A polícia da Nicarágua prendeu o bispo emérito da diocese de Estelí, o salesiano Juan Abelardo Mata Guevara, SDB, de 80 anos, enquanto ele se encontrava a receber tratamento médico numa clínica, segundo várias fontes de dentro e de fora daquele país da América Central.
Aquele que foi bispo de Estelí ao longo de mais de 30 anos, foi detido por várias horas nos primeiros dias desta semana, alegadamente por ter pedido aos fieis, durante a celebração da missa, no domingo, dia 28 de junho, que rezassem pela Igreja perseguida no país.
No dia seguinte, a polícia deteve-o recambiou-o para a sua residência, numa espécie de regime de residência vigiada. No dia seguinte terá sido levado de novo, numa operação que envolveu também um padre e um diácono da paróquia em que o bispo Juan Abelardo Mata tinha celebrado.
As fontes referem que o bispo, que é considerado uma das vozes mais críticas do regime de Daniel Ortega e da sua esposa Rosario Murillo, se encontra na sua residência, na localidade de Tisma, departamento de Masaya, permanentemente vigiado por agentes policiais. Os dois outros clérigos ficaram em liberdade condicional.
A advogada e investigadora dos ataques do regime contra as religiões e, sobretudo contra a Igreja Católica, Marta Patrícia Molina considera que a prisão do bispo se ficou a dever ao facto de agentes governamentais terem estado presentes na celebração para escutar e gravar a homilia e fotografar os fieis que vieram saudar o seu antigo bispo.
O bispo Juan Abelardo Mata é já um conhecido da polícia. De facto, na sequência da denúncia da mortífera repressão governamental às revoltas sociais na Nicarágua, em 2018, a polícia chegou a detê-lo, apesar de ele integrar a comissão de mediadores entre o governo e os dirigentes das manifestações sociais.
Algumas instituições chamaram a atenção para o facto de este caso ser apenas o desenvolvimento mais recente de uma operação generalizada de perseguição sistemática a membros da Igreja mais críticos da situação que o país vive. Calcula-se que, desde 2019 até à primavera de 2026, tenham sido proibidas mais de 28 mil procissões na via pública. Por outro lado, mais de 360 clérigos, religiosas e outros membros de comunidades católicas foram forçados ao exílio e quatro bispos foram detidos e expulsos do país.










