
O bispo Rolando Álvarez (dta.) com o arcebispo de Sevilha, José Ángel Saiz Meneses, durante a visita àquela diocese, em junho deste ano, numa das suas raras aparições públicas desde que foi expulso da Nicarágua. Foto reproduzida a partir da conta de X de José Ángel Saiz Meneses
Rolando Álvarez, bispo nicaraguense da diocese de Matagalpa, que foi perseguido, preso e libertado em meados deste ano de 2024 para ser expulso para o Vaticano, acaba de ser incluído na lista dos membros da segunda sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, por convite do Papa Francisco.
O prelado teve um papel relevante no diálogo entre o governo e os setores da oposição da Nicarágua, na sequência das grandes manifestações de 2018, violentamente reprimidas. Na sequência disso, começou por ser ameaçado; depois, em agosto de 2022, foi cercado durante vários dias na sua residência; foi preso e mantido em prisão de alta segurança; foi-lhe dada a opção de embarcar com outros prisioneiros políticos para os Estados Unidos da América; face à recusa viu ser-lhe aplicada no dia seguinte uma acusação de traição à pátria; e, finalmente, recebeu ordem de expulsão, juntamente com outro bispo, 15 padres e vários seminaristas.
A participação de Rolando Alvarez no Sínodo, de 2 a 27 de outubro, constitui o primeiro ato oficial em que participa, desde que foi recebido em Roma. Ao longo destes meses, tem-se remetido ao silêncio, sendo raras as vezes em que foi visto.
O bispo Alvarez foi nomeado para Matagalpa em 2011, pelo Papa Bento XVI. O outro bispo que o acompanhou na expulsão foi preso por ter rezado por Álvarez, quando este estava preso. Há ainda um terceiro bispo perseguido pelo regime de Ortega, que vive em Miami.
Ainda que as perseguições e atos repressivos tenham incidido de modo particular na Igreja Católica, nos últimos meses, outras confissões religiosas e instituições da sociedade civil foram ilegalizadas, os seus bens apropriados pelo Estado e alguns dos seus dirigentes presos ou expulsos.









