Bispo indiano acusado oficialmente da violação de uma freira

| 16 Abr 19

O cardeal Gracias (aqui, numa imagem do canal YouTube de Shalom International, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=gHJ0YJHTLoM), diz que é necessário a Igreja estar na “vanguarda da proteção infantil”.

 

Franco Mulakkal, ex-bispo de Kerala, na Índia, foi acusado de violação, sexo não natural, intimidação criminosa e abuso de poder, em relação a uma freira quer relatou, em junho do ano passado, ter sido violada 13 vezes entre 2014 e 2016.

Como lembra o Crux, Mulakkal foi preso, preventivamente, em 21 de setembro de 2018, um dia antes de ser afastado das suas funções pastorais pelo Papa Francisco. O bispo católico acabaria por deixar a prisão preventiva em outubro.

Franco Mulakkal, que será o primeiro bispo a ser julgado na Índia, nega veementemente as acusações e alega que estas não passam de uma vingança, por ter iniciado, em 2018, uma investigação contra a referida freira, devido a um suposto caso de envolvimento sexual entre esta e um homem casado.

Apesar da gravidade criminal do facto, a vítima, de 44 anos só há pouco tempo relatou o ocorrido, segundo a própria, por não ter sentido o apoio dos responsáveis católicos. A Igreja, disse “devia ter uma estrutura interna de queixa”, para não enfrentar este tipo de “humilhação pública”.

Em fevereiro, o Conselho de Bispos Católicos de Kerala publicou um conjunto de diretrizes no sentido de, em casos de agressão sexual ou assédio de menores ou adultos vulneráveis, ser obrigatório abordar a questão da prevenção; punir de forma eclesiástica os infratores; denunciar o abuso de menores e denunciar estes casos às autoridades civis em conformidade com a lei; e claro, socorrer as vítimas.As normas seguem as linhas de orientação da comissão responsável pelos abusos sexuais da Igreja Católica, cujo presidente nomeado pelo Papa Francisco é o arcebispo de Bombaim, cardeal Oswald Gracias.

Em entrevista ao Crux, Gracias, sem tocar diretamente neste caso, assumiu que não resolve que a Igreja se limite a “lamentar”. “Não tolerei qualquer caso”, diz o cardeal, assumindo uma política de “tolerância zero”. Oswald Gracias garante ainda que “tem noção da urgência” de adoção  de medidas dentro da Igreja, para combater este flagelo, pelo que sublinha que “não esperará orientrações concretas da Santa Sé” e irá assumir o pulso na diocese e criar, por exemplo, um centro de proteção de menores.

A Índia e, sobretudo, a região de Kerala ficaram em choque com a acusação do bispo. Houve uma reação de um grupo de freiras que protestou contra o bispo em Kerala, apoiado pela organização Save Our Sisters(Salvem as nossas Irmãs)criada para apoiar as mulheres da Igreja que são alvo destes crimes.

“Isto não é uma vitória. Sempre acreditámos que todos os acusados ​​precisam ser tratados como tal ​​e não protegidos pela religião”, sublinha um membro da organização, citado pela fonte já referida.

A acusação, divulgada no passado dia 10, contou com um complexo trabalho da polícia, que entrevistou 83 testemunhas, entre as quais onze padres e 24 freiras, numa acusação de 1.400 páginas. A freira encontra-se sob guarda policial e com o apoio das irmãs no convento.

Alguns defensores do arguido dizem que Mulakkal é “uma alma inocente” e que as alegações contra ele são “infundadas”. Para já, não há qualquer reação do Vaticano à acusação formal feita a Mulakkal. Mas o cardeal Oswald Gracias afirma ser necessário a Igreja estar na “vanguarda da proteção infantil”. Por isso, os líderes eclesiásticos devem ter a noção de que a “matéria de proteção de menores” é um assunto dos bispos e respetivas conferências episcopais, acrescentava, nas declarações ao Crux.

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