Decisão tomada e anunciada em breve?

Bispo de Coimbra pode ser a escolha para diocese de Braga

| 9 Jul 21

Há uma pequena festa de aniversário em Coimbra neste sábado, que foi entendida também como festa de despedida. Os novos bispos de Braga e Viana podem (ou não…) estar a ser nomeados em breve. Para Braga, há quem garanta que a decisão está tomada, embora o próprio tenha dito que não sabe… Em Viana, há quem fale na “vergonha” de uma situação que se arrasta há 10 meses. De seguro, apenas se sabe que a quase totalidade dos crentes apenas se limita a conhecer a decisão final…

A escolha para Braga pode ter recaído em Virgílio Antunes, bispo de Coimbra desde 2011,mas o próprio tem dito a pessoas próximas que não sabe ainda de nada. Foto © Ecclesia.

 

Pode estar para muito breve a nomeação do novo arcebispo de Braga e a escolha pode recair no actual bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes. Pior está a diocese de Viana, cujo bispo morreu de acidente em 18 de Setembro do ano passado e que ainda aguarda a escolha do sucessor de D. Anacleto Oliveira.

A concretizarem-se informações recolhidas pelo 7MARGENS junto de uma dezena de fontes eclesiásticas portuguesas, a nomeação do novo arcebispo poria fim ao tempo de transição que se vive em Braga, depois de o actual titular, D. Jorge Ortiga, ter pedido a saída, conforme estabelecem as regras da Igreja Católica, quando completou 75 anos, em 5 de Março de 2019.

Pior está a diocese do Alto Minho. “É uma situação vergonhosa”, dizia um dos responsáveis católicos ouvidos, pedindo anonimato. Embora já circulem nomes possíveis para a nomeação, o facto de quase 10 meses depois da sua morte o bispo Anacleto não ter ainda sucessor está a ser muito mal visto por vários grupos de crentes, clérigos ou não.

A nomeação de Virgílio Antunes para Braga é dada como certa por várias das fontes consultadas.

É importante, neste passo, fazer dois alertas. O primeiro: o processo de nomeação dos bispos católicos continua a ser secreto e centralizado na nunciatura de cada país e por isso tudo o que se sabe e transpira dos bastidores eclesiásticos é com base em conversas privadas, que podem ser baseadas em decisões já ultrapassadas ou apenas em rumores. O segundo: o processo exige ao próprio que ele não comente com ninguém a eventual nomeação, antes de ela ser anunciada oficialmente – regra que, tal como a do secretismo das fases de auscultação, nem sempre é cumprida.

Isto dito, revele-se o que foi possível saber. Uma fonte bem informada garante que a nomeação do novo arcebispo de Braga seria feita ainda este mês. O prazo foi “imposto” pela Congregação dos Bispos, do Vaticano, contrariando as intenções do núncio da Santa Sé em Lisboa, Ivo Scapolo (que completa 68 anos no próximo dia 24), que preferia o anúncio para Setembro ou Outubro.

 

Sai ou não sai?

Jorge Ortiga, bispo

Foto © DACS – Braga.

 

A confirmar-se, a decisão traduziria a ideia de que o novo arcebispo pudesse tomar posse da diocese no início do novo ano pastoral, liderando já a programação da vida da diocese de Braga para 2021-22. Ao contrário, se só for nomeado no início do Outono, a posse apenas ocorreria já em Novembro ou Dezembro, atrasando o processo de conhecimento e integração. Em Setembro do ano passado, a espera já era considerada demasiada em alguns sectores da diocese de Braga, a tal ponto que o 7MARGENS promoveu um inquérito a vários responsáveis católicos, sobre o perfil desejado para o sucessor de D. Jorge Ortiga.

Segundo a mesma fonte – que coincide com várias outras –, a escolha recaiu agora sobre Virgílio Antunes. Mas um membro do clero de Coimbra garante que o actual bispo não tem vontade de sair. E duas das pessoas ouvidas pelo 7MARGENS asseguram que, até final da tarde desta quinta-feira, ele afirmava desconhecer a decisão.

Certo é que Virgílio Antunes completa neste sábado dez anos sobre a sua entrada em Coimbra e a data é pretexto para uma sessão de homenagem, durante a qual será apresentado um livro com homilias suas da Semana Santa. A cerimónia, que se realiza no Seminário de Coimbra na noite deste sábado, 10, foi encarada por várias pessoas como uma festa de aniversário que poderia ser, ao mesmo tempo, festa de despedida.

