“Estou preocupado com o grande apoio que a Alternativa para a Alemanha [AfD]” tem junto dos eleitores, declarou, em entrevista a Giovanni Maria Del Re, jornalista do Avvenire, o bispo de Limburgo, Georg Bätzing. O presidente da Conferência Episcopal Alemã classificou a AfD como um partido não democrático porque qualquer organização “que fomente o racismo e o nacionalismo não apenas age de maneira questionável do ponto de vista da imagem cristã de Deus e do homem, mas dificilmente pode ser chamado de democrático”.
A entrevista foi publicada esta terça-feira, 18 de fevereiro, cinco dias antes das eleições gerais alemãs que terão lugar no próximo domingo, dia 23, e nela o Bispo de Limburgo voltou a afirmar aquilo que havia dito no ano passado sobre o voto na AfD ser incompatível com a fé cristã.
As sondagens mais recentes antecipam uma vitória da democracia cristã (CDU) – centro-direita – com 30 por cento, seguida da extrema-direita (AfD) com 20 por cento e do SPD – centro-esquerda – com 16 por cento. A sorte dos outros partidos, verdes, liberais e outros será determinada pela superação, ou não, da fasquia dos cinco por cento, abaixo da qual não terão qualquer representação no parlamento federal.
O bispo Bätzing mostrou-se igualmente preocupado com a crispação que marca o debate público no país, afirmando: “Se a nossa sociedade se tornar cada vez mais polarizada, a ponto de as pessoas se oporem irreconciliavelmente umas às outras, as forças extremistas terão vida fácil”. Mas apesar disso, sublinhou de novo que do ponto de vista da fé cristã “o extremismo e, acima de tudo, o nacionalismo étnico não são compatíveis com o cristianismo”.
Para o presidente da Conferência Episcopal Alemã, o medo é também um sentimento crescente entre os cidadãos que “estão preocupados com a situação económica, com as mudanças climáticas causadas pelo homem e com o número crescente de refugiados”, com “o avanço das novas tecnologias, da inteligência artificial, a ascensão de forças autoritárias, a desinformação direcionada e a sua tentativa de desacreditar a coexistência democrática na Alemanha”.
O candidato da CDU a chanceler (primeiro-ministro), Friedrich Merz, tem sido acusado de “trair a sua palavra” pelo atual chanceler, Olaf Scholz (SPD), por ter feito aprovar no parlamento alemão uma lei que endurece a política de imigração e que obteve os votos da AfD. Merz tem respondido às acusações de “quebra do tabu da política alemã” – o isolamento político e a não negociação com a extrema-direita – e repetido enfaticamente que a CDU não fará qualquer tipo de aliança com a AfD.
(Imagem de destaque: Bispo Georg Bätzing discursa durante um encontro ecuménico, em Würzburg (Alemanha), novembro de 2024. © DBK)
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