Terminou a visita “ad limina” dos bispos portugueses

Bispo José Ornelas: “Estamos a mudar o paradigma da Igreja”

| 24 Mai 2024

O encontro do Papa e bispos portugueses no final da visita ad limina, 24 maio 2024. Foto Vatican media

No encontro desta sexta-feira, o Papa “foi-se deixando guiar” pelas questões e relatos que membros do episcopado iam fazendo da realidade e preocupações da Igreja portuguesa. Foto © Vatican Media

“Penso que estamos a mudar o paradigma da Igreja”, disse esta sexta-feira, 24 de maio, o bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), numa conversa com alguns jornalistas, em plena Praça de S. Pedro, no Vaticano, em comentário ao que tinha acabado de se passar no encontro com o Papa Francisco e às visitas que os bispos lusos fizeram a vários dicastérios da Cúria Romana, no final de uma semana de visita ad limina.

Até agora, era tradição, no encontro com o Papa, no final de uma semana reuniões, o presidente da Conferência fazer um discurso de saudação, a que se seguia uma resposta oficial do bispo de Roma. Desta vez, Francisco disse: “Não vai haver esses discursos. Vamos entrar diretamente num diálogo entre nós”. E assim aconteceu.

“Foi uma mudança de figurino”, observou Ornelas, com ar de ainda meio surpreendido com o que acabava de acontecer. Os bispos estavam sentados à volta da sala, juntamente com o Papa, e este, no dizer de José Ornelas, “foi-se deixando guiar” pelas questões e relatos que membros do episcopado iam fazendo da realidade e preocupações da Igreja portuguesa.

Deixou, assim, de ser um ato em que se faziam uns discursos mais ou menos programados, para, em espírito sinodal, se fazer um encontro para troca de impressões e também de perspetivas sobre a nossa Igreja. “E isso foi muito interessante e não o vamos esquecer”, vincou o presidente da CEP.

José Ornelas não entrou muito no conteúdo do encontro havido, limitando-se a assinalar alguns pontos abordados. Entre eles, o dos abusos sexuais na Igreja, com uma breve exposição do presidente da CEP acerca do que tem sido feito em Portugal e o agradecimento do contributo dado pelo Papa e pela Santa Sé nesta matéria, recebendo em resposta o apoio para “continuar” a ação que os bispos estão a desenvolver.

Outro tema tocado refere-se ao papel da Igreja perante os desafios que a sociedade enfrenta, sublinhando-se que “a Igreja não vive para si mesma, mas numa sociedade que vive problemas, mas também perspetivas novas”. A propósito dos jovens e também dos mais velhos, veio à conversa a crise demográfica, o envelhecimento da sociedade e a falta de crianças.  Falou-se igualmente de “uma sociedade que precisa dos imigrantes – que chegam e têm de ser acolhidos, inseridos e cuidados, porque vêm fragilizados, carecendo de uma atenção especial da sociedade e, em particular, da Igreja”.

Neste contexto, focou-se o que estes desafios podem significar para a renovação da Igreja, fazendo o bispo Ornelas ligação ao caminho sinodal que, para além do Sínodo [em Roma], “vai invadindo a Igreja”. “E isto é bom”, disse.

O presidente da CEP destacou ainda o bom ambiente que os bispos portugueses encontraram nos dicastérios por onde passaram, durante a semana. “É bom encontrar na Cúria um ambiente de acolhimento e de compreensão para discutir as coisas, um clima de liberdade para falar dos problemas reais, de situações que não funcionam”. Foi, de resto, na sequência deste espírito e desta abertura encontrada que o presidente da CEP comentou: “Penso que estamos a mudar o paradigma da Igreja”.

 

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