O bispo Andrés Carrascosa Coso, nascido em Cuenca (Espanha) e anteriormente núncio apostólico no Equador, Panamá, e República do Congo, foi nomeado esta quinta-feira, 11 de dezembro, como novo embaixador da Santa Sé em Portugal.
Na sua carta de despedida do Equador, onde se encontrava desde 2017, o novo núncio em Portugal pediu que não lhe fossem oferecidos presentes, mas sim que quem tivesse essa intenção ajudasse antes os necessitados.
“Peço encarecidamente que não me deem presentes. A minha alegria – e a do próprio Deus – será se dedicarem essa quantia a ajudar alguém necessitado à sua volta, sem que a sua mão esquerda saiba o que a direita está a fazer”, declarou prelado espanhol num texto publicado no próprio dia no perfil da Conferência Episcopal Equatoriana na rede social X.
“Hoje, esta etapa da minha vida conclui-se numa terra que procurei conhecer intimamente e onde me senti profundamente amado. Posso dizer honestamente que não poupei esforços para servir o país e a Igreja”, sublinhou Andrés Carrascosa Coso. “Vocês são um povo muito querido, e não é fácil levantar âncora para navegar noutros mares”, reconheceu.
O prelado, de 69 anos, foi ordenado padre em Cuenca em 1980. No ano seguinte, formou-se em Teologia Bíblica na Universidade Pontifícia Gregoriana, ingressando depois na Academia Eclesiástica Pontifícia.
Ao serviço da Santa Sé, passou pela Nunciatura Apostólica de Monróvia, que cobria a Libéria, Serra Leoa, Guiné-Conacri e Gâmbia, e posteriormente foi secretário da Nunciatura Apostólica de Copenhaga, acreditado junto dos governos da Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia e Finlândia.
No pontificado de João Paulo II, trabalhou na Secretaria de Estado do Vaticano (Secção para as Relações com os Estados) antes de ser nomeado conselheiro da Missão da Santa Sé junto das Nações Unidas em Genebra (Suíça), da Nunciatura Apostólica no Brasil e da Nunciatura Apostólica no Canadá.
Em 2004, João Paulo II nomeou-o núncio apostólico na República do Congo e, em 26 de agosto de 2004, Núncio Apostólico também no Gabão.
Nesse mesmo ano, a 7 de outubro, foi ordenado bispo na Basílica de São Pedro, pelo cardeal Angelo Sodano, então secretário de Estado do Vaticano.
A 10 de julho de 2008, o embaixador de Espanha, Miguel Fernández-Palacios, concedeu-lhe a Ordem de Isabel, a Católica, a pedido do Ministro dos Negócios Estrangeiros, pela “proximidade demonstrada aos missionários, em particular aos espanhóis”.
Foi nomeado núncio apostólico no Panamá por Bento XVI, a 12 de janeiro de 2009, antes de ser nomeado embaixador da Santa Sé no Equador pelo Papa Francisco, em 2017.
Em nota divulgada online, a Conferência Episcopal Equatoriana destaca o serviço do arcebispo espanhol num “país que amou e que percorreu inúmeras vezes”.
“Com a mesma simplicidade, gostaríamos apenas de lhe dizer ‘obrigado’ e assegurar-lhe as nossas orações nesta nova e importante missão que empreende em nome do Papa Leão XIV”, assinalam os bispos.
Andrés Carrascosa Coso sucede a Ivo Scapolo, cuja renúncia ao cargo de núncio apostólico em Portugal foi aceite pelo Papa no passado dia 23 de maio. O prelado italiano era representante diplomático da Santa Sé em Portugal desde 2019.
“Chega alguém com vontade de vos escutar e de aprender”
Para o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o bispo José Ornelas, esta nomeação é “um motivo de satisfação”. “Espero, a partir do que sabemos do seu percurso de experiência no mundo, em diversos níveis da presença da Igreja na sociedade e nas nações, que seja uma mais-valia para este nosso relacionamento que já é muito bom entre Conferência Episcopal, a Igreja em Portugal, com o Santo Padre e com a Igreja no seu todo”, afirmou, em declarações à agência Ecclesia.
Em carta dirigida ao presidente da CEP, Andrés Carrascosa Cosono escreveu por seu lado: “Asseguro-lhes que chega como Núncio Apostólico alguém com vontade de vos escutar e de aprender, decidido a conhecer e a amar esta Igreja particular a que o Senhor, através do Papa Leão XIV, hoje me envia.”
Na mesma missiva, o novo representante diplomático da Santa Sé diz que Portugal é um país que admira e que não traz “nenhum programa pessoal”, assumindo o desejo de “ser expressão da atenção e do amor do Santo Padre” e comprometendo-se a visitar “as dioceses, os institutos religiosos, as paróquias e os seminários… com a atitude de encontrar, ouvir, dialogar, partilhar e trabalhar em conjunto”.










