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As obras de Rupnik que decoravam as portas de entrada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Lourdes, foram cobertas. Foto Santuário de Nossa Sra. de Lourdes
As portas de entrada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Lourdes, durante os trabalhos de cobertura. Foto © Santuário de Nossa Sra. de Lourdes

Jubileu

Bispo de Lourdes manda cobrir painéis de Rupnik nas portas da basílica

| 01/04/2025

Depois de ter decidido deixar de iluminar os painéis de mosaicos da autoria do padre e imputado abusador contumaz Marko Rupnik que se encontram nas entradas no Santuário de Lourdes, em França, o bispo local, Jean-Marc Micas, deu agora outro passo simbólico, ao mandar cobrir com folhas de alumínio esses painéis.

Depois de perto de um ano de ponderação, com a assessoria de uma comissão composta por pessoas de diferentes sensibilidades e perspetivas (vítimas, especialistas de história da arte, juristas…), o bispo tinha anunciado, em 2 de julho de 2024, que os mosaicos deixariam de ser realçados, como até então acontecia, através de um jogo de luzes durante as procissões noturnas das peregrinações.

Tratou-se, como ele esclareceu na altura, de “um primeiro passo”, motivado pelas “muitas pessoas que foram vítimas de violência sexual e abuso nas mãos do clero”, que “exprimiram o seu sofrimento e a violência” que a exposição dos painéis representava para elas.

O bispo Jean-Marc Micas entende que o seu papel primordial não é avaliar ou salvaguardar obras de arte, mas “garantir que o Santuário acolha a todos, especialmente aqueles que sofrem e, entre eles, as vítimas de abuso e agressão sexual”, sejam as vítimas crianças ou adultos. “Em Lourdes, as pessoas provadas e feridas que precisam de consolo e reparação devem estar em primeiro lugar”, acrescentou.

Logo nesse momento ficou claro, no comunicado e declarações do responsável pela diocese de Tarbes e Lourdes, que outros passos se seguiriam, e que não se davam naquele momento para evitar polémicas e divisões que poderiam travar as mudanças necessárias. Agora, o pretexto para a cobertura foi o facto de Jean-Marc Micas ter decretado que a basílica de Lourdes seria um dos templos onde o Jubileu pode ser observado e obtida a indulgência plenária. “Passar pelas portas de entrada da basílica [que se abriram esta segunda-feira, 31] deve refletir o significado simbólico do momento”, disse o prelado.

O outro pretexto foi a celebração, na última sexta-feira, 28 de março (e terceira da quaresma), para toda a Igreja da França, do Dia de Oração em memória das vítimas de abuso sexual cometido na Igreja.

Numa nota do serviço de Comunicação do Santuário, refere-se que os próximos passos continuarão a ser ponderados pelo grupo de trabalho que tem acompanhado o bispo. “Preferimos – afirmou este – seguir em frente com calma em vez de ficar sob o fogo de várias pressões. Trabalhamos a longo prazo, pelas vítimas, pela Igreja, por Lourdes e a sua mensagem para todos”.

 

Bispos de França analisam abusos, em fim de mandato do presidente

Cabe referir que teve início também nesta segunda feira a assembleia plenária da Conferência dos Bispos de França, num encontro que marcará o fim do mandato do atual presidente, Éric de Moulins-Beaufort, que foi peça-chave num processo de gestão complexa de avanços e resistências, que contribuiu de forma significativa para uma mudança de cultura eclesial no que aos abusos diz respeito.

Esta assembleia tem previsto dedicar boa parte dos dois primeiros dias a um “ponto de situação” da luta contra o que os franceses preferem designar por “violências sexuais no seio da Igreja”, desde que, na abertura do seu primeiro mandato, Éric de Moulins-Beaufort alertou os seus pares: “No agitado processo da conversão, devemos começar por nós mesmos”. Nem ele sonharia, então, que, pelo caminho, vários bispos tiveram de ser apeados, quer por abusos cometidos quer por encobrimentos descobertos.

 

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