O bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, 64 anos, foi eleito nesta terça-feira como novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), substituindo o bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, que cumpriu dois mandatos no cargo.
O arcebispo de Braga, José Manuel Cordeiro, foi escolhido para vice-presidente. Como vogais do conselho permanente da CEP, ficaram o patriarca de Lisboa, Rui Valério, por inerência do cargo; e foram eleitos os bispos António Augusto Azevedo (Vila Real), António Moiteiro (Aveiro), Armando Esteves Domingues (Angra do Heroísmo) e José Traquina (Santarém). O conselho permanente assegura a gestão continuada da CEP e reúne mensalmente.
Na sua primeira declaração vídeo após a eleição, enviada às redacções, o bispo Virgílio Antunes, que era um dos nomes apontados como prováveis, afirmou que “não pode haver uma Conferência Episcopal, em Portugal ou no mundo, que esteja alheia às questões fundamentais que se passam dentro da própria Igreja e dentro da sociedade”, sejam elas “questões fracturantes” na sociedade ou consequências da guerra.
“É uma missão, é um cargo que se assume, dando continuidade àquilo que é a nossa vida de serviço à Igreja, em muitos e diferentes lugares, em muitas e diferentes circunstâncias, mas é sempre o mesmo espírito.”
Virgílio Antunes diz que o trabalho dos últimos anos, durante o qual foi vice-presidente, foi “muito meritório”. Pretende agora dar-lhe continuidade em áreas como a “evangelização” ou “os abusos sexuais na Igreja e a protecção de menores”. E acrescenta: “Na Igreja não há dossiês fechados, nem que se possam fechar, e alguns deles têm a premência da continuidade, do aprofundamento.”
A escolha do novo presidente decorreu durante a primeira manhã de trabalhos da 214ª assembleia plenária da CEP, que se iniciou na tarde de segunda-feira.
Bíblia, Fátima e sínodo

Virgílio Antunes, agora presidente da Conferência Episcopal, depois de um trajecto que incluiu a Bíblia e Fátima. Foto: Direitos reservados.
O novo presidente da CEP dirige-se a todos os católicos e a toda a sociedade, prometendo que “a Conferência Episcopal vai continuar determinada a levar por diante os seus objectivos, de uma forma atenta, de uma forma livre” e “aberta à colaboração de todos”. Ao mesmo tempo, destacou a “relevância” do trabalho da comunicação social nas sociedades modernas.
Natural do lugar de Pia do Urso, em São Mamede (Batalha), o novo presidente da CEP nasceu a 22 de Setembro de 1961. Ordenado padre em 29 de Setembro de 1985, especializou-se em Exegese Bíblica no Instituto Bíblico Pontifício, em Roma, passou na Escola Bíblica de Jerusalém, e foi reitor do Seminário Diocesano de Leiria.
Virgílio Antunes foi ordenado bispo em 3 de Julho de 2011, em Fátima – na altura da nomeação era reitor do Santuário. Em 28 de Abril desse ano, o Papa Bento XVI nomeara-o bispo de Coimbra. Já neste cargo foi um dos representantes do episcopado português no Sínodo sobre a Sinodalidade (2023 e 2024), no Vaticano.
Sobre as recentes posições do Papa acerca da guerra e das reacções que elas provocaram na Administração dos Estados Unidos, Virgílio Antunes destaca a “voz carregada da energia que vem do Evangelho” que o Papa Leão demonstrou. “Não é outro objectivo nem é outra agenda, senão procurar que o Evangelho esteja presente e que seja o Evangelho”.
José Cordeiro, o novo vice-presidente, é arcebispo de Braga desde Dezembro de 2021 e presidia até agora à Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade. Os novos responsáveis das comissões sectoriais foram escolhidos em votações separadas da assembleia plenária, que decorre até quinta-feira. O arcebispo foi, antes, responsável da Diocese de Bragança-Miranda (2011-2021), e antes tinha sido reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma (2005-2011).
As comissões sectoriais abrangem áreas como a Educação Cristã, Doutrina da Fé, Laicado e Família, Vocações e Ministérios, Liturgia e Espiritualidade; Missão e Nova Evangelização, Pastoral Social, Mobilidade Humana, Comunicações Sociais, Cultura e Bens Culturais. Os nomes dos novos responsáveis não foram ainda divulgados.
Fernando Santos: um prémio Árvore da Vida ao futebol
Fernando Santos: o júri destacou a “autenticidade” do percurso cristão. Foto © Ecclesia/MC
No mesmo dia das eleições entre os bispos, o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura anunciou a distinção do treinador de futebol Fernando Santos, antigo seleccionador nacional, com o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes.
O júri – presidido pelo bispo do Funchal, Nuno Brás, e composto por Guilherme d’Oliveira Martins, Isabel Alçada Cardoso, Joana Carneiro e o padre jesuíta José Frazão Correia – destaca um percurso marcado pela “autenticidade e o compromisso que sempre nortearam o projecto de vida de Fernando Santos no sentido [do] humanismo cristão”.
Fernando Santos é “uma referência do desporto português contemporâneo”, onde se afirmou “como atleta e como treinador de excepção no futebol”, e alguém “que se destacou na vida familiar, no desempenho académico e profissional, como cidadão empenhado na defesa do bem comum e como engenheiro com provas dadas”.
“Reconhecido internacionalmente como um dos melhores treinadores do mundo”, Fernando Santos era o treinador da equipa de Portugal que venceu o Campeonato Europeu de Selecções (2016) e a Liga das Nações da UEFA (2019), recorda o comunicado.
Tendo-se afastado da fé, a ela regressou mais tarde através da filha e de um convite de amigos para fazer um “cursilho de cristandade”.
“O exemplo de Fernando Santos testemunha que a fé vivida com convicção é essencialmente uma forma de estar na vida, transmitida na vivência do quotidiano com naturalidade”, justifica ainda o júri.
O Prémio Manuel Antunes distinguiu já pessoas da literatura, da ciência, das artes, da política, do teatro e do cinema, do ensaio e da música – a lista completa está referida na agência Ecclesia.
O galardão evoca a figura do padre jesuíta que foi professor universitário e pedagogo notável, bem como director da revista Brotéria.











