
O bispo Jorge Pina Cabral considera que as diferentes religiões devem “promover discursos de reconciliação e trabalhar em conjunto pelos que sofrem”. Foto © Igreja Lusitana
O diálogo ecuménico e inter-religioso é uma das prioridades da Igreja Lusitana, particularmente neste momento “em que grande parte dos conflitos a nível mundial se fazem em nome de Deus”, afirma o seu responsável, o bispo Jorge Pina Cabral. Em declarações ao 7MARGENS na véspera do início do 100º sínodo diocesano desta Igreja (que pertence à Comunhão Anglicana) – e que contará com a presença do arcebispo de Cantuária, Justin Welby – o líder religioso sublinha: “É muito importante que as religiões se unam para desmascarar essa utilização do nome de Deus, e acima de tudo para serem arautos da paz”.
É por esse motivo que, ainda antes do início do sínodo, cuja primeira sessão se realiza este sábado, pelas 17h30, terá lugar um encontro inter-religioso. “A Igreja Lusitana há já vários anos que se vem empenhando no diálogo e na cooperação inter-religiosos. Com o início deste sínodo e a visita do senhor arcebispo de Cantuária, entendemos que seria uma boa oportunidade para poder juntar vários líderes religiosos, reforçando os laços entre nós”, explica o bispo diocesano.
O encontro contará com a participação de representantes das comunidades Hindu, Islâmica e Ismaili, da Igreja Adventista do Sétimo Dia, da Igreja Católica, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Igreja Evangélica Alemã, Igreja Evangélica Metodista, Igreja Evangélica Presbiteriana, Igreja Ortodoxa Russa, do Templo Fo Guand Shan Portugal, da Sociedade Bíblica, e ainda do KAICIID – Centro Internacional para o Diálogo e promoção Inter-religiosa, e da Comissão da Liberdade Religiosa.
“Será também um momento para darmos a conhecer o trabalho inter-religioso que tem sido desenvolvido em Portugal e para podermos acolher a visão e orientação daquele que é o líder espiritual da Comunhão Anglicana em relação aos próximos passos a dar”, acrescenta Pina Cabral. “Para mim, esta é claramente uma prioridade: temos de promover discursos de reconciliação e trabalhar em conjunto pelos que sofrem”, reitera.
“Gostaríamos de alargar a nossa presença” a nível nacional
Esse sempre foi, de resto, o espírito que moveu a Igreja Lusitana, a qual tem procurado ser “uma igreja inculturada” em Portugal, sublinha o bispo diocesano. “Nunca nos vimos como uma comunidade separada ou isolada, queremos servir as comunidades em que estamos inseridos, sempre numa perspectiva ecuménica”, assegura Pina Cabral ao 7MARGENS.
Com cerca de cinco mil membros, repartidos por 14 paróquias e missões no norte e sul do país, um dos objetivos da Igreja Lusitana é vir a estar presente em todas as capitais de distrito. “Gostaríamos de alargar a nossa presença, mas isso está dependente de termos também um clero mais alargado – atualmente contamos com cerca de 20 presbíteros e diáconos – e da sustentabilidade financeira”, assinala o bispo.
Do último sínodo, realizado em 2022, resultou a constituição da mais recente comunidade, localizada na Praia de Mira e em Coimbra, composta essencialmente por migrantes vindos de Cuba e de outros países da América Latina [ver 7MARGENS].
Para o processo sinodal que agora se inicia, e que conta no seu arranque com o líder da Comunhão Anglicana, as expetativas são elevadas. Subordinado ao tema “Chamados à Esperança e à Santidade em Cristo”, este será o 100º sínodo da Igreja constituída em Lisboa em 1880, e terá a sua segunda sessão nos dias 30 e 31 de maio e 1 de junho.
“Ao meditar sobre este tema, que foi também trabalhado pelos bispos anglicanos na Conferência de Lambeth em 2022, queremos ser igualmente arautos da esperança, reunindo quer o povo quer o clero para trabalharmos em conjunto nos caminhos de missão”, destaca Jorge Pina Cabral. E “a presença do senhor arcebispo vem dar não só um reconhecimento, mas também um apoio, um estímulo muito forte, ao trabalho da nossa Igreja”, conclui.