Nada mais longe da verdade, garante uma das pessoas que esteve envolvida na preparação da cerimónia. “Se acontecer a nomeação de D. Virgílio a seguir, isso será uma coincidência. Mas esta festa é apenas para assinalar os 10 anos da entrada na diocese”, diz a mesma fonte.

Se a nomeação de Virgílio Antunes se concretizar, ficarão pelo caminho outros nomes de que se falou – os bispos de Bragança (José Cordeiro), Lamego (António Couto) e Setúbal (José Ornelas) foram alguns dos mais falados. Mas ficarão depois outros problemas para resolver: além de Viana, também Coimbra passará a precisar de novo bispo; e o cardeal António Marto, bispo de Leiria-Fátima, que completa 75 anos no próximo ano, já terá feito saber que não pretende ficar para lá dessa data, depois de ter estado hospitalizado no início deste ano. Mas o próprio afirmou, em Maio, em entrevista publicada na revista Família Cristã, que não lhe “falta que fazer” e que não atirará a “toalha ao chão”, antes do final do programa pastoral que está em execução, e que vai até 2023…

Para Viana do Castelo, um dos nomes de quem se fala é o do actual bispo auxiliar do Porto, Armando Esteves Domingues. Mas também o actual bispo de Angra, João Lavrador, tem dito publicamente que não quer continuar na diocese atlântica e pretende voltar ao continente; e também o actual auxiliar de Braga, Nuno Almeida, é outro nome apontado como possível, embora com menos certezas da parte das fontes contactadas pelo 7MARGENS.

A manutenção da situação actual já gerou, no entanto, divisões na diocese minhota: uma vigília de oração pela nomeação rápida do novo bispo foi organizada no dia 3 de Junho por um grupo de padres e fiéis, o que motivou críticas de outros membros do clero, para os quais a espera é normal.

“Vergonhosa” espera
Lyon. Basílica de Notre-Dame de Fourvière. Concílio Niceia. Igreja Católica. Bispos. Concílio Éfeso

O Concílio de Éfeso (431), num mosaico da Basílica de Notre-Dame de Fourvière, em Lyon . Foto © António Marujo/ 7MARGENS

 

“Esta é uma situação vergonhosa”, comenta entretanto uma das pessoas que participou na vigília, lamentando que em dez meses não se tenha encontrado nenhum substituto. Aliás, várias pessoas escreveram para a nunciatura a manifestar descontentamento pela demora.

O próprio bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal, José Ornelas, foi um dos que se manifestou, tentando pressionar o núncio – que, notam vários dos nossos interlocutores, desde Setembro de 2019, quando chegou a Portugal, ainda não fez qualquer nomeação.

Todo este quadro de secretismo, incógnitas, buscas de poder ou protagonismo – são vários os que pretendem determinada diocese em detrimento de outra – ou danças de nomes só acontece por causa da forma como o processo é realizado – que não coincide com a prática dos primeiros séculos do cristianismo e vem sendo cada vez mais contestado no interior da Igreja Católica, conforme o 7MARGENS também já referiu.

O próprio inquérito feito às pessoas consultadas também é objecto de críticas profundas: com 13 temas e dezenas de tópicos ou perguntas, o questionário nunca fala do evangelho, insistindo quase só em questões de disciplina eclesiástica e doutrina moral, como o 7MARGENS revelou . E apesar de estar sujeito a um rigoroso “segredo pontifício” – ou seja, não se pode falar sobre ele nem sequer dizer que se respondeu – muito do que nele é dito acaba por ser conhecido, prova de que também aqui o respeito pela regra canónica é reduzido.

Normalmente, a escolha de um bispo para uma diocese é precedida por uma recolha de opiniões até chegar a três candidatos – a chamada “terna”. Envia-se, depois, o questionário a um conjunto de pessoas que conhecem os candidatos, para que se pronunciem sobre os nomes em presença.

Depois disso, escolhe-se um dos nomes ou volta-se ao início, se a escolha não for satisfatória no crivo da Congregação dos Bispos. Só após a retificação neste organismo do Vaticano o Papa assina a nomeação.

Os processos para Braga e Viana estarão algures numa destas etapas. Em breve se poderá saber se se atingiu o final ou se é necessário voltar à casa de partida. Mesmo se neste caso são muito poucos os jogadores que mexem os peões e a quase totalidade dos interessados apenas se pode limitar a assistir ao desfecho do jogo…

 

Dia 9/Julho, às 11h25, acrescentada a citação da entrevista de D. António Marto à Família Cristã.

 

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