista Boko Haram, particularmente activo na região norte da Nigéria, 276 raparigas foram raptadas; várias dezenas estão ainda dadas como desaparecidas.

Leah Sharibu, 17 anos feitos em Maio e que está sequestrada desde Fevereiro de 2018, é a única vítima ainda em cativeiro, do ataque a outra escola feminina, em Dapchi, no qual foram levadas 110 crianças, libertadas e devolvidas às suas famílias cerca de um mês depois. Leah Sharibu, então 15 anos, terá recusado converter-se ao islão, como os terroristas exigiam e por isso continuou em cativeiro.

Na mensagem, o bispo Matthew Kukah aponta o dedo ao Presidente Buhari, muçulmano, no poder desde Abril de 2015, dizendo que a sua política tem sido incapaz de suster a onda de violência, não dando resposta aos casos referidos, que afligem tantas famílias. O nepotismo, acusa, transformou-se “na nova ideologia” da Nigéria e está a tomar conta da governação do país, passando pelo favorecimento de muçulmanos na atribuição dos lugares-chave do poder.

Matthew Kukah tem sido uma das vozes mais activas na denúncia da violência contra os cristãos nigerianos e já em Agosto apontara também as responsabilidades das Forças Armadas, por não conseguirem anular a insurgência terrorista.

 

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